Incêndios de Outubro. Peritos indicam fenómeno de “gravidade extrema sem precedentes na Europa”

Imagem de arquivo

Um fenómeno de “gravidade extrema sem precedentes na Europa”. É assim que os peritos da comissão técnica independente nomeada pela Assembleia da República classificam os incêndios de outubro do ano passado, que afetaram gravemente o distrito de Viseu.

O relatório foi divulgado esta segunda-feira (19 de março) pelo Jornal de Notícias, um dia antes da sua entrega aos deputados do Parlamento. Segundo o documento, a maioria das vítimas morreu durante a noite de 15 para 16 de outubro, constatado como o período mais intenso dos incêndios.

Nessa altura, as três frentes que começaram nas regiões de Viseu, Coimbra e Guarda uniram-se e queimaram uma área superior a 193 mil hectares, uma área superior àquela que tinha sido ardida até então em 2017.

A comissão técnica refere ainda que houve uma evolução “muito rápida” devido à velocidade das chamas e à libertação de energia, fazendo com que o incêndio ficasse descontrolado em três horas, atingindo níveis considerados “impossíveis” de combate e afetando a prestação de socorros às populações, independentemente dos meios disponibilizados.

Bombeiros: entre a “estratégia defensiva” e o “bom trabalho”

O relatório também refere que perante a intensidade do fogo, a única forma de minimizar as consequências seria com a adopção de uma “estratégia defensiva” e de proteção das populações. Uma das corporações envolvidas na operação foram os Bombeiros Voluntários de Oliveira de Frades.

Em declarações à Rádio Jornal do Centro, o comandante Fernando Farreca diz não ter ficado surpreendido com as conclusões da comissão técnica e sublinha que o relatório confirma o “bom trabalho” dos bombeiros.

“[O documento] só dá razão àquilo o que os bombeiros do distrito de Viseu disseram e que foram situações incontroláveis. Isso está escrito e nós transmitimos à comissão técnica porque sentimos que dificilmente se conseguiria fazer melhor por muitos meios que houvesse disponíveis”, afirma, acrescentando que os operacionais da região “estiveram bem, trabalharam bem e desempenharam bem a sua missão”.

“Não fizemos mais porque como o fogo deflagrou entre as seis e as sete da tarde, as chamas entraram pela noite dentro e as pessoas, incluindo algumas vítimas mortais, ainda não tinham saído de casa e nem sequer tinham percebido do que se estava a passar fora”, lamenta Fernando Farreca.

Os incêndios atingiram 32 concelhos das regiões norte e centro do país, tendo vitimado quase 50 pessoas em 15 municípios. No distrito de Viseu, os concelhos mais afetados foram Vouzela, Tondela, Oliveira de Frades, Santa Comba Dão, Nelas e Carregal do Sal.

In : Jornal do Centro

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