“Engolir Sapos” e “Guarda Teatros” : Novos projetos da companhia Amarelo Silvestre

Engolir Sapos (residências de criação ao longo de 2018 e estreia e apresentações em 2019)

Engolir Sapos” será uma reflexão artística, em forma de espectáculo de teatro para famílias, sobre preconceito e sapos de loiça. A dramaturgia será de Fernando Giestas, estando a restante equipa artística em fase de definição.

Em Portugal, existem entre 40 e 60 mil ciganos, uma minoria entres as maiorias. Em Portugal, existem entre centenas e milhares sapos de loiça em estabelecimentos comerciais, uma minoria entre as maiorias de produtos expostos.

Os sapos não são para venda nem para consumo próprio. Os sapos de loiça são para afastar ciganos.

Os ciganos têm má fama entre os homens, mas têm medo de sapos. Os ciganos são de carne e osso. Os sapos, os dos estabelecimentos comerciais, são de loiça.

Se um cigano incomoda muita gente, 60 mil ciganos incomodam muito mais. Se um sapo incomoda muitos ciganos, muitos sapos incomodam 60 mil ciganos. Se um sapo incomoda homens e mulheres de carne e osso, um sapo incomoda-nos a todos.

Os ciganos não são santos. Os ciganos não são sapos. Nós, os da maioria, não somos santos e não somos sapos.

Nós e os ciganos engolimos sapos.

Vamos fazer assim: começamos por observar o mundo como se fôssemos crianças*. De pergunta em pergunta, construiremos o nosso universo artístico: o nosso espectáculo de teatro. Sem coitadinhos de um lado e carrascos do outro. Homens e mulheres de um lado, homens e mulheres do outro lado, sapos de loiça de permeio.

Quem somos nós que construímos sapos, quem somos nós que expomos sapos, quem somos nós que tememos sapos, quem somos nós que engolimos sapos?

Nós.

Quem engole o primeiro sapo?

Engolir Sapos terá uma versão de história para crianças – literalmente, em formato de livro para crianças, porque importa olhar o mundo com os olhos de quem, ainda, o conhece pouco. Com os sentidos despertos para as perguntas todas. Afinal, o que é um sapo se não é apenas um sapo?

Depois de uma primeira residência de criação no Teatro Viriato, em 2017, pretende-se dar sequência ao trabalho de pesquisa e experimentação por todo o país, com períodos de residência em diferentes locais, em 2018, para que o projecto vá questionando e envolvendo diferentes pessoas de diferentes geografias, nomeadamente através de entrevistas realizadas no decurso desses momentos. A estreia do espectáculo concretizar-se-á em 2019.

Até à presente data, “Engolir Sapos tem como co-produtores o Teatro Viriato e o Centro de Arte de Ovar.

Guarda-Teatros (a estrear em 2018)

Guarda-Teatros será um espectáculo de teatro dentro de um guarda-fatos dentro do espaço público: proposta para 1 espectador de cada vez, convidado a sentar-se na plateia no interior de 1 guarda-fatos montado no meio da rua.

Neste momento, Guarda-Teatros” tem apresentações previstas no Centro de Arte de Ovar e nas freguesias do Município de Nelas.

Os espectáculos terão a duração de cerca de 5 minutos e decorrerão no interior do guarda-fatos. Lá dentro, ficarão “guardados” o espectador e o actor.

As apresentações do Guarda-Teatros serão compostas por vários espectáculos de 5 minutos, durante períodos de duas horas.

O texto dos espectáculos versará sobre o segredo. Queremos trabalhar sobre guardar segredos, ter segredos, dizer segredos, morrer para não dizer um segredo, morrer por dizer um segredo, amar em segredo, sobre sofrer em segredo. Propomo-nos fazer uma recolha de segredos, inclusivamente em residências artísticas pelos locais de apresentação do projecto, no contacto com as pessoas mais diversas, e trabalhar sobre essa ideia.

A cada apresentação num diferente local, e dependendo do contexto, o conceito do segredo poderá ser trabalhado em função de temáticas específicas: “Pedro e Inês”,  as obras de arte de determinado coleccionador, a vida de uma personalidade determinada, entre outras.

Pretendemos que este projecto tenha acolhimento também em escolas, promovendo apresentações complementadas com oficinas a realizar em simultâneo com os espectáculos: oficinas de escrita de segredos e de relação do corpo com os segredos.

