Politécnico de Viseu debateu o futuro do planeta “Rumo a uma Economia Circular”. Movecho presente

O colóquio “Rumo a uma Economia Circular” debateu, no passado dia 12 de junho, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, os grandes desafios, mas também as grandes oportunidades, na área da reutilização e reciclagem, com o objetivo de minimizar o impacto ambiental de produtos não biodegradáveis.

Diversos professores do IPV,empresários que já operam na área da economia circular e  representante da CCDRC, clarificaram o conceito : “deixar de pensar em Economia Linear, ou seja, descartar produtos, plásticos, embalagens e outros bens, passando a tratá-los como recursos, assim numa ótica Circular”.

Numa época em que urge reeducar ambientalmente as populações, para acautelar as gerações futuras, foi dado um exemplo marcante como o crescimento populacional exponencial da Ásia (principalmente), aliado a uma população dos Estados Unidos com o maior consumo agregado do mundo face ao PIB (representa mais de 65% da riqueza gerada no país), têm deteriorado o meio ambiente.No meio do Pacífico Norte, existe um gigantesca área, com um acumulado de resíduos de plástico, maior que França. Uma organização ambiental quer inclusive que o território seja reconhecido como país. Um sinal de alerta.E um nome muito famoso já pediu a cidadania. Al Gore, candidato à presidência dos Estados Unidos em 2000 e Prémio Nobel da Paz, é o cidadão nº 1 das Ilhas de Lixo. Outras 100 mil pessoas já assinaram a petição para pedir a cidadania oficial e a campanha já entregou a candidatura às Nações Unidas, para que o Estado das Ilhas de Lixo seja reconhecido como o 196º país do mundo.

A alusão à “ilha de plástico”, numa ligação direta ao consumo de garrafas de plástico, depois descartadas e não reutilizadas (segundo dados estatísticos, o custo da água em garrafas de plástico, por exemplo, é superior em mil vezes à água da torneira), serviu para alertar os presentes para a necessidade de “cada um fazer o seu papel, pois todos temos um contributo a dar, mesmo que pequeno”. “Face a recursos escassos, a população, empresas e Estado, deve encaminhar o lixo para a recolha seletiva, para depois existir reciclagem ou reutilização por parte da indústria, ou seja, potenciar o funcionamento da Economia Circular”. Enfatizou-se que “algo tem que mudar, designadamente uma maior atenção para o design dos produtos”,citando-se o exemplo dos sacos de papel e plástico para o pão, em que neste caso as pessoas ficam sem saber onde o depositar depois de usar e também pensando cada vez mais numa ótica  “colaborativa”. Outro dado estatístico muito interessante foi o desperdício, à escala global, de 1 kg de resíduos sólidos urbanos, em média, por cada habitante. “Estes resíduos devem passar a ser um recurso, apesar das muitas barreiras que existem”, foi uma ideia deixada pelo Vice Presidente do IPV.

“A Movecho é uma empresa verde e eu sou ambientalista, mas não fundamentalista”

Um dos empresários presente no evento, foi o CEO da Movecho, que foi chamado a relatar o caso de sucesso da empresa no âmbito da Economia Circular. Luís Abrantes assumiu que a empresa que dirige “é verde”, e ele próprio “um ambientalista, não fundamentalista”. “A Bioeconomia está muito presente no dia a dia da nossa empresa, e até já fomos premiados (primeiro prémio) por peças de mobiliário feitas em cortiça, em que são usadas como matéria prima rolhas de garrafas desperdiçadas, que depois de trituradas, passam a ser um recurso”, explicou, adiantando que estes produtos têm tido muita procura, principalmente nos países do Centro e Norte da Europa. “A passagem da Economia Linear para a Circular tem que ser um desígnio para a sustentabilidade dos recursos”, acrescentou, revelando ainda que “temos uma charca onde a água depois de tratada na nossa ETAR própria, pode ser reutilizada, por exemplo por Bombeiros para apagar fogos e todos os resíduos de madeira são reutilizados para abastecer a caldeira de aquecimento”.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies