Quinta das Marias apresenta o seu novo enólogo: Luís Lopes

Peter Eckert afirma “as ideias do Luís serão um grande contributo para a melhoria da nossa qualidade”

Cresceu no Ribatejo (filho de mãe Ribatejana), mas tem costela Beirã (o pai é das Caldas da Felgueira). Luís Lopes chegou em 2009 à região do Dão e aqui se fixou como enólogo, principalmente na sub-região da Serra da Estrela. A recente contratação para assessorar a Quinta das Marias, representa um primeiro conhecimento da sub-região de Besteiros. “O único conhecimento que tinha desta área geográfica era mesmo somente através das várias conversas com o Peter, desde 2010”, explica, acrescentando “acompanho assim o projeto da Quinta das Marias desde essa altura”. 

Chegou em início de agosto e já verificou diferenças no terreno: “aqui, pelo que pude constatar, as maturações são mais regulares, principalmente numa casta que me preocupa sempre – a Tinta Roriz”. “Das longas conversas com o Peter, sei que sempre teve uma visão e uma ambição – experimentar, melhorar e colocar em prática, em cada colheita, novas ideias”, revela. Na sua opinião a Quinta das Marias “nunca defrauda com o padrão de vinhos que tem”. E esse patamar é sem dúvida de excelência. O Peter é uma pessoa “inquieta e correta”, considera. Trabalho muito importante, para Luís Lopes, é sem dúvida a viticultura. “Esse é para mim um estímulo adicional e aqui não estamos parados no tempo”, confidencia-nos. “O que aqui tenciono fazer é colaborar com as ideias do Peter e juntos alcançarmos objetivos cada vez mais ambiciosos”. 

Instado a falar-nos sobre o seu novo enólogo, Peter Eckert devolve o elogio: “O Luís Lopes também me traz ideias novas e considero que não é um enólogo tradicional”. Depois de nos ouvir falar de sub-regiões, o produtor ficou inquieto. “Não gosto de ouvir falar de sub-regiões, considero que é um desperdício de tempo e dinheiro”, afirma, defendendo a ideia de “O Dão como um todo”. “Ninguém conhece o Dão e no mercado é um erro falar em Sub Regiões”, sustenta, contando a sua experiência nos mercados onde opera, nos quais “primeiro temos que vender a imagem do vinho de Portugal e depois do Dão, o que já é difícil”. E os mercados onde os seus vinhos marcam presença, vão desde a Suíça (principal mercado externo), Alemanha, Canadá, Brasil e Macau, entre outros, tendo como canal de distribuição largamente maioritário o HORECA (hotéis, restaurantes e cafés). Trabalhando muito bem em nichos de mercado, este “pequeno produtor”, como o próprio se classifica (pequeno em quantidade, mas gigante em qualidade, dizemos nós), Peter Eckert  confessa “ser um lutador, sozinho, nos mercados externos”. A Quinta das Marias vende cerca de 60% da sua produção anual para o estrangeiro e 40% em Portugal. Com um importador por país, que depois distribui, estima que terá mais de mil destinos finais para os seus vinhos. “Vin Naturel” e Tinto Garrafeira 2015 são novidades (engarrafados recentemente). Estes néctares podem ser degustados na Feira do Vinho do Dão. Feira do Vinho que considera “registar melhorias nos últimos anos”. 

No que diz respeito a doenças, Peter Eckert revela que “as nossas vinhas foram pouco afetadas, embora com mais tratamentos este ano, logo não prevejo grande queda na produção”. O minucioso cuidado colocado na viticultura é precioso a este nível. “É uma colheita com muito mais atenção e trabalho na vinha, registando-se alguma insolação nas uvas, devido a três ou quatro dias de intenso calor, mas que acaba por ser uma monda natural e pelo que vejo nestas vinhas a qualidade até deverá ser melhor”, explica Luís Lopes, o enólogo que promete, em trabalho estreito com o produtor, inovar. 

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