Histórico Amarelo Silvestre

Constituída em 2009, a companhia de teatro Amarelo Silvestre concretiza as suas actividades a partir de Canas de Senhorim, Município de Nelas. Teatro contemporâneo criado em contexto semi-urbano, atento ao mundo e à vida. Destaque para a dramaturgia em língua portuguesa e para o corpo coreográfico do actor em cena. Palavra e corpo: dois pilares do propósito artístico da Amarelo Silvestre.

 A direcção artística é assegurada por Fernando Giestas e Rafaela Santos.

 

Projectos em preparação

– “Engolir Sapos”, reflexão artística, em forma de espectáculo de teatro, sobre preconceito e sapos de loiça; residências de criação em 2018 e estreia em 2019;

– “Guarda-Teatros“, espectáculo de teatro dentro de um guarda-fatos dentro do espaço público: proposta para 1 espectador de cada vez, convidado a sentar-se na plateia no interior de 1 guarda-fatos montado no meio da rua.

 

Espectáculos estreados

– “Canas 44”, co-produção Amarelo Silvestre, Nome Próprio, Teatro Nacional D. Maria II, Centro de Arte de Ovar e Câmara Municipal de Nelas, com direcção de Victor Hugo Pontes; estreia Outubro 2017 no Auditório dos Bombeiros Voluntários de Canas de Senhorim; projecto co-financiado pelaDirecção-Geral das Artes;

– “Mina”, co-produção Amarelo Silvestre, Fundação Lapa do Lobo e Câmara Municipal de Nelas; estreia Dezembro 2016 nas Minas da Urgeiriça, Canas de Senhorim; espectáculo com a comunidade do Município de Nelas; projecto co-financiado pela Direcção-Geral das Artes;

– “Museu da Existência”, co-produção Amarelo Silvestre, Teatro Viriato e Centro Cultural Vila Flor; estreia Abril 2016 no Clube de Viseu – Teatro Viriato (Viseu); projecto co-financiado pela Direcção-Geral das Artes;

– “o que é que o pai não te contou da guerra?”, co-produção Amarelo Silvestre e Teatro Nacional São João, encenação de Rogério de Carvalho,  estreia Março 2015 no Teatro Carlos Alberto (Porto); residência artística co-financiada pela Direcção-Geral das Artes, em 2014;

– “Sangue na Guelra”, co-produção Amarelo Silvestre e Teatro Viriato, encenação de Rogério de Carvalho, estreia Outubro 2013 no Teatro Viriato (Viseu);

 – texto do espectáculo, intitulado Sangue na Guerra/Guelra/Guerra, publicado na colectânea “Oficina de Escrita Odisseia: textos escolhidos”, coordenação de Jean-Pierre Sarrazac e Alexandra Moreira da Silva, edição do Teatro Nacional São João (2011);

– “Mar Alto Atrás da Porta”, produção Amarelo Silvestre, estreia Março 2013 em São Paulo, Brasil, no Galpão do Folias; projecto co-financiado pela Direcção Geral das Artes e Fundação Calouste Gulbenkian;


- “Raiz de Memória”, co-produção Amarelo Silvestre e Teatro Viriato, estreia Julho 2012 no Teatro Viriato (Viseu), com utentes do lar de idosos e do centro de dia da Associação de Solidariedade Social da Freguesia de Abraveses;

– ”João Torto”, co-produção Amarelo Silvestre, Teatro Nacional D. Maria II e Fundação Lapa do Lobo, estreia Março 2012 no Teatro Nacional D. Maria II; residência artística co-financiada pela Direcção-Geral das Artes, em 2011;

– texto do espectáculo publicado pela editora Bicho do Mato, em parceria com o TNDMII (2012);

– “Sonhos Rotos”, co-produção Amarelo Silvestre e Almagro Off – Festival Internacional de Teatro Clássico de Almagro (Espanha); estreia Julho 2011 – o júri de Almagro Off distinguiu “Sonhos Rotos” com uma Menção Especial, pelo “atrevimento experimental na abordagem aos clássicos, pela originalidade da apresentação e da própria história e pela fabulosa qualidade dos intérpretes e da encenação”;

– “Mulher Mim”, co-produção Amarelo Silvestre, Teatro Viriato e Centro Cultural Vila Flor; estreia Março 2010 no Teatro Viriato (Viseu); projecto co-financiado pela Direcção-Geral das Artes.

 Em 2013, as actividades da Amarelo Silvestre foram co-financiadas pela Direcção-Geral das Artes com Apoio Anual.

 

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