Opinião Política (Nelas). José Lima (PS), Manuel Henriques (CDS) e Autarcas do PSD

José Lima (PS)

Reavivar.

O concelho de Nelas e o nosso mundo português.

O nosso concelho, na rota de grandes eventos com presenças significativas de membros do Governo e outros ilustres.

Morto por caçar com cão e por caçar com gato, mas o que é certo e lá diz a sabedoria popular “Quem não é visto não é lembrado”.

Assim sendo, e eu, prefiro seguir por esta rota, congratulo-me por se conseguir trazer até nós pessoas/entidades, que de alguma forma publicitam o nosso concelho e nos trazem a ideia de que estamos no bom caminho.

Daí saudar a visita do Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, recebido no dia 9 de março, pelos Alunos do Clube de Teatro e do Clube de Música da escola EB 2,3 Fortunato de Almeida de Nelas na abertura das Jornadas “Ler o Mundo no Séc. XXI: Impressões e desafios” no âmbito da Festa Literária de Nelas.

CER – Cuidar e Receber Projeto de Informação e Apoio aos Cuidadores Informais, está a decorrer por todo o concelho ações de informação, sobre o direito dos cuidadores de pessoas.

Congratulo-me com esta ação de informação e que tem o apoio do Serviço Municipal de Apoio à Economia Social, Unidade de Cuidados na Comunidade, CDSS de Viseu e GNR.

As diversas vidas.

Parte 1 -> Vi com particular atenção o congresso do partido que quer ser o maior partido do centro mais à direita do espetro político português, algo que acho legítimo, mas que me deu algum sentimento de indignação e ao mesmo tempo de divertimento.

Na Assembleia da República, dispararam em todas as direções, qual show off dantesco, mas o que mais me fascinou, foi a indignação contra a precaridade laboral. Fiquei como é óbvio estupefacto com tamanha indignação, e, até pensei que fosse algum deputado das esquerdas unidas que estivesse a usar da palavra. Confusão minha, ou até poderia acontecer estar a ver/ouvir mal pelo que marquei logo uma consulta médica para verificar alguma irregularidade.

O que é certo é que as sondagens, esse barómetro que vale o que vale continua a dar mais do mesmo, ou seja, o quinto maior partido português, sugestivo!

Mas pode ser que com a criação de outro canal de televisão consigam mais alguma percentagem adicional.

Parte 2 -> Problemas na consolidação da estratégia/liderança do partido que pode estar em vias de ser ultrapassado breve. O novo Presidente está com graves problemas de afirmação e controlo dos diversos agrupamentos, aquele senhor que depois teve de se demitir foi um grave erro de casting, siga. Vamos ver no que vai dar.

Parte 3 -> Quer se queira, quer não, algo que é claro para todos, é que, o PS está a caminho de uma maioria.

Se é justo? É, sim senhor.

Se deve? Não, o mérito não é só dele, mas sim de toda a coligação que governa, além de que, penso que as maiorias são em certos espectros são ditatoriais. Por isso nunca.

Parte 4 -> Temos para 2018 perspetivas de grandes mexidas na legislação laboral.

  1. Pôr fim à caducidade da contratação coletiva, limitar a rotatividade dos contratos a termo, acabar com falsos recibos verdes, repor a lei dos despedimentos e o valor das indemnizações vão ser temas lançados para a mesa da Concertação Social. O braço-de-ferro entre governo, patrões e sindicatos promete ser duro.

Off Record

S.L. e Nelas impedido de jogar por dividas à A.F. de Viseu.

Penso ter hipotecado a possibilidade de discutir o 1º Lugar da Série Sul da 1ª Divisão Distrital. Lamento, como óbvio tal acontecimento, mas simultaneamente penso que:

  1. Os regulamentos devem ser cumpridos, seja para quem for e isso é obrigação da A.F. de Viseu fazer com que isso aconteça.
  2. Os dirigentes dos clubes tem de começar a perceber que as direções não são trampolins para se atingirem objetivos que não os que consignam os estatutos dos clubes, e que não podem viver acima das suas possibilidades. Lamentavelmente não é isso que vemos.
  3. Os Municípios devem ser também supervisores e não somente subsidiadores das associações para que situações iguais estas e outros bem mais gravosas e que já se viveram não se voltem a repetir.

Fica a ideia.

Crise na Covercar.

Não será indiferente para ninguém, de que, com a retoma da economia e consequente afastamento da crise económica, as empresas também retomassem e aumentassem a sua capacidade produtiva.

Com todas estas boas perspetivas, esquecemo-nos de que sob o ponto de vista da empregabilidade toda esta envolvência tinha o seu lado positivo e o negativo.

No caso Covercar ele revelou-se, falta de mão-de-obra especializada obriga a deslocalizar a produção. E agora;

Como justificar o investimento numa estrutura moderna com os apoios estatais que estiveram envolvidos?

Como ressarcir o erário publico destes investimentos?

As pessoas que que terminaram o seu contrato com a empresa que futuro terão?

