“Quem quiser fazer uma pequena fortuna no vinho, tem que começar com um grande fortuna”

Ignorante Wines, em Gandufe, viu arder a quase totalidade dos seus dois hectares de vinhas velhas

Jorge Leonardo, mentor do projeto, com uma vida profissional de muitos anos ligada à diplomacia (passou pelas Embaixadas de Portugal em Espanha, Bélgica,África do Sul, entre outras), é atualmente chefe de gabinete do Ministro da Cultura, Luís Castro Mendes.

Não sendo um conhecedor do setor vitivinícola, apenas um apreciador, decidiu, num grande apego à Beira Alta, adquirir, há seis anos, a Quinta Lobo da Estrela, situada em Gandufe (entre Nelas e Mangualde).Primeiramente apenas para usar a altaneira e tipicamente Beirã moradia, verificou “que nos cerca de dois hectares de vinha, anexa à casa, se produzia um vinho de excelente qualidade, mas que não era comercializado”, conta ao nosso jornal o “filho pródigo que regressou à terra”, enquanto vamos observando o efeito devastador do fatídico incêndio de 15 de Outubro de 2017, sobre as vinhas velhas ali instaladas, com as quatro castas tintas tradicionais no Dão (Touriga Nacional, Alfrocheiro,Jaen e Tinta Roriz). “Era um ignorante no negócio e daí o nome do primeiro vinho que engarrafámos, provando que se pode aliar o humor e originalidade a um negócio de vinhos, sem o descaraterizar, e fugindo do nome quinta, pois este é um mercado muito competitivo e iríamos perder-nos no meio de uma multidão”, confidencia-nos, revelando que “o Ignorante foi provado e aprovado pelo melhor Somellier do mundo – Andreas Larsson -, que lhe atribuiu 89 pontos”. Cada copo deste precioso néctar é vendido em Bruxelas, por exemplo, a seis euros. O outro rótulo é vivo nas cores e também original no nome (Grandalhão).

Na vinha que percorremos, com Jorge Leonardo, foi uma dor de alma ver tudo queimado, cepas mais mais de 40 anos, e com esperança de ainda rebentar o fruto em não muito mais que os 10‰. “Ainda conseguimos vindimar em 2017, dada a maturação mais cedo do que o habitual das uvas, mas temos pouca esperança que este ano conseguimos sequer uma pequena colheita”, diz-nos, explicando que “concorremos já ao programa específico para reposição de culturas destruídas pelos incêndios”.

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Depois de produzirem quatro colheitas de tinto, vão avançar para a vinificação de um branco, comprando uvas a pequenos produtores vizinhos que não engarrafam. Tudo isto sempre com a filosofia de “manter a expressão máxima do terroir do Dão”, sempre a pensar nos mercados externos, que representam a larga maioria das suas vendas. Sobre o perfil dos vinhos, o enólogo Rui Coutinho, o “mago dos vinhos”, num evento que teve lugar no “Meio Sustento” em Viseu, caraterizou-os como “tradicionais do Dão”. “De início avaliamos o que a vinha tinha para nos oferecer e adequamos as uvas a um perfil clássico do Dão, mesmo tendo rótulo e nomes arrojados”. Nesta prova orientada tivemos oportunidade de provar um espumante vinificado com Encruzado e com uma só passagem, “pioneiro na região”, adiantou o enólogo.

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