Coluna Opinião. José Lima (PS),Manuel Henriques (CDS/PP) e Tiago Fonseca (JSD)

José Lima Oliveira (PS) :

Reavivar. 

Entre a publicação da anterior edição deste jornal e esta, passamos duas datas históricas e que nos trazem à memória muitas recordações; o 25 de Abril de 1974, e o 01 de Maio de 1974.

Como Era Portugal Antes do 25 de Abril de 1974?

Eramos um país, onde as pessoas não podem tornar publico aquilo que pensavam, um país em que a imprensa, o cinema, o teatro e a literatura estavam sujeitos á censura.

Eramos um país envolvido numa longa guerra com as suas colonias (Angola, Moçambique e Guiné-Bissau), mas que em seu território, os cidadãos não tinham garantia dos seus direitos á Saúde, Educação, Trabalho e Habitação.

Era o país em que nós vivemos.

O que aconteceu no dia 25 de Abril de 1974?

Nesse dia, Militares do MFA, cansados da guerra, e descontentes com o regime ditatorial, revoltaram-se contra o estado, e promoveram uma enorme viragem na história e na vida de todos os Portugueses.

Assim, deu-se a Revolução dos Cravos, e Portugal passou a viver numa democracia, onde a palavra liberdade passou a ter verdadeiro sentido.

Mas o cravo, não foi o único símbolo desta revolução, a transmissão da canção “Grândola Vila Morena”, de José Afonso, pelas 00:20, na Rádio Renascença, serviu de sinal a todos os soldados.

As operações militares estavam em marcha, e a população estava com o MFA, o que foi decisivo para esta grande Vitória!

Passados 44 anos sobre esta data, muitas conquistas e progresso foi conseguido, mas também nem tudo decorre como a constituição defende.

Defende-se muito a presunção da inocência, concordo e defendo acerrimamente. Mas, ao que assistimos hoje em dia, faz-me pensar exatamente naquilo que se dizia antes do 25 de Abril, afinal o sol quando nasce não é para todos. Esta realidade está a tornar-se demasiado frequente, o que é lamentável.

As pessoas hoje não convivem como antigamente, porquê?

A ausência do respeito pelos outros poderá ser um dos fatores. A ausência de valores sociais poderá ser outra.

Estas são algumas da minhas preocupações com aquilo que posso chamar de males colaterais do desenvolvimento.

Comemorou-se no dia 1 de Maio, o dia do trabalhador.

Em Portugal, foi assinalado o 1.º de Maio em 1890, o primeiro ano da sua realização internacional.

Na altura as ações do Dia do Trabalhador limitavam-se a alguns piqueniques de confraternização, com discursos pelo meio, e a algumas romagens aos cemitérios em homenagem aos operários e ativistas caídos na luta pelos seus direitos laborais.

Mesmo no Estado Novo, os portugueses souberam tornear os obstáculos do regime à expressão das liberdades. As greves e as manifestações realizadas em 1962, um ano após o início da guerra colonial em Angola, são provavelmente as mais relevantes e carregadas de simbolismo.

Nesse período, apesar das proibições e da repressão, houve manifestações dos pescadores, dos corticeiros, dos telefonistas, dos bancários, dos trabalhadores da Carris e da CUF. No dia 1 de Maio, em Lisboa, manifestaram-se 100 000 pessoas, no Porto 20 000 e em Setúbal, 5000.

Ficarão como marco indelével na história do operariado português, as revoltas dos assalariados agrícolas dos campos do Alentejo, com o grande impulso no 1.º de Maio de 62.

Mais de 200 mil operários agrícolas, que até então trabalhavam de sol a sol, participaram nas greves realizadas e impuseram aos agrários e ao governo de Salazar a jornada de oito horas de trabalho diário.

Claro que o 1.º de Maio mais extraordinário realizado até hoje, em Portugal, com direito a destaque certo na história, foi o que se realizou oito dias depois do 25 de Abril de 1974.

Era de todo interessante que este dia fosse comemorado por todos com sendo um dia simbólico de todos os trabalhadores sem exceção.

É tempo das confederações sindicais perceberem que em Portugal não existe uma só classe de trabalhadores, por muito respeito que qualquer uma me merece.

Off Record

Mais um caso triste e lamentável no futebol distrital e no nosso concelho.

O SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras identificou cinco jogadores estrangeiros em situação ilegal no GDR de Canas de Senhorim, que se sagrou campeão da Zona Sul da 1ª divisão, tendo sido alvo de buscas domiciliárias, a viaturas e ainda à sede do Clube.

Sem querer tecer qualquer juízo de valor antecipadamente sobre este caso, apraz-me somente referir, que esta é a segunda situação na mesma época, que acontece aos dois principais clubes do nosso concelho.

Permitam-me poder desabafar, para quando este tipo de gestão associativa de afasta das Associações/Clubes.

Uma coisa é gostar-se, e, querer trabalhar para o engrandecimento sustentado com o nosso trabalho, outra, é simplesmente brincar com a história e grandeza de um clube/associação permitindo que este tipo de situações aconteçam, com prejuízos que poderão eventualmente por em causa a sua sobrevivência.

A ser verdade tudo isto, sou apologista, que a justiça faça o seu trabalho e no final se houver culpados, que sejam punidos.

José Lima Oliveira

Pelourinho por Manuel Henriques (CDS/PP)

Eutanásia (Sobre o Dever ético e moral de combater esta ideia)

A rotativa dos temas fraturantes tinha de trazer a eutanásia para uma discussão ruidosa a acontecer no final de maio no Parlamento, sob a forma de propostas legislativas. Acresce aqui que nenhum partido parlamentar tem – no meu entender – um mandato para legislar sobre a Eutanásia! Nenhum partido foi a votos com esta agenda! Se o deputado exerce um mandato em nome do povo esta legitimidade, neste assunto, pode muito bem ser colocada em causa!

Mas do que falamos neste tema? É de humanizar as doenças terminais, evitando tratamentos desnecessários em pessoas agonizantes? Não, porque ninguém em Portugal tem esta posição ortodoxa. E a prática médica, com bom senso e sem ruído, já tem esta abordagem de evitar os tratamentos inúteis e pouco dignificantes.

O que está em causa para os defensores da eutanásia é “privatizar” o bem vida, dando autonomia para que cada um decida se e quando é a melhor altura de morrer. Sucede que o bem vida é o “bem dos bens”. E o tema não precisa sequer de uma abordagem confessional. A grande discussão devia ser como melhorar/possibilitar a um maior número de pessoas cuidados paliativos que aliviem o seu sofrimento. Porque quem pensa morrer…. só o pensa transtornado pelo sofrimento físico. E aqui o estado é o grande ausente. Infelizmente, os cuidados paliativos só estão ao alcance de uns quantos economicamente favorecidos.

Quem se opõe à eutanásia não pretende por isso uma terapêutica a todo custo. Afirmar isto é importante para negar a GRANDE MENTIRA apregoada pelos defensores da eutanásia.

A esquerda parlamentar, capitaneada pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Socialista, pretende dar uma machadada na dignidade da pessoa humana que as nossas leis protegem na própria Constituição. A prosseguirem estas iniciativas vamos pretensamente dar autonomia, a coberto da lei, para as pessoas poderem com o apoio do Estado colocar termo à sua vida. Ter o estado como ajudante na morte é trágico para uma cultura antropocêntrica como a nossa. Na Holanda, pessoas com depressões já legitimam, com esta doença, a possibilidade de colocar termo à vida. É isto que queremos para as nossas vidas e para a nossa vida coletiva?

A esquerda parlamentar foge a um referendo nesta matéria. Pretende impor a atual maioria para uma aprovação quase burocrática. Espero por isso uma “revolta” ética e cívica dos cidadãos contra este laboratório experimentalista! Espero voz firme dos deputados que se opõem a esta intenção hedonista, egoísta e importada. Dos médicos espero que não quebrem o juramento de Hipócrates, e não compactuem com este insulto ético à sua profissão.  Para o nosso eleitorado do círculo de Viseu uma perplexidade: o novo líder do PSD (Rui Rio) – o partido tradicionalmente mais votado nesta circunscrição –  tem uma posição pessoal favorável à eutanásia, e vai dar liberdade de voto parlamentar a quem a queira aprovar. Chocante para um partido com tanto peso no nosso distrito e com tantos votos conservadores. Se os partidos não têm ética, servem para quê? Para mais tarde recordar….

IP3

O Partido Socialista mantem o desfavor à nossa região, prepondo uma solução de intervenção no IP3 que não passa por uma nova autoestrada, mas sim por uma reconversão do traçado existente.  A escolha deveu-se ao facto de ser…a solução mais barata. Além de uma empreitada de “segunda categoria” esperam-nos 4/5 anos de tormenta nas viagens Coimbra/Viseu. A construção de raiz de uma nova autoestrada (a chamada via dos duques) parece abandonada, quebrando-se um consenso existente.

O Ministro Pedro Marques – com o Pelouro informal do “desinvestimento” – irá gastar mais em 2 estações de metro em Lisboa do que no desencravamento rodoviário da nossa região. Depois do cancelamento da barragem de Girabolhos mantem-se o interior centro fora (totalmente) das prioridades de quem nos governa. Elucidativo. Para mais tarde recordar….

