FLL apresenta o traço do “Argonauta” André Gomes. Programa Gap Year levou-o à Asia

Integralmente composta por desenhos, como enfatizou a Curadora Cultural da Fundação Lapa do Lobo (Mariana Torres), teve lugar na passada Sexta Feira, 20 de Abril, a apresentação da  exposição do Gapper André Gomes, batizada de Argonauta (inspiração num programa da RTP).

O jovem estudante de Pintura na Faculdade de Belas Artes do Porto, natural de Arouca, fez-se acompanhar do seu pai e mãe, marcando assim presença no evento de inauguração da exposição dos desenhos que fez durante a sua viagem. André Gomes, como revelou o presidente da FLL, Carlos Torres, tinha sido repescado no Gap Year de 2016 , dado que “não resisti nesse ano a financiar mais um viajante.A ideia era muito boa, como a qualidade dos seus desenhos”.

“O enorme talento do André está aqui à vista de todos”, enalteceu Mariana Torres, que confessou a sua “grande dificuldade” em fazer uma seleção para a exposição, dada a quantidade e qualidade dos desenhos, livros e agendas,que produziu no relato da sua “experiência e vivência” de seis meses pela Ásia. Também o presidente da FLL, visivelmente fascinado com o trabalho do artista, deixou um conselho : “Seria um crime desperdiçar tanto talento”.

André Gomes, que proferiu algumas palavras antes da abertura da exposição, tendo estado também à conversa connosco no final, começou por frisar que “o GAP Year mudou a minha vida. O legado do meu pai, no grande fascínio por viajar que me incutiu e a oportunidade dada pelo Carlos Torres, tornaram a minha vida mais rica”. Andou sozinho pela Índia (Goa incluída), Sri Lanka, Nepal e finalmente Irão, país e civilização que constituiu uma surpresa muito positiva e estava fora do programa inicial. “O choque mais positivo foi com o Irão, que além de ser um povo muito hospitaleiro, foi para mim uma grande fonte inspiradora, com as formas e geometria Persas”, enfatizou. Foram seis meses de profunda reinvenção, com experiências e momentos únicos, onde, como o programa obriga, fez dois meses de voluntariado. Instado a falar sobre o desafio de viajar sozinho, num autêntica odisseia,foi claro : “Não estava totalmente preparado, reconheço, mas eu gosto de estar sozinho – é uma caraterística de personalidade”. “Desta forma tive maior liberdade para conhecer o que queria, lidar com essa arbitrariedade foi muito bom para mim”, assume. Dificuldades e obstáculos, não sentiu “nada de especial”, ou seja “não fui privado de nenhuma das necessidades básicas, como comer e dormir”, nem mesmo no período do ramadão, que estava em vigor quando permaneceu em território Iraniano.”Têm muita consideração pelos turistas – pagávamos as refeições e para comer encaminhavam-nos para as cozinhas”, explica-nos. Aponta apenas alguns imprevistos em termos de alojamento, pois chegou a dormir em cabanas.

O período de voluntariado marcou indelevelmente a viagem, principalmente o passado em Tamil Nadu (Sul da Índia), um local “paradisíaco”, onde de manhã ficava na criação de coelhos, que sustentava a alimentação da comunidade e pela tarde ia buscar crianças para lhes ensinar Inglês numa instituição.André foi o segundo voluntário que a comunidade teve até hoje, o que representa um motivo adicional para regressar. “Ali irei voltar,pois criei laços profundos com a comunidade”, diz. No mês passado no Nepal, andou pelos Himalaias, a fazer um trabalho de inventariação da situação e necessidades das crianças em diversas aldeias, ensinando também Inglês, o que lhes poderá “proporcionar um futuro diferente”.

Nos seus diários gráficos, registou a imortalidade desta viagem, dos seus locais,das suas gentes. Desde gastronomia, templos e monumentos, cultos e tradições, paisagens naturais,crianças,muitas crianças, tudo é representado no seu universo gráfico, com um traço forte e peculiar, que torna obrigatória a visita a esta exposição na Fundação Lapa do Lobo.

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