Linhares da Beira viveu a lenda “O Tesouro da Meia Noite”

As lendas dão o mote e cada Aldeia Histórica de Portugal tem um evento integrado no ciclo “12 em Rede | Aldeias em Festa”. No fim de semana de 13 a 15 de julho de 2018, foi a vez de Linhares da Beira viver a lenda d’O Tesouro da Meia Noite.

O palco principal desta iniciativa foi o largo junto ao castelo composto por um Mercadinho D’Aldeia, cheio de produtos locais e regionais, mas quem passeava pelas ruelas apertadas da aldeia podia seguir uma rota de sabores, um pãozinho caseiro feito no forno, chouriça, queijo de ovelha e claro que não podia faltar a ginja e o vinho. No final de percorrer esta rota de adegas, os visitantes de barriga satisfeita ainda tinham direito a uma pequena lembrança alusiva a Linhares da Beira.

Segundo os aldeões mais antigos, a lenda do Tesouro da Meia Noite leva-nos até aos tempos de Bernardo da Costa, um rico proprietário que vivia no Solar Corte Real, em Linhares. Diz o povo que explorava os seus arrendatários e que acumulou grande fortuna. Quando faleceu, os arrendatários que foram ao seu funeral viram no caminho o espírito de Bernardo da Costa a caçar, que lhes disse que lhe perdoava as rendas. No velório, descobriram que o caixão estava cheio de pedras e sem vestígios do corpo… A partir de então, quem trabalhava nas propriedades da família de Bernardo da Costa ouvia constantemente gargalhadas e outros barulhos e sentia um espírito a agarrar as suas roupas. Tempos depois, um habitante de Linhares sonhou três noites seguidas com um tesouro. Nesse sonho, alguém lhe dizia para ir à meia-noite às sepulturas em pedra que estão na Quinta da Fidalga (e que são património arqueológico). Mas teria de ir sozinho. Receoso, o morador levou um amigo. Quando chegou lá, encontrou um tesouro, de facto, mas estava queimado…

Uma festa carregada de música, gastronomia, animação de rua, história e oficinas fizeram parte do programa do Tesouro da Meia Noite.  Para Carlos Ascensão, presidente da Câmara Municipal de Celorico da Beira, esta iniciativa é uma “forma de dinamizar a vertente cultural e histórica, porque é muito importante, o sucesso não passa só pelo investimento, a cultura é fundamental, forma as pessoas, para além da vertente lúdica, é dar continuidade a esta nossa preocupação e a esta nossa sensibilidade para uma dinamização cultural” referiu o edil.

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No primeiro dia destacou-se a presença do Chef Tiago Bonito, detentor de uma estrela Michelin, que através de um showcooking apresentou vários pratos com os produtos locais como o grão de bico, o borrego, o Queijo Serra da Estrela, o doce de abóbora e o queijo de ovelha curado, criando assim uma receita com identidade para Linhares da Beira.

Na vertente musical, os espetáculos de som e luz foram fundidos com séculos de História, junto do imponente castelo de Linhares. Marafona, Strella do Dia, Seiva e Omiri aturaram perante dezenas de pessoas, uma viagem pelo mundo da música tradicional e pela história. O teatro de rua, por sua vez, foi o ponto de ligação entre o presente e o passado, através de visitas encenadas das lendas, a “Lenda de Dona Lopa e o “O Tesouro da Meia Noite”.

O último dia foi dedicado ao desporto com a caminhada “Em busca do tesouro”, uma aula de yoga, uma oficina de produtos naturais e um almoço convívio.

O Tesouro da Meia Noite está inserido no ciclo de eventos ‘12 em Rede – Aldeias em Festa” e foi organizado pelo Município de Celorico da Beira e pelas Aldeias Históricas de Portugal que o caracterizam como um evento de cariz cultural e gastronómico que pretendeu “criar uma viagem sensorial pela aldeia, através de personagens que vivem na memória coletiva dos seus habitantes”.

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