Viseu : Vereadores do PS propõem “Plataforma de Criatividade” e “Lojas com História”

Notas de Imprensa dos Vereadores do PS na Câmara Municipal de Viseu

Em consonância com o processo que ocorreu em Portugal, e em particular nas cidades médias, há muito que Viseu deixou de ser uma “cidade fechada do interior”. Para além dos efeitos da globalização e das novas tendências da sociedade atual, muito contribuíram a urbanização do espaço, os equipamentos públicos e comerciais, o crescimento populacional, a qualificação da população, o ensino superior e a promoção de eventos de animação urbana, essencialmente promovidos ou financiados pela autarquia. O Teatro Viriato e alguns movimentos associativos e cooperativos têm sido igualmente relevantes para um maior dinamismo cultural na cidade.

A cidade de Viseu é hoje uma cidade já com alguma programação e manifestação cultural estruturada, realizando-se alguns eventos artístico-culturais anuais marcantes.

Paralelamente, para os vereadores do PS as políticas imateriais, que estão em voga um pouco por todas as cidades nacionais, em Viseu foram muito hiperbolizadas, numa dinâmica muito centralizada pela própria gestão da cidade e, porventura, dos seus interesses políticos “imediatos”. Assiste-se hoje a uma projeção expressiva da cidade, com uma política de marketing territorial muito intensa e profissional, criou-se a “máquina” ‘Viseu Marca’, modernizam-se eventos tradicionais, de que a Feira de São Mateus é o exemplo maior, criam-se eventos de animação urbana, sublinham-se produtos (essencialmente o Vinho do Dão), marcam-se os anos, criam-se “momentos” e organizam-se cerimónias, há uma forte divulgação nas redes sociais e nos meios de comunicação.

A Cidade não se tornará uma cidade criativa pelo simples facto de ocorrerem eventos de animação urbana ou mesmo manifestações artístico-culturais, para além da torrente de marketing territorial.

Na Cidade, há “ilhas” institucionais de excelência para a formação, a produção e a criação cultural, como o Conservatório Regional de Música e a Companhia Paulo Ribeiro, com um pendor mais formal e erudito. Porém, no plano basilar da criação artística informal, livre, grupal ou individual e dirigida às múltiplas áreas artísticas, na cidade de Viseu verifica-se uma carência significativa de apoios, estruturas e espaços coletivos multidisciplinares de partilha como já acontece em diversas cidades médias nacionais.

A jusante, nestas cidades tende a emergir uma forte correlação entre criação artístico-cultural, a criatividade e a inovação económica, com reflexos evidentes no surgimento de indústrias de base criativa, muitas na área tecnológica.

Para os vereadores do PS os territórios, as cidades atrativas e competitivas nos tempos atuais, têm de ser inovadoras e muito criativas. A Cidade Criativa tem de ser um lugar de inspiração para todos os que a refletem, estudam, criam, empreendem, trabalham e nela vivem. Para induzir e atrair uma “classe criativa”, as cidades têm que disponibilizar um ambiente cultural e social orgânico, dinâmico e de abertura à diversidade.

Na última reunião de câmara, em nome dos vereadores do PS, Pedro Baila Antunes propôs o desenvolvimento de uma “Plataforma de Criatividade” (designações em aberto), constituída por duas valências/dinâmicas fortemente articuladas:

  • “Laboratório de Criatividade”. Espaço multivalente, dedicado à criação, promoção e difusão artística, na área das artes visuais, cénicas-performativas, musicais e de outras expressões artísticas.
  • “Fábrica de Criatividade”. Incubadora de empresas de base criativa, associada ao mesmo edificado, partilhando alguns serviços e espaços.

Na “Plataforma de Criatividade” a artistas locais, a residências de artistas nacionais e internacionais, a empreendedores, a associações locais e para apoio dos eventos culturais realizados no município, será disponibilizado, por períodos temporários, um espaço transdisciplinar e multivalente, com ateliers, gabinetes, sala de ensaio, box, palco de representação, área de galeria, área comercial, etc.

