O registo dos olhares de Duarte Belo em Nelas e Carregal do Sal

Patente desde Sábado na Fundação Lapa do Lobo, a exposição “Lugares para Viagem”, do conceituado fotógrafo Duarte Belo (reside em Viseu), é o resultado de um grande projeto e mostra de forma exímia o passado e o presente dos concelhos de Nelas e Carregal do Sal. No evento de inauguração, de grande riqueza artística, foi exibido o filme “À Luz da Terra Antiga”, uma curta-metragem de Luís Oliveira Santos baseada no trabalho de Orlando Ribeiro sobre o território português do século XX.

A exposição centra-se no território dos concelhos de Nelas e Carregal do Sal, com um ênfase especial para a Lapa do Lobo, onde o fotógrafo priorizou a procura de um olhar coletivo, os lugares habitados e toda a sua paisagem.

Duarte Belo possui um dos maiores acervos Portugueses de fotografia.Em 25 anos mais de  1 milhão e meio de imagens em suporte analógico e digital. Autor de mais de dez livros de fotografia o fotógrafo faz exposições desde 1987 e é editor do blog Cidade Infinita.

Duarte Belo deixa apelo para a comunidade participar no projeto entregando fotos antigas

Em entrevista que nos concedeu no final do evento, o fotógrafo explicou que a grande motivação e ideia para lançar mais este projeto “nasceu de uma conversa informal com a Cristina Nogueira, cuja relação de amizade com a Ana Lúcia Figueiredo permitiu-lhe conhecer a atividade da Fundação Lapa do Lobo, e assim pensarmos numa colaboração visando o mapeamento fotográfico da aldeia da Lapa do Lobo e também do seu território envolvente, ou seja, os concelhos de Nelas e Carregal do Sal. Este mapeamento deu origem a esta exposição. De seguida iremos levar a cabo um projeto pedagógico, tendo em vista a recolha de memórias deste espaço, voltando a fazer fotografias agora dos mesmos locais, para vermos como evolui ao longo do tempo este território”. Instado a revelar qual a metodologia dotada, referiu que “existe uma primeira preparação do trabalho, usando cartas militares à escala 1:25 000, com que trabalho há muitos anos. Daí parto para o terreno e há sempre coisas que me surpreendem. Este olhar vai assim sendo construído através deste diálogo entre o que foi previamente preparado e o trabalho no terreno”.

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Relativamente ao projeto educativo, adiantou que “houve um primeiro contacto com a comunidade, em que recebemos diversas imagens antigas do espaço – aproveito para deixar o apelo a uma maior participação de todos os que tiverem fotos antigas do espaço -, e agora iremos trabalhar com os alunos do 10º a 12º ano e depois ainda com os mais pequenos, com linguagens adequadas para grupo”. Sobre a mensagem que pretende transmitir, conta que “trabalho há cerca de 30 anos em Portugal e o que tento é divulgar as enormes riquezas que o nosso país tem, em termos de paisagens e património, muitas delas desconhecidas e notáveis, para que seja um apelo a visitar este Portugal interior, que deve ser promovido”. “Estes lugares falam-nos muito sobre o processo de evolução do país e como chegámos a Estado Nação”, refere.

Desafiado a eleger, do seu vasto acervo, alguns dos lugares mais impactantes por onde passou, vincando que “gosto de Portugal no seu todo”, acabou por salientar : “Viseu, a cidade onde moro há 12 anos, é maravilhosa, assim como toda esta região, em que destaco Oliveira do Conde.O Adro da Sé em Viseu, que visitei e fotografei pela primeira vez em 1996, é uma das mais belas praças históricas que temos em Portugal, por exemplo”.Lisboa, Porto, Coimbra,Douro Internacional,Serra de Sintra, Praia da Roca e da Ursa, Serra do Gerês, Serra da Estrela – pela transformação que sofre com a neve, todos os Invernos e Ilha do Pico, com a sua cratera deslumbrante que considerou “quase transcendental”, foram, entre outros, locais que elegeu. Por último confessou-se “chocado” com a devastação dos incêndios de Outubro em toda a região, realçando a desolação quando, após os incêndios, fez o trajeto entre Tondela e Penacova : “Vi um cenário de fim do mundo”. Duarte Belo vê na fotografia “uma ferramenta muito boa para a representação do espaço e mostra o mundo fascinante em que vivemos”.