SUAZILÂNDIA : Seguir viagem desde o Lesoto para a Suazilândia é um autêntico quebra-cabeças

Tenho de voltar a Johannesburgo e daí tentar apanhar um autocarro para a Suazilândia. O que eu não queria de modo algum era passar uma noite na cidade de Johannesburgo, por isso madruguei mas de nada me valeu. Horas e horas à espera que uma simples carrinha fique cheia para chegar em plena noite a Johannesburgo. Mal saio da carrinha percebo que o lugar não é lá propriamente o paraíso. O condutor avisa-me imediatamente para ter cuidado com a minha carteira e telemóvel, e chama um fulano para acompanhar-me até à estação de autocarros. E lá fui eu num passo apressado no meio de ruas que não estava a curtir muito. O ambiente era bastante pesado e não me agradava nada andar ali a pé. Finalmente na estação despeço-me do tipo e outra má notícia. Não há autocarros diretos para a Suazilândia. A única maneira é chegar a uma cidade chamada de Nelspruit e aí, tentar um transporte para a Suazilândia. O que não me agrada de maneira alguma é que o autocarro só sai às 7 da manhã e terei que passar a noite na estação de Johannesburgo.

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Já estou finalmente na Suazilândia a caminho de Moçambique. Tirando o frio que passei durante a noite na estação de Johannesburgo correu tudo bem. A viagem foi relativamente calma e pacífica na África do Sul. Na Suazilândia a viagem foi igualmente calma, tirando a parte onde o condutor conduzia enquanto mexia no tablet. Como vêem, a segurança sempre em primeiro lugar, principalmente quando se leva passageiros. Chego ao vale de Ezulwini e devido ao elevado preço das estadias, decido acampar. Escusado seja dizer que rapei um frio descomunal. E mais uma vez decido fazer um trilho sozinho para não gastar dinheiro. O pior disto é que o cromo do Rui Daniel parece que ainda não aprendeu que realizar este tipo de romarias bucólicas a partir do meio dia, é quando o calor se apresenta no seu auge alcantilado. Ou seja, abafado, abrasador e esbraseante. Juntando uma pitada de aclives íngremes sem qualquer tipo de sombra, foi sem dúvida um espetáculo como podem imaginar. Sofri, mas é bem feita! A ver se numa próxima começo ao meio dia e meio em vez do meio dia. Adiante… O prelúdio deste trilho só demonstra uma subtileza refinada do meu sentido de orientação. Passados 5 minutos estava eu novamente no ponto de partida. Boa Rui! Acabaste de finalizar o trilho mais curto que alguma vez fizeste na tua vida.
Enfim… após este preâmbulo, todo o interlúdio que se seguiu foi bastante tranquilo até ao seu cume, tirando a parte do calor. Hoje conheci um casal francês e foi brutal. Decidimos alugar uma bicicleta e procurar hipopótamos perto dos lagos e rios. Encontrámos algumas pegadas e lá fomos nós em busca deste enorme mamífero. Sempre que nos aproximávamos de um rio, a rapariga ficava a uns 10 metros atrás. Eu colocava a bicicleta à minha frente como proteção caso aparecesse algum hipopótamo. Infelizmente, não vimos nenhum. Apenas crocodilos e zebras.
RUI DANIEL DA SILVA

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