É certo que com a falta de mão-de-obra especializada, haverá outras empresas que aproveitarão esta oportunidade.

A ver vamos.

José Lima Oliveira

Manuel Henriques (CDS/PP)

Terrenos da Ex-CPFE

Na última Assembleia Municipal (28 de fevereiro) questionou o CDS-PP o Presidente da Câmara Municipal sobre a anunciada, mas ainda não concretizada, aquisição dos terrenos da ex-CPFE cujo fito é a criação de uma “zona de acolhimento empresarial”. Relembrando os factos: A compra destes terrenos foi anunciada em setembro, em plena campanha eleitoral, pelo Partido Socialista, como um facto totalmente concretizado (o que se revelou falso). O impacto desta notícia no “jogo eleitoral” foi grande. Em Canas de Senhorim e na Lapa do Lobo…. Enorme! Relembro que na altura o Presidente Borges da Silva encetou esta ação de propaganda sem um mandato da Câmara Municipal (porque há um executivo ….não se governa sozinho).  Diz-nos agora o executivo municipal que o negócio ainda não avançou porque se verificam problemas ambientais graves. Que o solo está contaminado. E que podem resultar coimas graves, em matéria ambiental, se nada for feito. Problemas estes mais do que conhecidos em setembro. Vale tudo em política? Porque se omitiram estes problemas? Quem defende o interesse do Município de Nelas?  Fazer anúncios – manipulando a campanha eleitoral – sem ter condições técnicas (ambientais) e financeiras para o fazer é um ato irresponsável e que não pode passar politicamente impune. Quem pretendeu beneficiar da politica de promessas fáceis deve arcar também com a cobrança dos cidadãos. Cada dia que passa sem estes terrenos estarem escriturados e na propriedade do Município de Nelas é uma machadada na democracia local e na confiança dos cidadãos. Se os terrenos estavam comprados e a escritura no inicio de abril de 2018 não está feita…alguém mentiu.

A proprietária dos terrenos (Caixa Geral de Depósitos) está hoje numa posição invejável: pode impor as condições que bem entender neste negócio – inclusivamente em matéria ambiental – pois a Câmara Municipal fez o favor de se colocar numa posição diminuída nesta situação. Foi defendido o interesse do concelho? Os factos falam por si. Pela história que a EX-CPFE tem no concelho cumprir esta promessa eleitoral é imperioso. Amanhã já é tarde.

P.S – A placa da foto já caiu!

COVERCAR

Nas últimas semanas a notícia (alarmante) de que a COVERCAR, empresa com história no concelho e agora instalada na Zona Industrial da Ribeirinha podia estar em processo de deslocalização parcial para Marrocos (de 70% da sua produção) causou notório alarme na população, particularmente devido aos postos de trabalho ameaçados. Pessoalmente, e sobre a empresa, nada posso dizer sobre a sua estratégia empresarial (desconheço se acertada ou não). Posso, contudo, duvidar se o interesse do concelho estará a ser devidamente defendido por quem o deve fazer. O Município de Nelas “despejou” centenas de milhares de euros nas terraplanagens para a instalação desta empresa na Ribeirinha há poucos meses atrás. Até de forma irregular, sem concurso público, levantando as maiores suspeições. Não quero acreditar que o Município entrasse nisto sem um contrato de investimento claro e garantias mínimas relativamente às operações desta empresa no concelho.

Como as notícias sobre a deslocalização parcial da COVERCAR existiram está a faltar um esclarecimento da Câmara Municipal sobre o assunto. O respeito pelo dinheiro dos cidadãos assim o exige. E com frontalidade digo mais: espero que a proximidade desta empresa com certos gabinetes de advocacia do concelho não seja a razão para o sepulcral silêncio. Porque como diz o ditado “À mulher de César não basta ser honesta, deve também parecer”. Não se pode defender o interesse público e privado em simultâneo. Contorcionismo legal e truques sobre representação e mandatos legais não resolvem o que não tem solução. Dos eleitos espera-se transparência. Escrutínio permanente porque a democracia não é um jogo que se jogue apenas de 4 em 4 anos.

Manuel Alexandre Henriques

AUTARCAS do PSD em Nelas :

Novo mandato, vícios antigos

Francisco Sá Carneiro costumava dizer aos seus ministros que tinham seis meses para se desculparem com os seus antecessores. Findo esse tempo, a responsabilidade era dos próprios. O Partido Socialista de Nelas reinventou o conceito desculpando-se já no decorrer do seu segundo mandato com os antecessores de 2013. Passados 5 anos e duas eleições autárquicas realizadas, persiste o vício antigo da desculpa empurrada para os outros.

Em 2013 Borges da Silva conquistou o poder clamando e vociferando até à exaustão sobre dois temas da sua eleição para suscitar a indignação dos Munícipes: a dívida do executivo de então, na ordem dos 14,5 milhões de euros, que ia roubar o futuro dos filhos da terra e conduzir à ingovernabilidade da Câmara por 20 anos, e o gasto desmesurado com salários políticos. Nas últimas eleições, o PS voltou a pendurar-se na bandeira da fobia aos empréstimos, ao endividamento, propagandeou o saneamento das contas da autarquia e assim ganhou as eleições e, por isso, se encontra no presente mandato legitimado por uma maioria inequívoca e à qual deve a respeitabilidade de continuar o trilho, porque as anteriores alternativas o povo, na sua soberania, já as julgou.

