O Brasil nas mãos dos caminhoneiros (camionistas). Opinião por Rosângela Araújo

Dia 16 de maio, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que congrega a maioria dos sindicatos dos motoristas autônomos do Brasil, apresenta ao governo federal um ofício no qual solicita o congelamento do preço do óleo diesel e a abertura das negociações para discutir as reivindicações da categoria.

O pleito é de que, por meio da isenção de tributos, a diminuição do valor do combustível seja de R$ 0,60 a R$ 0,80. O pedido é ignorado. A recusa em negociar foi o estopim para desencadear um movimento paredista com reflexos negativos em todo o país. Vários segmentos afetados. A greve, deflagrada no último dia 21, já causa desabastecimento de combustíveis nos postos, falta de alimentos, restrição no transporte público nas capitais, fechamento temporário de indústrias, suspensão de aulas em escolas e faculdades e até de voos domésticos e internacionais, a exemplo dos que partem para Portugal. Também provoca aumento de preços em gêneros alimentícios que começam a desparecer das prateleiras e centrais de abastecimentos. O principal motivo do protesto é contra a alta de 50% no preço do diesel desde julho do ano passado.

A paralisação dos caminhoneiros empurra o país para o caos. A população começa a entrar em desespero com o temor de ficar sem comida e transporte para se deslocar até o trabalho, hospitais, escolas ou quaisquer outros locais. O medo é compartilhado por usuários dos serviços e pelos trabalhadores responsáveis por oferecerem tais serviços à sociedade. Sem gasolina ou álcool nos postos, não tem como tirar o carro da garagem. Sem diesel, os ônibus diminuíram a frota e ameaçam parar se o abastecimento continuar suspenso. O movimento grevista, o maior desde 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso, mobiliza 500 mil motoristas. É a mais contundente nestes anos. A situação provocada pelos transportistas forçou a Petrobras a reduzir em 10%, por 15 dias, o preço do diesel A proposta do governo não surtiu efeito e as confederações e sindicatos da categoria decidiram manter o movimento paredista. Os apelos do presidente Michel Temer também foram em vão. O que confirma seu enfraquecimento enquanto governante e descrédito diante dos trabalhadores e manifestantes. Ele chegou a pedir uma trégua “de dois ou três dias” para que se chegasse a um consenso. Nada feito.

O quarto dia de greve, nesta quinta-feira, 24, é marcado por intensas mobilizações. Caminhoneiros, com apoio de vários sindicatos, promovem uma série de protestos pelo Brasil e bloqueiam trechos de 270 rodovias federais e estaduais. Frotas estão paradas em diversos pontos. Manifestações são realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito federal, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe. No Recife (PE), a gasolina chegou a 9 reais por litro. O preço alto é decorrente do quase desabastecimento de postos porque os caminhões tanques acabaram impedidos de circular nas rodovias. Na quarta-feira,23, filas imensas se formaram em frente aos postos de combustíveis. Muita gente correu para garantir gasolina ou álcool, temendo ficar com os carros parados. Muitos estabelecimentos acabaram os estoques rapidamente e os consumidores ficaram sem abastecer. Dados da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), confirmam cenários semelhantes no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e o Distrito Federal. Seis aeroportos (São Paulo, Brasília, Recife, Maceió, Palmas e Aracaju) anunciaram que operam no limite mínimo de reabastecimento.

Na esfera judicial, o governo começa a atuar para acabar com a greve. A Advocacia Geral da União ingressou com 26 ações para o desbloqueio de rodovias. Até à noite da quarta, nove delas haviam sido julgadas e determinando a liberação das estradas nos Estados de Minas Gerais, Paraná, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco, Paraíba, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. No entanto, os grevistas continuam resistentes e garantem que vão continuar parados enquanto não houver um posicionamento favorável às suas reivindicações. Enquanto isso, o Brasil desmorona e fica nas mãos dos caminhoneiros para voltar à rotina normal e a população aguarda uma resposta do governo que seja positiva aos grevistas e à sociedade. A elevação do preço dos combustíveis tem indignado toda sociedade brasileira!

Rosângela Araújo

Jornalista Brasileira

Colaboradora CENTRO NOTÍCIAS

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies