Finalmente vem aí o sol! E vem com força. Proteja-se! Opinião por Joana Carvalho Lopes

O sol traz muitos benefícios para os seres humanos, contribuindo para o bem-estar quer físico como psicológico. Na dose certa, o sol é importante para a síntese de vitaminas e garante um aspeto saudável. Existem os raios UVA, que atingem as camadas mais profundas da pele e os raios UVB que apenas atingem a camada superficial. Sendo que a proteção em dias nublados é tao importante como num dia limpo de Sol, pois as radiações UVB ultrapassam as nuvens.

Os cuidados devem ser realizados antes, durante e depois da exposição solar. Antes, através da utilização de um creme de proteção solar com fator igual ou superior a 30 e sempre com proteção contra UVA e UVB. Durante, permanecer na sombra nos períodos de maior calor, utilizar óculos escuros, chapéus de abas largas, batom hidratante e reforçar o protetor solar de duas em duas horas. Depois da exposição solar, evitar banhos com água muito quente, aplicar creme hidratante e ingerir frutas e legumes. Sendo a hidratação transversal a todos estes tempos.

Desidratação/insolação/queimaduras solares

O verão proporciona dias bastante agradáveis e momentos de lazer e consequentemente uma maior exposição solar. No entanto com exposição a temperaturas altas podem ocorrer vários perigos para a saúde.

A desidratação ocorre quando a reposição de água é inferior ao que o organismo necessita para funcionar em plenitude. Uma das formas mais conhecidas de eliminação de água é através da transpiração, mas o organismo também elimina através da urina, fezes e da própria respiração diariamente e, em casos de doença, não podemos desvalorizar as perdas através das hemorragias, vómitos ou feridas.

A desidratação pode ter vários estádios, leve, moderada ou grave. Quando leve pode causar sintomas como sede, cefaleias, cansaço, sonolência ou tonturas. Posteriormente, na desidratação moderada, a boca e as mucosas secam, há diminuição da produção de urina (ficando esta mais concentrada e com odor), menor elasticidade da pele e a frequência cardíaca aumenta. No extremo temos a desidratação grave em que todos os sintomas se acentuam, sendo esta uma emergência médica. A perda de consciência, desmaio e perturbações na capacidade de memória e concentração são sinais de severidade.

Uma regra a reter é que a quantidade de água eliminada nunca pode ser maior que a quantidade ingerida.

A prevenção é crucial para que tudo isto não ocorra sendo bastante simples de concretizar. A hidratação é conseguida com gestos/passos simples no nosso dia a dia, nomeadamente:

-Hidratação oral, através da água;

-Ingestão de chá, sopa, sumos de fruta ou de vegetais e leite;

-Beber água mesmo que não sinta sede, aumentando a sua

ingestão nos picos de calor;

-Alimentação deve ser fracionada e rica em fruta, produtos hortícolas e hidratos de carbono complexos;

-Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e bebidas com elevado teor de açúcar;

-Evitar a toma de diuréticos;

-O vestuário deve ser leve e confortável.

A insolação é provocada por uma ação direta e prolongada do sol e do calor e a partir de uma temperatura corporal 40º graus pode causar danos irreversíveis nos órgãos vitais, nomeadamente, cérebro, rins e coração.

As causas da insolação devem-se a várias atitudes que expõem o organismo a temperaturas elevadas, como por exemplo, usar excesso de roupa, desidratação, praticar exercício físico exagerado, passar o dia sob o sol sem protetor solar, quer na praia quer no campo. A ingestão de álcool em excesso, o facto de não beber líquidos adequadamente ou simplesmente ter doenças crónicas já são fatores predisponentes para o aparecimento da insolação.

Como sempre a prevenção é a atuação de primeira linha, o uso de protetor solar, de chapéus ou bonés e beber muitos líquidos é fundamental.

As queimaduras provocadas pelo Sol estragam a pele e o seu tratamento é demorado. Aceleram o envelhecimento e podem a longo prazo contribuir para o aparecimento de cancro. O primeiro passo para o seu tratamento é o arrefecimento, através de um banho tépido ou aplicação de panos molhados e posteriormente hidratar. Nalguns casos poderão exigir tratamento médico, não esquecendo que só se consegue avaliar a verdadeira extensão de uma queimadura cerca de 48h após a exposição.

Grupos vulneráveis

A Direção Geral de Saúde alerta que os mais vulneráveis são as crianças nos primeiros anos de vida, os idosos com mais de 65 anos e as pessoas com doenças crónicas.

As crianças dependem dos adultos para se protegerem e manterem seguros, como tal os cuidados inerentes ao sol devem abranger estes pontos:

– Vestir a criança com roupas leves, soltas e de cor clara. Não esquecer o chapéu quando estiverem ao ar livre;

– Dar água com mais frequência e certificar-se de que bebe mais água do que o habitual;

– Evitar a exposição direta ao sol, especialmente entre as 11 e as 17 horas;

– Aplicar protetor solar antes de sair de casa;

– Nunca deixar o bebé/criança dentro de um carro estacionado ou outro local exposto ao sol, mesmo que por pouco tempo;

– Consultar o seu médico se a criança tiver diarreia ou febre e ter especial cuidado com a hidratação;

Pessoas com mais de 65 anos, o calor é especialmente perigoso pois estas podem ter menos perceção nas alterações associadas ao calor/ exposição solar. É frequente não sentirem sede o que leva a uma menor ingestão de líquidos. Como tal, o organismo pode não ter a mesma capacidade para realizar a termorregulação necessária para prevenir os efeitos negativos do calor intenso. Principais cuidados a ter:

-Beber água, mesmo quando não tem sede;

-Permanecer em ambientes frescos ou com ar condicionado;

– Evitar a exposição direta ao sol;

– Usar roupas leves, soltas e de cor clara e a utilização de chapéu e protetor solar;

– No período de maior calor tomar um duche de água tépida;

-Fazer refeições mais leves e comer mais vezes ao dia;

-Evitar a utilização do forno ou de outros aparelhos que aqueçam a casa;

– Ter o contacto de alguém atento e disponível (familiar, amigo, vizinho);

Consultar o médico em caso de doença crónica ou se estiver a fazer uma dieta com pouco sal ou com restrição de líquidos.

Atividades e profissões ao ar livre

O calor está associado a uma maior atividade física, sendo assim para facilitar os movimentos dos exercícios, usa-se menos roupa e consequentemente o corpo fica com uma maior área desprotegida á exposição das radiações do sol, dos efeitos da poluição e raios infravermelhos.

Sendo assim, é fundamental a proteção solar, hidratação e evitar as horas de maior calor para concretizar qualquer atividade física.

Os cuidados são transversais aos referidos anteriormente e não os devemos direcionar apenas a atividades de lazer, mas também a profissões como sejam a construção civil, agricultura e desporto.

Joana Carvalho Lopes

UCC Aristides Sousa Mendes

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