“Fluvial”

Coisas boas. O nosso conterrâneo Tito Mouraz continua a destacar-se na área da fotografia. Depois do premiado trabalho “Casa das Sete Senhoras” (que tenho o prazer de ter autografado em casa) com várias distinções internacionais, lançou agora o trabalho “Fluvial” que esteve em exibição no último mês em Lisboa no Módulo – Centro Difusor de Arte. A originalidade do trabalho assenta muito na captação pela sua objetiva de figuras humanas e paisagens, que nos são próximas, e nos transportam às nossas memórias e contradições, sempre numa ligação intensa com a natureza envolvente.

Manuel Alexandre Henriques

Tiago Fonseca (JSD Nelas) :

Atualmente, é cada vez mais comum nos jovens a ideia de que os partidos políticos são todos iguais, que na hora de exercer o direito de voto a escolha do partido não é importante e que a sua opção se centra no característico “tanto faz”, que a esquerda ou direita não têm qualquer conceito subjacente. A responsabilidade por toda esta ausência e desinteresse da comunidade juvenil não pode recair só nos jovens, deve também ser alvo de reflexão séria por parte de todo o sistema democrático, na medida em que as suas políticas não estão centradas nas realidades em que os jovens vivem, não sendo um auxílio na passagem à vida adulta ativa, não criando raízes para o sucesso escolar e posterior inclusão no mercado de trabalho, no apoio ao empreendedorismo e criação de novos métodos ou nos apoios à habitação. Um facto que não pode ser mais ignorado é que os jovens cada vez mais se afastam da vida política e ações sociais e estão a perder o interesse por estas. E nada se faz, a não ser slogans e legendas de campanhas políticas frisando que a juventude é parte fulcral da mudança e considerada como primordial para a democracia, sem que nunca sejamos convidados a participar nela, a intervir com ideias inovadoras que fujam aos conceitos tradicionalmente aplicados.

Mais do que palavras, são necessários atos e uma aposta sem receios. A comunidade juvenil é cada vez mais versátil, ativa e vivaz porém, as políticas de juventude são progressivamente mais inertes e incapazes de responder às suas necessidades e preocupações.

O apoio à participação, a estimulação da capacidade criativa, uma maior envolvência no apoio à inovação, a criação de movimentos associativos (ação política, voluntariado e ação social) – que se mostram como um espaço de ação coletiva com capacidade de desenvolvimento local sendo também uma forma de aproximar os jovens da realidade em que vivem, assim como encontrar soluções que favoreçam a comunidade jovem nos seus contextos sociais e culturais são planos que devem estar presentes no contexto político.

O concelho de Nelas deve assumir-se como um lugar onde as oportunidades acontecem, criando para isso estratégias que permitam o desenvolvimento e inovação, possibilitando aos jovens interagir de forma positiva e motivadora com o Coração do Dão. Não devem ser apenas oportunidades educacionais ou de formação, mas sobretudo oportunidades profissionais locais, num mercado de trabalho que cada vez é mais flexível, mas também instável.

Nesta conjuntura, é importante apoiar o empreendedorismo jovem e proporcionar o primeiro impulso tão necessário para quem inicia a sua vida ativa, de forma a que as ideias que se construem num papel sejam colocadas em prática. Assim, pode ser possível que jovens licenciados e que tenham espírito empreendedor consigam iniciar a sua atividade própria, recorrendo ao interior do país ou mesmo às suas raízes. Para que no futuro seja possível a fixação de jovens no nosso concelho, tem de ser constituída uma rede de criação de emprego, aliada a um sistema educativo capaz de possibilitar uma aprendizagem de excelência essencial nas sociedades desenvolvidas e uma boa qualidade de vida. Uma vez que a concentração de jovens se baseia cada vez mais nos grandes centros urbanos e litoral do país, os apoios à fixação de famílias no interior são cada vez mais imprescindíveis.

O associativismo jovem no nosso concelho é cada vez mais inexistente, assim como a sua participação cívica tem sido cada vez mais reduzida. Não podemos afirmar que os jovens são totalmente desinteressados por ações políticas ou sociais, uma vez que demonstram interesse em desenvolver ações de carater social e que promovam a democracia. Porém, é necessário fortalecer as aptidões para a prática de uma cidadania ativa e responsável, na proteção dos seus direitos e deveres enquanto cidadãos, sensibilizar os jovens para as questões municipais e do poder locar, aproximando-os dos autarcas locais e das gentes do concelho, das suas raízes e dos produtos endógenos, de forma a reforçar o laço emocional com a sua terra.

É necessário encontrar um lote de atividades capazes de motivar e captar cada vez mais pessoas jovens. Nunca negando o apoio aos jovens com talento, fundamentalmente na sua galvanização a nível artístico e às associações desportivas e de lazer que são um atrativo para os jovens e que tão bem representam o nosso concelho.

Tiago Fonseca

JSD Nelas

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