“O PSD tudo fez para me afastar da corrida eleitoral”

Manuel Marques promete uma gestão rigorosa e aposta na reabilitação urbana, enoturismo e termalismo. Não esconde a mágoa de ter ficado sozinho a defender o executivo em que participou e lembra ao eleitorado que já deu provas suficientes para gerir, sozinho, a Câmara Municipal

Esteve num executivo que deixou a maior dívida de que há memória na Câmara de Nelas. A situação financeira da autarquia em 2013 não julga continuar viva na memória dos eleitores? Que argumentos tem para os fazer votar em si?

Para que as pessoas percebam: a crise financeira afetou 79 Municípios portugueses. Não foi por isso um exclusivo de Nelas como com alguma demagogia dos nossos adversários quer fazer crer. A mudança brusca da situação financeira no país (em 2011, com a intervenção da Troika) alterou a estratégia financeira delineada em 2009. Todos os pressupostos mudaram e o Município teve de ajustar. Nenhum político o gosta de fazer. Mas a situação assim o exigiu.

Pese embora a parte financeira da Autarquia de Nelas não fosse o meu Pelouro, como decorre do Relatório da Inspeção-geral de Finanças e do recente comunicado emitido pela candidatura de Isaura Pedro, sempre direi o seguinte:

As contas da autarquia estavam consolidadas em outubro de 2013, tendo ficado em caixa, para o novo executivo, quase 1 milhão de euros e ainda alguns créditos no valor de mais de 300.000,00€ respeitantes a água e fundos comunitários.

Não é mentira nenhuma! Pois que, o ainda presidente da Câmara, ao gastar 4 milhões de euros em festas, 2 milhões de euros em avenças com os seus amigos, contradiz tudo aquilo que vinha afirmando à sociedade, nomeadamente a dar-se a ares de “grande gestor” que poupava muitos milhares de euros mensais ao Município. Uma falsidade! Os amigos e avençados do Presidente devem rir quando o ouvem bater no peito com este assunto! Uma câmara com dificuldades económicas, não se poderá dar ao “luxo” de gastar milhares de euros em tendas a utilizar em três dias, rallies e ciclismos. Ora, tive algumas dificuldades em demonstrar que quem mandava na câmara não era eu! Hoje não! Por isso, a sua pergunta está respondida.

Quais os reais motivos para se ter rompido a coligação que governou o concelho durante oito anos?

Os principais motivos residem no facto de a atual candidata do PSD, dois ou três dias após o ato eleitoral de 2013, num jantar em Mangualde, ter afirmado perante umas dezenas de pessoas, que a política para si teria acabado e que a derrota na sua Terra natal a deixou muito magoada.

Ora, alguém do anterior executivo teria que ter assumido a sua defesa, quer junto dos nossos fornecedores, quer junto daqueles que tinham confiado em nós em setembro de 2013…e essa tarefa tão só e apenas me coube a mim. Mais ninguém assumiu o combate político contra o ainda presidente da câmara. O que foi pena e fica uma grande nódoa para a carreira política da candidata do PSD. Facto é que até às eleições legislativas, a anterior presidente da câmara desapareceu, emergindo apenas quando o PSD e o CDS a propuseram para a lista dos deputados.

Se alguém interrompeu a coligação foi o PSD, quando o seu presidente da concelhia afirmou publicamente que Manuel Marques, não era nem seria candidato do PSD. E tudo fizeram junto da presidência do meu partido para me afastarem da corrida, tentando fazer uma coligação com o CDS, sem que eu fizesse parte das listas.

Concorrendo sozinho e estando na liderança da autarquia até 2013, que discurso pode o CDS trazer de novo que não esteja comprometido com mandatos passados?

Venho pedir ao Povo do Concelho uma oportunidade! Dado que nunca assumi a presidência da Câmara Municipal, gostaria de com humildade poder mostrar a minha capacidade! Mostrei sempre competência e resultados ao leme das várias associações a que presidi e presido. Os resultados estão à vista de toda a gente e falam por mim.

A gestão da câmara municipal terá uma “mudança profunda” e quem mandará na autarquia será quem venceu as eleições e não outros, para pagamento de favores políticos.

Olhando as contas vemos que o Orçamento ronda os 11 milhões de euros, com despesas correntes de 75% e o resto para despesas de capital. Mas pessoal, lixo e iluminação pública consomem metade das despesas correntes. Como é que tenciona governar uma Câmara assim?

