Drosophila suzukii ataca a produção de mirtilos. BE questiona Governo

Recentemente ocorreu um forte ataque de Drosophila suzukii sobre os campos de mirtilos, na região de Lafões. Trata-se de uma praga de origem asiática que chegou à Europa em 2009 e, mais recentemente, a Portugal. As temperaturas elevadas e o tempo seco que caracterizam o nosso clima não tem permitido o seu desenvolvimento em anos anteriores porque o inseto morre quando a temperatura atinge os 30oC.

Porém, este ano com temperaturas na ordem dos 25oC e elevada humidade atmosférica, a praga proliferou e está a inviabilizar toda a produção de mirtilos. O inseto perfura o fruto maduro e no interior eclode uma pequena larva que destrói a baga. Quando uma região é atacada por esta praga, a exportação do produto fica imediatamente bloqueada.

Este ataque de Drosophila suzukii surge após um problema inicial na colocação dos frutos no mercado europeu, destino de grande parte da produção de Lafões. Por causa das chuvas e do frio que se fizeram sentir até tarde a maturação atrasou-se, seguindo-se novamente um período de chuva que impediu a colheita, com consequências na qualidade do fruto e na exportação que perdeu a vantagem de ser temporã.

Na região de Lafões e Castro Daire existem cerca de 250 produtores com uma área de 600 hectares onde predominam os pomares de mirtilos. Resultante da praga, calcula-se uma perda de 80% desta produção, o equivalente a 14,4 milhões de euros de prejuízo, considerando uma produtividade de 6 toneladas por hectare e uma expectativa de venda de 5 euros o quilo.

Para evitar a propagação da praga, a solução parece ser a de apanhar os frutos e destrui-los pelo fogo. Se ficarem na terra, o ciclo reprodutivo da Drosophila suzukii continuará. Cada baga contaminada que fique no solo irá assegurar a multiplicação da praga, comprometendo as próximas produções.

Para já, a campanha deste ano é catastrófica e é urgente uma adequada intervenção do Ministério da Agricultura, pois referimo-nos a um sector muito importante para a região e para o

Foi aqui investido muito dinheiro, nos últimos anos. Não pode ser abandonado pelas politicas públicas, já que a cobertura das seguradoras se revela inalcançável, por atingirem preços absurdos e incomportáveis

Subsiste um conjunto de problemas de cuja resolução poderá depender a sobrevivência desta fileira. Falta uma ajuda de emergência para fazer face aos prejuízos e para relançamento da próxima campanha. É preciso que os produtores com projetos financiados pelo PRODER e PDR em curso não sejam penalizados por incumprimento do plano de produção previsto no respetivo projeto, quando for feita ação de controlo de faturação.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, as seguintes perguntas:

1.

Como vai o governo assegurar uma ajuda de emergência a estes pequenos produtores de mirtilos, atingidos pela praga de Drosophila suzukii, viabilizando a continuidade da fileira? 2.

O governo assegura que não serão penalizados, por incumprimento do plano de produção previsto no respetivo projeto e em razão desta praga, os produtores com projetos financiados pelo PRODER e PDR ainda em curso?

Palácio de São Bento, 27 de julho de 2018

Deputado(a)s

CARLOS MATIAS(BE)

PEDRO SOARES(BE)

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