“Preço da água vai descer cerca de 30%”

Rogério Abrantes afirma ao nosso jornal, em entrevista, que “as Câmaras devem ajudar os empresários, mas não financiar os empresários”

Incêndios.Qual o balanço final da autarquia em termos de área ardida e danos patrimoniais?

Não sendo dos concelhos mais afetados, registámos a destruição de 10 casas de primeira habitação e mais 25 de segunda habitação. Desde a primeira hora ocorremos às situações, fazendo primeiramente o levantamento dos prejuízos. As obras de reparação das moradias já se iniciaram e já há proprietários a começarem a ser ressarcidos, isto no caso de prejuízos até 25 mil euros. Acima deste valor há que elaborar projetos, mas pensamos também a curso prazo avançar com os processos. Temos entretanto e no que diz respeito aos apoios aos agricultores, duas pessoas afetas para as candidaturas, dando assim todo o apoio. Já demos entrada de mais de 100 candidaturas, nos apoios aos agricultores. No apoio social, as nossas equipas estiveram também desde a primeira hora no terreno, sendo que no caso da alimentação, não tem faltado, quer para pessoas quer para animais. Procedemos também ao realojamento todas as pessoas que ficaram sem habitação.

Sendo o Pinheiro Manso um dos grandes fatores a potenciar no concelho (inclusive com um evento anual por vós organizado), não teme pelo seu futuro?

Tendo ardido cerca de 60% a 70% da área florestal do concelho, temos muita esperança que os proprietários que viram arder os seus pinhais, designadamente de pinheiro manso, comecem a reflorestar. Muito em breve a autarquia vai também apoiar este setor, lançando uma campanha que tem por objetivo dar uma nova vida à floresta. Vamos oferecer diversas espécies para as pessoas plantarem, para voltarmos a ter uma floresta com há 50 anos, com carvalhos, castanheiros, pinheiros mansos e outras árvores que foram desaparecendo. A expansão massiva e desordenada do eucalipto foi um dos causadores da dimensão da tragédia dos incêndios no nosso país. Nada me move contra o eucalipto, mas a sua plantação tem que obedecer a regras, caso contrário daqui a 10 anos vamos ter uma situação igual ou pior à de 15 de outubro.

Dossier Ambiente. As visitas de Secretário de Estado e Ministro do Ambiente, reconheceram o caráter de urgência em resolver o grave problema ambiental do concelho. A necessidade é de oito milhões de euros de investimento para solucionar o tratamento de esgotos. Em que vai consistir a intervenção e qual o seu calendário?

Temos neste momento os projetos prontos, e lamentamos que nos mandatos anteriores ao nosso nada tivesse sido feito nesta área, quando os próprios serviços técnicos davam indicações da gravidade da situação em que se encontravam e encontram as ETAR´S. Fui-me inteirando, depois da tomada de posse, deste problema e tomámos logo a iniciativa de fazer um primeiro estudo. Por vezes somos acusados de não termos feito qualquer intervenção até ao momento, mas optámos por fazer um estudo global que aponte para uma solução também global e não parcial. Este estudo que inicialmente previa a necessidade de 12 ETAR´s, chegou agora ao final, indicando que são seis as ETAR´S necessárias, sendo duas delas de maior dimensão. Já temos entregues duas candidaturas a financiamento comunitário (ETAR Carregal Vila e Cabriz, num investimento de cerca de 4,7 milhões de euros), e vamos, mesmo antes da sua aprovação, avançar com o concurso para o arranque da obra. Este é um dos grandes aspetos para melhorar a qualidade de vida, mesmo sendo investimentos pouco visíveis.

Custo da Água. Sabemos que Carregal do Sal paga uma fatura elevada por fazer parte do sistema multimunicipal da concessionária Águas do Planalto, pagando os munícipes valores dos mais altos do país. O Sr. Presidente e os restantes autarcas que fazem parte da Associação de Municípios do Planalto Beirão anunciaram em junho uma redução de pelo menos 25% na tarifa, a implementar num prazo de seis meses. O que nos pode adiantar sobre esta decisão?

