Pedra Cavaleira aposta em cerveja artesanal e vinhos com personalidade e elegância. Rosa da Mata é o primeiro vinho de Patrícia Santos

“Fazemos uma cerveja mantendo-nos fiel à palavra artesanal”, começam por nos explicar a enóloga Patrícia Santos e o produtor Micael Batista. Um cerveja turva, complexa e encorpada, com braçagem feita manualmente é a aposta. A enóloga faz os ensaios, dado que a bebida leva cardo (com o tempo a ideia é retirar totalmente o lúpulo, substituindo-o-a por este produto endógeno), e um vinho Branco, proveniente de vinhas velhas. A marca é Poliglota e carateriza-se por ser “gastronómica e com grande densidade”. Foram engarrafadas 200 garrafas de 0,75 lt., na Adega situada em Mouraz (Tondela).

A região de Besteiros é conhecida por Tintos muito elegantes e Brancos de excelência, onde predomina o Encruzado, com muita frescura e notas florais. O primeiro Branco da Pedra Cavaleira é oriundo de vinhas velhas, com 45 anos de idade, numa vasta panóplia de castas, que inclui Borrado das Moscas, Gouveio, Encruzado e Malvasia Fina. “Este vinho teve um ligeiro contacto pelicular e é de guarda, com muita estrutura e complexidade”, frisa a enóloga, que defende “Brancos mais velhos, porque nesta região ganham com o tempo”.

A mesma vinha que dá origem ao Branco, também fornece uvas para um Tinto em blend, com longa vida pela frente e também com o rótulo Pedra Cavaleira. A marca Quinta da Ramalhosa, por seu turno, vai ter um Tinto jovem, sem madeira, vinificado a partir das castas Touriga Nacional e Alfrocheiro : “Esta é uma aposta num vinho mais fácil, que pode ser bebido jovem e também por jovens”, realça Patrícia Santos. Esta última casta é a preferida de Patrícia Santos. Daí que para o seu primeiro vinho, Rosa da Mata, a tenha usado em exclusivo. “A Rosa da Mata começa por ser um livro que conta a história de uma menina que foi para a Universidade, para o curso de enologia, mas não sabia bem se iria gostar. Não tendo perfil acorrentado, acabou por se apaixonar pela área, e teve depois um sonho – fazer o seu próprio vinho, mesmo sabendo das dificuldades em atingi-lo”, conta a enóloga, que explica “este é um vinho que tem o perfil que mais gosto, com uvas provenientes do mestre Anselmo Mendes, que é um amigo, e deu-me uma preciosa ajuda para conseguir concretizar o sonho de fazer um monocasta de Alfrocheiro”. “Este vinho é muito especial, sendo totalmente fermentado em lagar, sem qualquer controlo de temperatura, ou seja, feito à moda antiga”, salienta, caraterizando-o de forma emocional :  “é um néctar rústico, rude, mas ao mesmo tempo elegante e feminino, com toda a sua leveza”. Harmoniza na perfeição, por exemplo, com chocolate. E foi assim que o degustámos. A Rosa da Mata é a avó da produtora e reflete um feliz encontro de gerações.

Uma nota final para mais uma excelente receção no restaurante PITADA em Canas de Senhorim, onde foi efetuada a prova e harmonização com uma magnífico arroz de polvo e grelhada mista com arroz de feijão.

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