Dia Mundial da Terra. Um caso de sucesso de “apelo da terra”

Investigadora admite vir a viver da produção de frutas e assim evitar o abandono dos terrenos

É doutorada em Biologia e exerce investigação em Engenharia Biomédica na Universidade do Porto, mas essas circunstâncias não demovem Carla Cunha de um dia viver apenas da agricultura. Por agora, prepara simplesmente a mudança. O clique aconteceu quando recebeu um prémio. O apego à terra tem conduzido o sonho de não deixar cair no abandono os terrenos da família, em Paredes. Para os revitalizar, decidiu, juntamente com o marido, investigador formado em Engenharia Agrónoma, começar com uma plantação de kiwis, de dois hectares, que deverá proporcionar no próximo outubro a primeira colheita “profissional”. “Sozinha nunca me teria aventurado. É preciso força física e outro tipo de força. Isso na agricultura não pode ser descurado”, observa Carla Cunha. Entretanto, candidatou-se à Academia do Centro de Frutologia Compal, que atribui bolsas de instalação para fruticultores, tendo sido um dos três vencedores na última edição. Do mérito resultou a atribuição de uma bolsa no valor de 20 mil euros. “Isto foi o início de uma atividade mais séria e a agricultura pode deixar de ser um part-time, para ser um investimento mais concreto. O prémio significou o ponto de viragem na nossa exploração”, prosseguiu. Com o acréscimo financeiro proporcionado pelo prémio, que representa metade do investimento total previsto, Carla Cunha prepara a expansão do projeto. A ideia é agora apostar no cultivo adicional de marmelos e dióspiros, embora tenha de esperar mais dois ou três anos até ver o retorno do investimento. As novas plantações deverão ocupar 4,5 hectares, junto dos kiwis, tudo em Paredes, na propriedade familiar. A própria mão de obra tem sido “recrutada” na família, incluído as filhas gémeas de oito anos. As contratações de serviços técnicos têm sido pontuais. Para produzir os primeiros kiwis, Carla Cunha optou pelo modo de produção integrada, mas a ideia é que evolua para a certificação da agricultura biológica, por ser o sistema que, em sua opinião, “mais respeita a natureza” e aquele que está mais de acordo com as suas convicções. “Acreditamos que podemos dar a melhor fruta às nossas filhas, sem preocupação. Isto é qualidade vida”, justifica. Por esse motivo, tenciona alargar a produção biológica às plantações de marmeleiros e diospireiros. Quanto à comercialização, para já, perspetiva colocar a produção de kiwis à venda através da Cooperativa Agrícola de Felgueiras, numa quantidade que ainda tem dificuldade em antever, mas que espera generosa.

Fonte : https://www.dinheirovivo.pt/fazedores/kiwis-o-apelo-da-terra-como-forca-para-mudar-o-rumo-de-uma-vida/

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