Reduzir substancialmente os gastos de 4 milhões das festas (pão e circo). Acabar com os 2 milhões de avenças, aproveitando os excelentes técnicos e trabalhadores da autarquia, como sempre fiz desde 2005/2013. Estes quadros da Câmara devem ser respeitados e dignificados!

Com isto vamos ganhar margem financeira para atacar o que é essencial!

Já estão definidas as bases do programa a apresentar ao eleitorado?

Elas foram claramente definidas na apresentação da minha candidatura e periodicamente vão sendo publicados excertos dessas mesmas bases na página oficial da minha candidatura na internet. O nosso programa assenta em vários pilares: gestão financeira rigorosa, reabilitação urbana (nas aldeias e nas vilas do concelho), obras públicas contratadas localmente para fomentar o emprego, forte apoio à indústria, aproveitando a melhoria do clima económico nacional e claro está uma forte aposta no Enoturismo e no Termalismo! Os meus fornecedores estarão, em primeira linha, dentro das fronteiras do concelho! As empresas que por cá operam são o meu foco e preocupação.

Porque não apresenta lista em Canas de Senhorim?

Será certamente a mesma resposta que apresentará a outra candidatura. Durante oito anos trabalhei com o Luís Pinheiro e Mário Pires, fizemos um excelente trabalho na freguesia de Canas de Senhorim. Ao contrário deste mandato, investimos em Canas de Senhorim mais de 2 milhões de euros do Orçamento Municipal! Sim! Do Orçamento Municipal e não de Fundos Comunitários. A candidatura do CDS tem o prazer de contar nas suas listas com pessoas dessa freguesia dotadas de elevada capacidade pessoal e profissional que ajudarão, juntamente com a Junta de Freguesia eleita, a trabalhar em prol da dignificação e autoestima do povo de Canas de Senhorim!

Sem festas como é que tenciona promover o concelho?

O Manuel Marques é contra as festas apenas quando estas são desbragadas e sinónimo de desperdício! Entendemos que com Borges da Silva estamos a ultrapassar tudo o que é razoável sem que daqui decorra, em alguns eventos, um retorno claro para o Município. O Presidente e a Vereadora em funções têm gerido com pouca parcimónia os dinheiros municipais e é esse rigor que quero introduzir. Festas sim, no respeito da nossa tradição, etnografia e economia local. Não gastar por gastar em eventos de pouca visibilidade e altamente dispendiosos que ofendem a nossa gente mais necessita. Os 4 milhões atualmente gastos são uma barbaridade sobretudo se pensarmos numa Câmara intervencionada no âmbito do PAEL. Os dois principais dirigentes da Câmara Municipal (Borges da Silva e Sofia Relvas) ignoram as muitas carências que a correta afetação desse montante podia resolver! Por exemplo: teve alguma mais-valia para o concelho aquela tenda montada em dezembro de 2016, na praça do Município? Como este caso muitos outros. Espero que os eleitores façam esta reflexão.

Acessibilidades, com investimentos no IC 12 e futuro IC37 – vai ser uma luta sua?

Nunca cruzarei os braços na luta pelo Desenvolvimento do meu concelho, no Tribunal, na extinção das freguesias, nas Rotundas de Canas de Senhorim, na Rotunda de Santar. Considerando as excelentes relações de amizade que tenho com alguns fundadores do Partido Socialista, enquanto presidente da câmara terei todas as condições para reivindicar esses investimentos para o meu concelho. Essas duas infraestruturas rodoviárias serão uma luta constante. Seria um grande orgulho para mim essas duas obras arrancassem no meu mandato autárquico. Sempre no interesse de Nelas e da nossa região.

Na apresentação da sua candidatura, falou do Museu do Vinho do Dão em Santar, como um grande desígnio. Este projeto tem “barbas” e já vem do vosso primeiro mandato no poder. O que impediu a sua concretização?

Naturalmente os mesmos impedimentos que surgiram neste executivo, quando no orçamento municipal deste mandato autárquico, esta obra foi inscrita, se a memória não me atraiçoa com 1,00€. A pouco mais de um mês das eleições vai sair mais um outdoor a falar no Museu do Vinho, quando o ainda presidente da câmara disse há uns tempos atrás que a construção desta obra em Viseu, também era importante, dando a entender que era desnecessária para Santar e para o nosso concelho. O Vinho é há muitas décadas um dos motores económicos do concelho. Hoje é o símbolo de uma indústria sofisticada e a Câmara Municipal tem de estar de mão dada com os nossos produtores e investidores, para que mais gente nos visite e mais negócios por cá se realizem.