Nelense de coração, Rui Daniel conhece 123 países

Rui Daniel Silva já carimbou o seu passaporte em mais de cem países, mais precisamente 123.De acordo com a Organização das Nações Unidas, existem 193 países no mundo. Em termos estatísticos, este professor de piano, nascido no Luxemburgo e filho de pais portugueses, naturais de Nelas, conhece cerca de 64 por cento de todas as nações. Aos 40 anos, fala sete línguas e tem planos para continuar a acumular destinos, sobretudo aqueles “menos comuns”, assume. Rui Daniel estudou em Nelas, do 9º ano (quando tinha 15 anos veio morar para a vila “Coração do Dão”), até ao 12º ano. “As pessoas acham-me um bocado cromo”, admite.

O curriculum deste viajante é verdadeiramente épico. O curioso é que, com tantas viagens, assegura  que “o Paquistão foi o único país que visitei onde ninguém, daqueles com quem falava, sabia onde era Portugal. Mas os futebol salvou a honra nacional, pois conheciam o Mourinho e o Ronaldo”, conta-nos.

O curso de pianista na Universidade de Aveiro foi a sua formação inicial, mas  “tenho também um curso de escrita criativa de humor, que tirei nas Produções Fictícias”, o que permite ter uma escrita fluente para fazer os relatos das suas viagens. Confidencia-nos que “o grande clique foi quando visitei o Sudeste Asiático. Era barato e gostei essencialmente do choque cultural”.

“A partir daí comecei a viajar todos os anos para fora, escolhendo sempre destinos baratos. Com o tempo comecei a ficar viciado nas viagens e decidi fazer algumas viagens de bicicleta e acampando pelo caminho por não ter dinheiro”. De todas essas aventuras, destaca especialmente duas de bicicleta pelo continente africano : “No final dessas odisseias oferecia sempre a bicicleta a uma criança”.

“Uma das viagens que mais me marcou foi o Irão, porque encontrei nele as pessoas mais hospitaleiras do mundo.A partir daí nunca mais acreditei no que os media diziam e nos tentam impingir”, descreve, acrescentando “a partir do Irão aventurei-me pelo Iraque e Paquistão, assim como El Salvador e a experiência foi a mesma. Povo hospitaleiro onde não mora qualquer turista”. De acordo com o seu relato, outra viagem marcante foi a de bicicleta do Senegal à Guiné-Bissau :  “Passei fome e por vezes não encontrava água.Acampava com as tribos e dormia onde calhava. Apesar de tudo, adorei a experiência”.

A prisão faz também parte das suas vivências, verdadeiramente ímpares : “Estive duas vezes detido – uma em Singapura e outra no Gana, mas foi por pouco tempo e tudo se resolveu”.

No momento, está a fazer uma viagem que iniciou em setembro de 2017, atravessando toda a África Ocidental : “Já cheguei a Angola e a partir de julho vou prosseguir, a partir da Namíbia, e o grande objetivo é chegar ao Bangladesh, dando a conhecer a Fundação Maria Cristina, em Daka. O objetivo da viagem é tentar angariar o máximo de fundos para ajudar as crianças desta fundação”.

Doenças é outra das realidades que vai enfrentando, nomeadamente as tropicais. “Nesta última viagem aconteceram alguns imprevistos, como ter contraído malária e ter sido internado já em muito mau estado”, conta, realçando outras situações inusitadas : “Fui assaltado no Burkina Faso, bateram-me na Libéria, dormi várias vezes ao relento com tribos e noutra ocasião tive de dormir igualmente ao relento na beira da estrada, por causa dos rebeldes no Mali”, e até piratas encontrou na Nigéria. “De todos os países que visitei até agora, o povo do Níger foi sem dúvida o mais simpático”, confidencia.

”A experiência tem sido brutal”, conclui Rui Daniel Silva.

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