PSD Carregal do Sal faz o balanço das Autárquicas

     O PSD (secção de Carregal do Sal) perdeu as eleições autárquicas de 1 de outubro de 2017. Não vamos alinhar nas razões de contexto que colocam o PSD, em termos nacionais, com o pior resultado de sempre. Tudo pode ter as suas relações e explicações, mas isso fica para os comentadores e os analistas.

     Em primeiro lugar queremos deixar um agradecimento muito especial a quantos, em nome do PSD, se envolveram nesta campanha autárquica que aprofundou, em crescendo, um trabalho que não pode terminar no ato eleitoral do passado 1 de outubro. Criou-se um ideal, um envolvimento e uma dinâmica, com uma outra metodologia em termos de campanha, que, num dado momento, nos fez acreditar na viragem e que, apesar de não se ter verificado, se refletiu, por exemplo, nos resultados para a Câmara Municipal. Estão lançadas as sementes, assim queiramos, para renovar a ação política da social-democracia no concelho de Carregal do Sal, com trabalho continuado junto dos eleitores e guiados por um humanismo interclassista e intergeracional que coloque as pessoas e as suas vidas acima de quaisquer outros interesses.

     A nós, enquanto direção do PSD local, cabe-nos assumir todas as responsabilidades pelo mau resultado: não se reconquistou a Câmara, a Assembleia Municipal e as duas Assembleias de Freguesia que detínhamos também se perderam.

     Fizemos uma campanha simples, serena, propositiva, sóbria e sem ataques pessoais. O seu desenvolvimento no terreno, pensamos, teve um bom acolhimento a atestar pelo crescimento do auditório nas diversas sessões públicas que realizámos. No entanto, algo falhou e essa falha ou falhas têm, com certeza, razões subjacentes que o tempo nos ajudará a compreender.

     Sem nos querermos justificar apenas acentuamos a diferença notória entre as campanhas do PSD e do PS, marcadas, respetivamente, pela serenidade e pela agressividade. Numa campanha não pode valer tudo. A arrogância, o medo, o insulto, a intimidação, os ataques pessoais baseados em mentiras delirantes e patéticas, as insinuações anónimas e cobardes, empobrecem a democracia e não agouram nada de bom para o futuro.

     Todos ficamos mais pobres quando as emoções descontroladas se sobrepõem à racionalidade sensata e equilibrada. Vivemos num concelho pequenino, cada vez com menos gente, uma percentagem elevada de idosos e com graves desequilíbrios ambientais, sociais, culturais e económicos. É urgente encontrar respostas.

     O eleitorado, com grande pena nossa, não sufragou maioritariamente as nossas propostas. Caberá a quem ganhou, neste caso o PS, responder no quadro das propostas que apresentou. Estaremos muito atentos. As desculpas acabaram. É preciso que cada força política assuma as suas responsabilidades para o bem e para o mal.

     Procuraremos ser oposição forte e coesa, mostrando que a existência de ideias diferentes, não fará de nós inimigos e que a arrogância, o medo, a falta de liberdade, não podem integrar uma sociedade civilizada. Tais formas de afirmação política, que rejeitamos em absoluto, podem ser combatidas com humildade e perseverança, com trabalho político consistente e continuado junto da população. Em democracia não pode haver lugar para o medo! A existência de alternativas fortalece sempre a democracia. Com mais democracia seremos, necessariamente, mais desenvolvidos.

     Serão estas as bases de uma oposição atenta e séria que não fugirá às suas responsabilidades. A derrota eleitoral foi, naturalmente, um revés que assumimos individual e coletivamente, sem desculpas.

      Não abdicaremos dos nossos direitos e travaremos o bom combate a favor do concelho e do seu desenvolvimento, promovendo o diálogo entre as diferentes forças políticas com representação nos órgãos autárquicos, com oposição firme a toda e qualquer forma de prepotência.

     Saudamos quem ganhou, fazendo notar que as oposições têm direitos, pois, na Assembleia Municipal, para além do PS, em maioria absoluta, estarão também o PSD, o BE e o CDS, já sem falar na Câmara e nas Assembleias de Freguesia.

     Esperamos, sinceramente, que os próximos quatro anos sejam anos de paz e prosperidade para o concelho de Carregal do Sal.