Bloco de Esquerda em defesa da manutenção das agências bancárias de Viseu

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) anunciou o encerramento de  70 balcões , para além das muitas dezenas que já tinha encerrado no ano passado, como contrapartida da recapitalização acordada entre o Estado português e a Comissão Europeia, tendo  ficado ainda prevista a saída de 2.200 trabalhadores até 2020, através de pré-reformas e rescisões por mútuo acordo.

Entre os balcões ameaçados agora de encerramento encontram-se os da Rua Formosa e o de Abraveses, no concelho de Viseu, e o do Desterro, em Lamego.

É certo que o balcão da Rua Formosa fica a escassas centenas de metros da Agência do Rossio, partilhando o mesmo gerente (é chefiada por uma subgerente), mas serve cerca de 6 mil clientes, dentre os quais a população idosa do centro da cidade, é muito procurada pela celeridade do atendimento e tem um mais fácil acesso para deficientes motores que na agência do Rossio têm de entrar por uma porta lateral.

Já quanto à Agência de Abraveses, é inquestionável que o seu encerramento constituiria um grave atentado contra o direito ao acesso a serviços bancários não só da população da freguesia de Abraveses, com cerca de 9 mil habitantes (já foi Vila), mas também das populações de cinco freguesias do Norte do concelho de Viseu, por ser a agência que lhes está mais próxima, num total superior a 20 mil pessoas.

Igualmente inadmissível seria o encerramento da agência do Desterro, em Lamego, que serve uma população periurbana e rural idosa que, nomeadamente,  ali recebe as suas pensões e reformas, bem como uma comunidade escolar e se situa não muito longe do Hospital, de uma zona industrial e de duas grandes superfícies comerciais.

O Bloco de Esquerda pronunciou-se, desde o início, contra este Plano de Reestruturação negociado com Bruxelas, tendo pedido, inclusivamente, uma audição parlamentar ao ministro das Finanças, em Março de 2017.  

Também a Comissão Distrital de Viseu do BE considera que a CGD, enquanto  banco público (financiado por todos os contribuintes), sendo um sinal da presença e da soberania do Estado, tem responsabilidades acrescidas e a obrigação de chegar onde os bancos privados não chegam, garantindo o acesso das populações aos serviços bancários.

Portugal, e muito em especial, o interior do país, que já tem problemas sérios de despovoamento, precisa de um banco público que esteja ao serviço da economia, financiando o investimento das PME e a criação de emprego.

O prejuízo histórico de 1.859 milhões de euros em 2016, dez vezes maior do que o do ano anterior, é o resultado de décadas de gestão ruinosa de administradores nomeados pelos sucessivos governos (PSD/CDS e PS) que não só validaram a concessão duvidosa de créditos  (como os destinados à aquisição de acções do BCP por Joe Berardo, ou ao GES quando já se sabia das dificuldades do BES em financiar as empresas do Grupo), como deixaram utilizar a Caixa para a resolução política de situações como a do grupo Champalimaud e o BPN, e para mitigar o défice público com a transferência do fundo de pensões em 2011.

O anterior governo do PSD/CDS foi particularmente danoso para a CGD  ao recapitalizá-la de forma insuficiente, em 2012, e ao privatizar o seu sector segurador, a Fidelidade, que em 2015 e 2016 teve lucros na ordem dos 500 milhões de euros.

Se não esquecemos que Passos Coelho defendeu a privatização da CGD, também convirá recordar que foi António Costa que escolheu Paulo Macedo para CEO da CGD, apesar de o ter criticado quando fez cortes cegos no Serviço Nacional de Saúde, enquanto ministro da Saúde do governo da direita.

A Comissão Distrital de Viseu do BE apela à Administração da CGD para reverter a decisão de encerramento dos balcões acima referidos, e ao governo para interceder naquele sentido junto da Administração deste banco público, de forma a não prejudicar ainda mais as  populações desta região do interior. Não nos bastam os discursos de circunstância dos vários órgãos de soberania com juras de amor ao Interior. Fartos de hipocrisia, queremos acções concretas. Mais do que discriminações positivas, exigimos que não nos retirem mais serviços públicos.

Hoje mesmo, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda remeteu perguntas ao governo (ver anexo) sobre o encerramento de cada uma das agências já referenciadas (ainda não se conhece a totalidade dos balcões ameaçados em todo o país).

Viseu, 19 de Junho de 2018

A Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do BLOCO DE ESQUERDA

 

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