Cuidado, vêm aí as alergias. Saiba como proteger-se

A primavera pode ser um martírio para quem tem rinite alérgica ou asma. É nesta altura que a polinização está em alta e provoca as maiores dores de cabeça. Mas não tem que ser assim.

O pico de polinização das plantas e flores acontece nesta altura e traz problemas a “25% dos portugueses que se queixam de rinite” e aos “700 a 800 mil asmáticos”, segundo Pedro Martins, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica. “Há outras alturas do ano em que também encontramos valores altos de pólen, mas a primavera é, sem dúvida, a altura com maior incidência”.

As espécies que mais provocam alergias em Portugal são as gramíneas, uma grande quantidade de plantas com flor cuja reação alérgica se costuma designar de “febre dos fenos”, a parietária, que é planta muito comum em fissuras de rochas, paredes velhas e muros e a oliveira, a árvore que tem o tipo de pólen mais alergénico.

O que acontece no nosso corpo?

Em pessoas alérgicas ao pólen, esta época do ano torna-se mais problemática, pois em cada contacto com estes agentes que se encontram muito concentrados na atmosfera, o organismo como que explode numa resposta exagerada, tentando combater a agressão, espirrando, tossindo, obstruindo as vias aéreas (o que leva à falta de ar), coçando e produzindo secreções. Ao contrário do que geralmente se pensa, na alergia existem defesas a mais e não falta das mesmas.

Alergias e a sua diversidade

Além de ser possível herdar geneticamente as alergias, são muitos os fatores externos que as provocam, os chamados alergénios. Nada mais, nada menos, do que partículas que podem ser transportadas pelo ar. Além do pólen das árvores e dos pelos dos animais, as habitações também podem constituir uma causa para as alergias, através do bolor e dos ácaros (os chamados alergénios interiores).

Os ácaros são seres vivos que habitam em locais empoeirados ou húmidos como carpetes, cama, sofás, tapetes, cortinas e alimentam-se da pele humana que descama naturalmente todos os dias, mesmo sem nos apercebermos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a alergia aos ácaros é uma das doenças mais comuns do mundo.

Com menor preponderância também existem alergias a alimentos, medicamentos, produtos de cosmética, roupa, insetos, poeiras, etc,…

No controlo está o ganho

No que respeita às alergias respiratórias, os números falam por si. “A alergia afeta mais de 150 milhões de pessoas na Europa. De acordo com especialistas, uma em cada três crianças é alérgica e estima-se que, dentro de 10 anos, a doença afete mais de 50% de todos os europeus”, segundo a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).

A melhor forma de controlar a alergia é seguir as recomendações do médico que, normalmente, passam por um spray nasal e um anti-histamínico. Mas há recomendações ambientais a seguir como forma de minimizar a exposição à fonte alérgica.

O tratamento, que se divide em várias abordagens, baseia-se primeiro num diagnóstico bem estabelecido. A melhor forma de prevenir e/ou controlar as alergias, passa por:

– Educar o utente e a sua família.

– Evitar fatores de agravamento, como seja, por exemplo, a redução da exposição aos alergénios ou a limitação da exposição a poluentes, com destaque para o fumo do tabaco.

– Planear a terapêutica preventiva ou de controlo sintomático, recorrendo a medicamentos anti-inflamatórios por períodos mais ou menos prolongados, nomeadamente com recurso a corticoides inalados, permitindo o controlo sintomático e funcional destas doenças.

Conselhos para quem tem as doenças alérgicas mais comuns (rinite e asma)

– Mantenha as janelas fechadas sempre que viajar de carro

– Se anda de moto utilize um capacete integral

– Em casa deve manter as janelas fechadas quando a concentração de pólen é maior (entre as 7h e as 22h)

– À noite, quando se despir, deixe a roupa que utilizou durante o dia numa divisão diferente daquela onde vai dormir

– Use óculos escuros sempre que estiver na rua durante o dia

– O início da noite é a melhor altura para fazer exercício físico ao ar livre

– Escolha o exercício adequado. Exceto quando está sob uma reação asmática, é bom praticar desporto para melhorar a resistência do organismo. A natação é uma boa opção.

Enfermeira Joana Carvalho Lopes tendo como fonte : REVISTA VISÃO

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