Pretende-se que este lugar de encontro, de efervescência e convergência criativa, beneficiando de competências de vários parceiros, fertilizará o processo criativo de pesquisa, ensaio, oficina, produção, apresentação e mostra informal dos artistas, certamente com reflexos significativos na pulsão criativa de toda a comunidade.

A Câmara Municipal de Viseu disponibilizará instalações, infraestruturas e equipamentos básicos, logística e alguns serviços de apoio. Próximo do centro histórico, podem ser referenciadas duas edificações de arquitetura industrial devolutas com grandes potencialidades para o efeito: p.e. as antigas instalações da Renault Viseu na rua João e Mendes; as antigas instalações da metalurgia Francisco Gonçalves na rua José Branquinho.

A conceção e o modelo de exploração deste conjunto “laboratório-fábrica de criatividade”, proposto pelos vereadores do PS, terão de ser apurados em concertação com os diversos agentes locais e regionais interessados.

Uma estrutura desta natureza poderá igualmente disponibilizar equipamentos de luz, áudio, etc. e prestar igualmente apoio logístico aos agentes/associações culturais locais.

A proposta não foi aprovada, tendo os votos contra dos vereadores do PSD. Os vereadores do PS na CMV desejam ainda assim que rapidamente a o Executivo Municipal implemente uma estratégia que vise promover a criação artístico-cultural e a criatividade na Cidade.

Proposta para “Lojas com História”

Viseu é historicamente uma cidade de comercio tradicional de proximidade. Na rua Direita, na rua Dr. Luís Ferreira (rua do Comércio), na rua Formosa e em tantas outras do centro da Cidade, os viseenses recordam-se de lojas históricas emblemáticas, com uma atividade e arquitetura comercial marcante e uma patine característica, que marcaram indelevelmente o “Comércio de Viseu”, reconhecido regional e nacionalmente.

Nas últimas duas décadas, num fenómeno global, a atividade comercial desviou-se expressivamente para as grandes superfícies e para as lojas online.

É assim vital contribuir para revitalizar a forte tradição comercial da cidade de Viseu, preservando e salvaguardando os estabelecimentos e o seu património material, histórico e cultural, e por outro lado, dinamizando e recativando a atividade comercial e o movimento de rua, essencial para a sua existência.

Outras cidades nacionais, que têm revitalizado o comércio de proximidade e o movimento de rua no centro da cidade, “pensam” da mesma forma e têm concretizado projetos interessantes, em termos de planeamento urbano e elementos arquitetónicos, património cultural e atividades económicas, incluindo a reabilitação de espaços comerciais tradicionais.

Exemplares a este nível são as cidades do Porto e Lisboa, e os seus projetos “Porto de Tradição” e “Lojas com História”, respetivamente, similar ao projeto – “Lojas com História” – apresentado na última reunião de câmara por José Pedro Gomes, em nome dos vereadores do Partido Socialista.

O projeto proposto pelos vereadores do PS visa contribuir para reassumir o comércio de proximidade como marca diferenciadora de cidade e, simultaneamente, promover atividade económica comercial geradora de emprego.

Numa fase inicial deve ser realizado um processo de caracterização, mapeamento e definição de critérios para uma classificação de “Lojas Com História”, de acordo com elementos urbanísticos, patrimoniais, culturais e económicos. Seguidamente deverá ser realizado um levantamento de todas as “Lojas Com História” existentes na Cidade, nos termos dos critérios definidos. Segue-se o desenho e aplicação de uma marca ativa e identitária de comércio da cidade, a partir da qual diversos conteúdos devem ser produzidos, nomeadamente um guia, atividades conjuntas das lojas, coleções de produtos, prémios, bem como um conjunto de benefícios associados, isenções e outras medidas especiais.

Para a conceção e implementação do projeto “Lojas com História” (designação em aberto), os vereadores do PS na CMV propuseram a criação de um grupo de trabalho que inclua a participação da Associação Comercial do Distrito de Viseu.

O projeto não foi aprovado, tendo os votos contra dos vereadores do PSD. Os vereadores do PS na CMV desejam ainda assim que surja algo que cumpra os princípios e objetivos inerentes ao projeto “Lojas com História” no âmbito do Plano de Ação Viseu Património 2016-2024.

Este portal utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização Saiba mais sobre privacidade e cookies