Lusovini recupera castas perdidas no tempo

Quinta em Alvarelhos (Carregal do Sal) tem15 hectares de vinha, situa-se ao lado do IC12, e em dois anos começa a produzir

Vinha da Fidalga, plantada em 2017, promete ser um dos ex libris da Lusovini. A criadora e distribuidora de marcas, que tem no Pedra Cancela uma das estrelas da companhia, aposta agora em recuperar castas pouco ou nada usadas no Dão, essencialmente por não serem produtivas, mas que podem vir a representar uma mais valia para a empresa, dado o seu elevado potencial.

Foi isto mesmo que nos contou Sónia Martins, num agradável almoço na Taberna da Adega (degustando um Emiliano Campos Encruzado 2015 com arroz de peixe). A administradora e responsável pela enologia explica: “Plantámos ali clones de diversas castas tradicionalmente usadas no Dão – como Douradinha e Alvarelhão -, que por diversas razões foram sendo abandonadas e estamos agora a recuperar, pois o Dão tem que se afirmar pela diferenciação, num caminho que considero estar a ser trilhado. Mantivemos toda a área de floresta, com pinheiros e cedros, preservando o terroir, tal como o encontrámos”. Da Vinha da Fidalga vai sair um blend ou uma monovarietal, dependendo da forma “como avaliaremos as uvas”. Existe ainda uma casa, que poderá vir a ser muito importante no projeto de Enoturismo da Lusovini, que já é reconhecidamente um dos melhores na região do Dão. Neste âmbito, Sónia Martins não tem dúvidas “muito para além das acessibilidades, está a capacidade da região fixar turistas durante vários dias – temos que todos arranjar atrativos para estadias mais prolongadas”.

Alterações climáticas são um grande desafio

“Maior capacidade de adaptação, face à imprevisibilidade climática,  deverá ser uma grande objetivo dos viticultores”, sustenta a enóloga, que nos revela cada vez existirem mais estudos, nomeadamente sobre a temperatura dos solos. “Estamos a fazer com o Instituto Superior de Agronomia, um projeto que visa estudar o azoto nos solos, no sentido de manter a sua fertilidade e para que não se contaminem tanto os lençóis freáticos”. “Maior atenção na vinha, com muito mais visitas, e fazer as coisas na hora certa, como os tratamentos, é fundamental”, define como chave para se terem uvas de qualidade. “Pode ser determinante para estragar ou não a colheita de um ano”, acrescenta. Pedro Rosado, Administrador da área comercial, que connosco almoçou, assegura  : “Todo o trabalho da Sónia na vinha, sinto que tem repercussão nos vinhos que produzimos, contribuindo assim para o seu sucesso no mercado”. “Temos que sair fora da caixa e fazer diferente”, afiança.

Sónia Martins, entre algumas certezas tem esta: “não tenho qualquer problema em partilhar os meus conhecimentos com os mais jovens, porque o nosso conhecimento aliado ao deles, pode resultar em grandes mais valias”. 

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