Posso adiantar-lhe que este processo está quase fechado e a muito curto prazo vamos anunciar uma redução na tarifa da água, que poderá chegar aos 30%: 20% já assegurados numa primeira fase e mais 10% numa segunda fase. Como compreende esta negociação não foi fácil, demorou o seu tempo, e não com a facilidade que muitos julgam pudesse ser feita, porque havia um contrato que não é fácil de rasgar, prevendo indemnizações altíssimas, faltando ainda cerca de 10 anos para o seu final.

O Sr. Presidente é adepto da municipalizarão da gestão da água?

Claramente sim e não só da água mas também dos resíduos sólidos, pois já existe uma estrutura que pode e deve assumir estas funções – A Associação de Municípios do Planalto Beirão. Não vejo necessidade das cinco Câmaras entregaram a outra estrutura esta concessão e gestão, até porque o acréscimo de encargos que daí advém é repercutido nos munícipes.

Aterro e recolha de resíduos sólidos. Faz parte do Conselho Diretivo da Associação Municípios Planalto Beirão. O aterro sanitário de Tondela, que trata anualmente 120 mil toneladas de resíduos de 19 concelhos, sofreu grandes danos com os fogos do passado dia 15 de outubro. As obras de recuperação já arrancaram? Existe um risco real de contaminação dos solos?

O maior problema é a cobertura do aterro que ardeu. Felizmente este assunto a ser tratado com muito rapidez, para evitar danos maiores, e o governo disponibilizou-se de imediato a apoiar com 3,8 milhões de euros os 4,7 milhões de prejuízos, sendo que a diferença vai ser suportada pelo seguro. Assim a Associação praticamente não vai gastar recursos com a recuperação da cobertura e pavilhões que também arderam.

Deslocalização de Empresas. DS Smith, Guido Socchi, Loureiro & Filhos, rumaram (em parte ou totalmente) para Nelas. Mantém o rumo estratégico de não ceder terrenos, praticamente de forma gratuita, para novos investimentos? Falou mesmo que tem um parecer da CCRC que tal se afigura como ilegal …

A minha postura é estar dentro da Lei. Não gostaria de um dia ser chamado à responsabilidade. Aquando da apresentação em Tondela, já há bastante tempo, das possíveis candidaturas a financiamentos para Parques Industriais, a Prof. Ana Abrunhosa (CCDRC) indicou claramente que os terrenos deveriam ser vendidos o mais próximo possível do seu preço de custo, sobre pena poderem ter que ser devolvidos ao Estado os apoios. Assim esse tipo de negócios não se devem fazer e nós lamentamos que um concelho vizinho como o de Nelas, anda a proceder dessa maneira. Sobre as empresas que refere, são casos distintos. No caso da DS Smith, nós comprámos e cedemos um terreno à empresa, para ampliação das suas instalações, mas acabaram por ainda não o fazer, tendo optado por arrendar um pavilhão em Nelas, deslocalizando parte da sua produção. São opções empresariais, sobre as quais nós não temos qualquer influência. Ainda assim e para terminar, posso dizer-lhe que pedimos um parecer à União Europeia, se podemos vender terrenos abaixo do preço de custo. Estamos a aguardar a resposta. Se derem luz verde, podemos equacionar essa situação, em casos concretos que o justifiquem.

Casa do Passal. Será uma realidade em 2019 a abertura do espaço museológico em memória de Aristides de Sousa Mendes? O que nos pode adiantar sobre o projeto?

Depois de termos lançado um concurso de ideias, o projeto está escolhido e em breve será lançado o concurso para a obra. Julgo que em março teremos condições para avançar com o concurso, podendo a obra arrancar a meio de 2018 e em 2019 teremos a Casa do Passal pronta. Este será o verdadeiro “ex libris” do concelho, atraindo muitos visitantes ao concelho, com grande impacto na economia local.

Quais os grandes desígnios para este segundo mandato, para além dos atrás enunciados, e em termos financeiros qual o diagnóstico atual da autarquia?

Acabámos de inaugurar a Loja do Cidadão, e em Janeiro iremos inaugurar a requalificação do Parque Alzira Cláudio, que era um projeto para nós muito importante, agora com plantação de novas árvores, autóctones, depois da retirada de muitos eucaliptos que eram perigosos e estavam em muito mau estado. E temos atuação nas diversas áreas, com uma situação financeira estável.

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