CINECO.Panorama regional e “Tudo pode Mudar” são destaques da edição 2017

Tudo pode mudar: Oceanos, Clima e Economia é a proposta da edição 2017 do CineEco Seia, a ter lugar entre 14 e 21 de Outubro na cidade beirã. Inspirada numa das mais importantes obras sobre alterações climáticas, de Naomi Klein, o Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela contará com 100 filmes em competição, oriundos de mais de 25 países.

Fomos ao encontro de Mário Jorge Branquinho,Diretor do evento, para saber tudo o que se vai passar em Seia a partir do próximo Sábado.

Quais os grandes destaques na programação internacional na presente edição? 

Esta 23ª edição do CineEco tem em competição 100 filmes, de 25 países, em várias categorias,  sendo que a grande competição Internacional Longas é a de maior impacto junto do público.

Nessa competição estará A Idade das Consequências, de Jared P. Scott, que investiga como a mudança climática afeta a escassez de recursos, a migração e o conflito através da lente da segurança nacional dos EUA e da estabilidade global. Rio Azul: Pode a Moda Salvar o Planeta?, de David McIlvride, Roger Williams, mostrará a forma como a indústria da moda, dos tecidos e dos jeans se tornaram nas grandes poluidoras das águas e do ambiente. Acompanhando as notícias recentes sobre a poluição dos Oceanos, Ondas Brancas, de Inka Reichert mostra o combate e a reação dos surfistas de vários pontos do globo, contra a inadvertida contaminação dos oceanos. Ainda no tema dos oceanos, Perseguindo Corais, de Jeff Orlowski viaja pelo mundo mostrando como os recifes estão a desaparecer a uma taxa sem precedentes.

Estará também Nahui Ollin – Sol em Movimento, que nos leva precisamente por uma viagem pelo México através do olhar de oito realizadores que procuram revelar como as mudanças climáticas afectam um dos países com maior biodiversidade do mundo.

Sabemos que irá decorrer, mais uma vez, uma competição de documentários de âmbito regional, com temas da região. O que motivou a iniciativa e que importância lhe atribuiu? 

O CineEco há vários anos que inscreve na sua programação o chamado Panorama Regional, para dar oportunidade a obras produzidas na região da Serra da Estrela, ou sobre ela, na perspetiva de promover as temáticas ambientais locais, assim como dar oportunidade a realizadores locais.

Para nós é uma competição muito importante e pretendemos apostar cada vez mais, de modo a envolver criadores locais, nesta área do cinema documental, incluindo os jovens.

Quais as vossas expectativas em termos de público? 

O CineEco já tem um público habitual, de Seia, da região e também das escolas. No entanto, temos vindo a desencadear mecanismos junto da comunidade, de modo a atrair cada vez mais público. Este ano, nomeámos 27 padrinhos para 9 longas internacionais de modo a ajudarem a atrair mais público à sala. É um exemplo a par de outros. Reforçámos igualmente a estratégia de comunicação e isso dará os seus frutos.

O que destacam na programação infantil? 

Na programação Infantil, destaco as sessões de curtinhas, que são filmes dirigidos a crianças dos jardins-de-infância e do 1º ciclo, onde se abordam, de forma animada, e quase sem diálogos, as temáticas do ambiente, numa perspetiva de educação ambiental.

Destacamos igualmente no dia 15 de manhã o filme infantil Amarelinho, de Christian De Vita, no dia 21 de manhã A Tartaruga Vermelha, de Michaël Dudok de Wit e ainda dia 12, à tarde, numa sessão pré-CineEco, o filme A Canção do Mar, de Tomm Moore.

Iniciativa “Conversas Paralelas”. Qual o grande objetivo e que convidados vai trazer?

As conversas paralelas, designadas “CineEco Talks” têm por objetivo promover debates curtos e informais sobre várias temáticas ligadas ao festival e seus propósitos.

Será uma hora de conversa, entre filmes, das 17 às 18 horas. Dia 15, Domingo o tema é A Mulher Cineasta, com a apresentação do livro de Ana Catarina Pereira (UBI), e conversa com a autora.

Dia 16, segunda-feira a conversa andará à volta do trabalho do Realizador de Cinema de Ambiente, com a presença de vários realizadores participantes no festival.

No dia 17, fala-se da Rede de festivais de cinema de Ambiente, com a presença de Diretores e responsáveis dos Festivais de Cinema da rede Green Film Network: Eleonora Isunza e Gustavo Balleste de Cinemaplaneta (México), Nars Chaul do FICA (Brasil); Pedro Pinero do Ecozine (Espanha), Daniel Pavilic do SEFF (Croácia), Peter O’brien do DCEFF DE Washington (EUA), Miryam Lopez, ex-responsável de comunicação do DREFF, da República Dominicana e José Vieira Mendes e Mário Branquinho do CineEco (Portugal). Conversas sobre os festivais e da sua rede na promoção e valorização do cinema ambiental, face aos novos desafios do mundo contemporâneo.

No dia 19, a conversa será sobre o Cinema nas escolas, com a presença da Coordenadora do Plano Nacional de Cinema, Elsa Mendes. Para reforçar a importância da educação para o cinema e da relevância do papel do professor no incremento desta ferramenta cultural para a criação de públicos para o cinema a partir da escola.

Na quarta-feira, dia 18, não haverá conversas paralelas, mas decorrerá um Concerto para Olhos Vendados, com Luís Antero, que recomendamos muito.

Com que apoios contam para a realização do Festival?

O CineEco é organizado pelo município de Seia, que suporta uma parte dos custos do festival e outra parte por vários patrocinadores, entre eles a CIMBSE – Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela, o iNature que apoia várias atividades integradas no festival, entre elas uma grande conferência sobre Comunidades e Florestas Resilientes, entre outros.