Indústria 4.0 chega ao setor vitivinícola. Symington utiliza robô na vinha

VineScout é o nome de um robô em crescimento na Quinta do Ataíde, dos Symington. A sua missão é recolher informação dos ciclos de crescimento e maturação da uva em tempo real

Com as vindimas à porta, há um robô a ganhar protagonismo no Douro vinhateiro. Chama-se VineScout, nasceu no âmbito de um projeto europeu no valor de dois milhões de euros e tem já a sua missão bem definida: ajudar os viticultores a recolher informação dos ciclos de crescimento e maturação da uva em tempo real de forma a aproveitarem ao máximo o potencial qualitativo do fruto.

Depois de uma primeira fase de testes no verão de 2017, o VineScout regressa, agora ao Douro, à Quinta do Ataíde, da Symington Family Estates, para continuar os ensaios no terreno. Incorpora os ensinamentos e as conclusões dos primeiros ensaios em contexto real, no ano passado, e promete continuar a melhorar a sua ‘performance’ para medir parâmetros chave da vinha e apoiar a viticultura.

Para isso, na agenda do robô, 29 de agosto é dia oificial de testes, o que significa que os parceiros deste projeto (Symington, Universidade Politécnica de Valência, Universiade de La Rioja, Wall-YE Robots & Software e Sundance Multiprocessor Technologies) convidam produtores de vinho, universidade e institutos de investigação, consultores internacionais, associações de produtores e empresas tecnológicas a participarem nas demonstrações de campo e a darem sugestões de melhorias a introduzir.

Para a Symington, a única parceira nacional deste projeto da Comissão Europeia, no âmbito do programa Horizonte 2020, “o VineScout destaca-se pela capacidade de monitorizar a vinha de forma autónoma e com recurso a propulsão elétrica e energia solar, para garantir melhorias na vitivinicultura no Douro em outras regiões da Europa, tendo em conta as práticas sustentáveis necessárias para garantir o futuro do sector”.

Pronto a medir os parâmetros chave da vinha no apoio à viticultura, incluindo o controlo do estado hídrico da videira, para uma gestão correta da disponibilização da água, a temperatura da folha e o vigor da planta, o VineScout apresenta-se como “um robô acessível, fiável e fácil de operar”, em crescimento por incorporação de melhorias até à versão final, em 2019, para ser produzido em série a médio-longo prazo.

Com a sua ajuda, os viticultores esperam ultrapassar algumas limitações decorrentes das técnicas atuais de recolha de dados das vinhas que são consideradas caras, exigem trabalhadores com formação específica e demoram algum tempo, uma vez que as quintas têm áreas extensas para serem monitorizadas. E esse trabalho é, em geral, incompleto, já que as taxas de amostragem são baixas. Mas com o novo robô operacional, os viticultores esperam ter acesso a informações abrangentes, confiáveis e em tempo real durante os ciclos de crescimento e maturação.

Presente no Douro há cinco gerações, desde 1882, a Symington Family Estates é atualmente a maior proprietária de quintas da região do Douro, detendo marcas como a Graham´s, Dow´s, Cockburn´s e Warre´s, no vinho do Porto, a par dos DOC Douro Quinta do Vesúvio, Quinta do Ataíde, Altano e P+S. À procura de soluções inovadoras para o futuro, a empresa tem apostado em vinhas experimentais, na Quinta da Cavadinha, e nas coleções de castas plantadas na Quinta do Ataíde e na Quinta do Bomfim, com 53 e 29 variedades diferentes, respetivamente, algumas das quais quase desconhecidas. Com gestão familiar, a Symington está, também, envolvida no VISCA – Vineyards Integrated Smart Climate Application, um projeto de investigação e desenvolvimento europeu que procura desenvolver estratégias de adaptação às alterações climáticas no curto e médio prazo.

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