Hoje, a dívida da Câmara ascende aos mesmos 14,5 milhões de euros e, brevemente, é expectável que ascenda a cerca de 17 milhões de euros. As contas são fáceis de fazer: aos 9,5 milhões de euros de dívida de médio e longo prazo, acrescem 1,7 milhões de euros de dívida de curto prazo a fornecedores e outros credores (dados oficiais da autarquia: a dívida bancária total ascendia, em 31 de dezembro de 2017, a 11,2 milhões de euros), e os 3,3 milhões de euros dos empréstimos contratualizados recentemente. Total: 14,5 milhões de euros. Mas o endividamento não vai infelizmente ficar por aqui. Tendo em consideração a obrigatoriedade a que o Município está sujeito no âmbito do financiamento da Componente Nacional de outras obras cofinanciadas às quais se candidatou, faltam ainda assegurar cerca de 2,3 milhões de euros do montante total necessário. Resumindo, a enorme dívida atual pode brevemente ascender a cerca de 17 milhões de euros!

Tempo e condições favoráveis não faltaram ao anterior executivo do Partido Socialista liderado por Borges da Silva para cativar verbas que pudessem evitar os elevadíssimos valores envolvidos com os empréstimos e os pesadíssimos encargos que lhe subjazem. Borges da Silva dispôs no 1º mandato de 7,5 milhões de euros de “receita extraordinária” (3,5 milhões de euros a mais de IMI que recebeu e 4 milhões de euros a menos em pagamento de vencimentos e salários). Não o fez, nem o quis fazer. Em vez disso, gastou 2 milhões de euros em avenças e prestação de serviços, e mais de 1,5 milhões de euros em festas e seminários, entre muitas outras despesas de duvidoso benefício para o Município. E faltou à verdade nas garantias dadas aquando da apresentação das candidaturas ou mesmo há bem pouco tempo, quando em plena Assembleia Municipal, realizada em 18 de agosto, dizia que “a situação financeira da Câmara, em termos financeiros, é excelente e deixa-nos sem qualquer temor”, acrescentando que “mesmo que a Câmara não contrate empréstimo nenhum, a Câmara tem para acompanhar estes financiamentos comunitários”.

Mesmo durante o atual mandato o poderia fazer. Em vez disso, e uma vez mais fazendo o contrário do que duramente criticava no passado, vangloriando-se disso mesmo na última campanha, com o honrar da palavra dada: “redução de pessoal político e gerir a Câmara só com 2 vereadores sem gabinetes”, no início deste mandato duplicou o elenco político do executivo, com custos anuais superiores a 250 mil euros. Mas também aumentaram os custos com a continuação de políticas erradas, de duplicação de serviços, aquisições excessivas de bens e serviços, incontáveis estudos, pareceres, projetos e consultadoria, inúmeros trabalhos especializados, que em conjunto representam um crescimento das despesas correntes de mais de 1 milhão e duzentos mil euros.

Mais uma vez se demonstra que diminuindo significativamente o montante destas rubricas haveria outro caminho a percorrer sem ser o de recorrer aos valores dos empréstimos na sua totalidade.

Bem prega Frei Tomás…

E não é necessário que quem de nós discorde sinta a vontade de o fazer ofendendo e “gritando”, em registo no mínimo deselegante. Não é preciso falar alto para se fazer ouvir. Não há hipocrisia alguma quando se diz que se concorda com projetos do saneamento e do Centro 2020, mas se discorda na forma como o executivo não se preparou para os concretizar. E é esta a essência do muito que nos separa nesta matéria.

O que infelizmente vai ficar é uma dívida projetada para 20 anos, para ser paga por todos nós, hipotecando seriamente a sustentabilidade e a autonomia das gerações futuras. Uma geração que tem um ritmo de crescimento cada vez mais lento, em virtude da baixa natalidade e da desertificação do interior, justificando a seriedade de ambas as situações, por si só, a concentração de políticas locais e centrais urgentes e inadiáveis.

Os constrangimentos financeiros vão também condicionar no presente e no futuro a resolução de muitos assuntos em áreas estruturantes de coesão, desenvolvimento e progresso económico e social.

Passados que estão seis meses de governação, de segundo mandato, reforçamos, o executivo de Borges da Silva persiste em agravar os erros do 1º mandato, por um lado aumentando as despesas correntes e continuando a fazer duplicação de serviços e avenças; por outro, implementando medidas que antes criticava, nomeadamente na formação de um executivo extraordinariamente dispendioso e na contratualização de empréstimos assustadores para o bem estar e desenvolvimento de todos nós.

Uma mão cheia de incumprimento e outra de pesada herança geracional!

Autarcas Social Democratas do Concelho de Nelas

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