O mundo avançou

Por Lisa Sebastião

O mundo avançou. Pastores, pequenos agricultores, leiteiras e pequenos produtores, todos perderam o seu lugar neste grande mundo das indústrias. Regulamentação nacional e europeia levou, desde a entrada de Portugal para a União Europeia, ao abandono gradual das pequenas produções, sendo que agora são poucas as que sobrevivem. Os investimentos obrigatórios e as rigorosas regras impostas fizeram com que o lucro não chegasse para pagar as despesas, as pessoas que nasceram e cresceram a cuidar de animais e a sobreviver das terras rapidamente foram obrigadas a procurar outras formas de rendimento. Possuindo apenas o ensino básico, viram-se obrigadas a arranjar empregos onde ganham o ordenado mínimo, às vezes menos, para sustentarem as suas famílias. Mas a questão é: o que fazer com o que ficou abandonado nas zonas desertas do interior?

O investimento nestas infraestruturas é escusado, pequenas indústrias não lucram, os negócios de família tradicionais, mesmo com exportação, não são sustentáveis, pelo menos na área da produção. A solução? É a mesma que deu uma nova vida a todas as grandes cidades portuguesas: turismo. Turismo regional onde se aproveitam os recursos naturais, as maravilhosas paisagens que mal conhecem a mão do homem, as antigas casas de xisto, as lagoas abandonadas e os rios onde antes se lavava a roupa, e que agora, nem gente veem. Com investimento em infraestruturas como casas e restaurantes, poder- se-ia dar uma nova vida a algumas regiões e torná-las, com a promoção certa, num must do turismo europeu. Mas o país é longo, o que fazer nas restantes zonas? Aquilo que já se faz, mas de uma forma mais inteligente: aproveitar a proximidade com Espanha para criar zonas focadas na industrialização e na exportação; desenvolver as cidades pequenas do interior com uma injeção de fundos para criar empresas ligadas às tecnologias do futuro. E ainda, investir na indústria agrícola, recuperar o que um dia já foi o ponto mais forte do nosso país. Portugal importava em 2016 anualmente 500 milhões de euros de produtos lácteos, 300 milhões dos quais em queijo e iogurtes, mantendo atualmente valores aproximados. Com políticas de valorização dos produtos nacionais poderíamos reduzir as taxas de importação destes e de outros produtos, aumentando ainda as taxas de exportação.

Podemos concluir que não faltam possibilidades, faltam sim fundos e uma boa negociação com a União Europeia, para elevar as qualidades que Portugal tem e torná-las em lucro.

(Este texto resulta de um trabalho elaborado no âmbito da unidade curricular de Pragmática da Comunicação, do 3o ano do curso de Comunicação Social, lecionado por Maria João Macário)

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