Ministro Pedro Marques reúne em Mangualde com os autarcas de Mangualde, Nelas e Carregal do Sal

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, fala aos deputados da Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas , durante a audição sobre a TAP (requerimento do PCP), sobre a estratégia do Governo para a gestão dos pórticos rodoviários (requerimento PSD/CDS-PP) e sobre a fusão da REFER, EPE, e da Estradas de Portugal, SA, na Infraestruturas de Portugal, SA (requerimento do BE) , na Assembleia da República, Lisboa, 20 de janeiro de 2016. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, garantiu ontem que será feito “um levantamento rápido dos prejuízos” causados pelos incêndios que deflagraram domingo, atingindo vários concelhos da região Centro, e definidos os apoios a dar.

Em declarações aos jornalistas no final de uma reunião com autarcas dos municípios de Mangualde, Carregal do Sal e Nelas (todos do distrito de Viseu), Pedro Marques explicou que está a começar um “levantamento de prejuízos nas habitações, nas empresas, nas infraestruturas municipais e do ponto de vista agrícola e florestal”, que se prolongará pelas próximas “duas a três semanas”.

O governante disse que se trata de “um trabalho extenso”, como o que foi feito na sequência dos incêndios de Pedrógão Grande, tendo depois sido agilizados mecanismos legais que permitiram “estar no terreno agora a recuperar as habitações das pessoas, a apoiar os agricultores e as empresas”.

“Tudo isto está no terreno e o que nos comprometemos a fazer aqui é um levantamento rápido dos prejuízos e a definição dos apoios”, frisou.

O governante contou que desta reunião, que se realizou na Câmara de Mangualde, leva uma mensagem dos autarcas “de preocupação em reerguer os seus territórios”, à qual o Governo quer dar resposta.

“Os eventos são de natureza extraordinária e profundamente lamentáveis, em particular a morte das pessoas, mas a melhor homenagem que se pode fazer àqueles que infelizmente perdemos ou que estão afetados por estes incêndios é ajudar agora a reerguer as suas terras, as suas famílias, as suas vidas e garantir e salvaguardar os seus empregos”, considerou.

Pedro Marques considerou que se tratou de “um verão muito difícil”, que a equipa do Ministério da Administração Interna teve de enfrentar, e que compreende a decisão da ministra de se demitir.

Aludindo ao Conselho de Ministros extraordinário do próximo fim de semana, realçou a necessidade “de melhorar os mecanismos de proteção civil, de tomar decisões com base no relatório da comissão técnica independente e de começar a reconstruir estes territórios” que foram afetados pelos incêndios.

“Tivemos um relatório técnico de grande credibilidade e grande craveira que nos aponta pistas concretas de como fazer evoluir o nosso modelo de proteção civil, mas também a prevenção estrutural. Temos uma reforma da floresta que já foi aprovada e que está a ir para o terreno e temos um conjunto de ilações e de medidas que retiramos desse trabalho da comissão”, referiu.

Na sua opinião, este trabalho “tem que representar, de todo o país, não só das entidades públicas, um novo impulso para uma floresta mais protegida, mais segura e mais resiliente”.

O ministro mostrou-se confiante “na capacidade do Governo, desde logo do primeiro-ministro”, de colocar toda a energia “nessa transformação estrutural” e em “ajudar estas comunidades afetadas na recuperação da sua vida, das suas casas e dos seus empregos”.

“É um novo ciclo de políticas a partir do melhor conhecimento, para que as ocorrências deste verão, nas suas consequências trágicas sobre as famílias, possam desaparecer e, naquilo que respeita às consequências dos fogos, à proteção civil e ao combate aos fogos, possamos preparar-nos estruturalmente para uma situação climatérica diferente, agravada claramente pelas alterações climáticas”, afirmou.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 42 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

O Governo decretou três dias de luto nacional, entre terça-feira e quinta-feira.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.