Quinta das Marias: A procura constante do aperfeiçoamento

“Em 1998 produzimos os nossos primeiros 2 500 litros de vinho tinto. A partir de então temos procurado o aperfeiçoamento constante da qualidade dos nossos vinhos. Adotar esta filosofia é para nós um caminho, não um destino”, começa por nos explicar Peter Eckert, o mentor de um dos projetos vitivinícolas de maior expressão, em termos de qualidade e imagem de marca, na região do Dão.

Apostado numa agricultura sustentável, revela-nos que “um passo importante nesta viagem foi este ano a decisão de acabar com a utilização de herbicidas na vinha – investimos mais de dez mil euros em alfaias especializadas no trabalho entre-vinhas, o que nos permite agora renunciar completamente aos herbicidas”. A continuidade de uma política da gestão muito cuidadosa da vinha, que inclui uma calibragem das quantidades produzidas através da monda, estabelece como objetivo “a produção de 35 HL de vinho tinto e de 40 Hl de vinho branco, por hectare”. “Penso que chegámos agora ao ponto onde vamos produzir regularmente mais ou menos 60 a 70 mil garrafas de vinho de qualidade por ano”, adianta.

Sobre a atual situação de mercado, mostra-se bastante satisfeito com as vendas: “Continuamos com a nossa estratégia de andar com duas pernas, ao colocar cerca de 40% da nossa produção no mercado nacional, com os restantes 60% a serem destinados à exportação. Em 2006 lançámos o nosso Encruzado e este vinho tem conquistado um lugar de destaque nas cartas de vinhos de muitos restaurantes especializadas em peixe e marisco na região de Grande Lisboa. A Suíça continua a ser o nosso principal mercado de exportação, seguido do Canadá, Alemanha, Brasil e Macau. Mandámos também as primeiras paletes para os Estados Unidos. O meu filho mora em Yangon – Myanmar (antigamente Birmânia) e um dos objetivos, que ainda não consegui alcançar, é vender vinho para aquele país tropical”.

Instado a falar-nos das mais recentes colheitas, explica que “tanto 2015, como 2016, foram dois anos com vinhos de extraordinária qualidade. Todos estamos agora à espera do 2017, para ver o que acontece. Para certas castas, como por exemplo o Jaen, o pintor chegou muito cedo este ano e o tempo quente e seco aponta para uma vindima precoce. Estamos a monitorizar bem a evolução das uvas, para vindimarmos no momento certo”. “Mas antes da vindima vamos estar na Feira de Nelas. Sejam todos bem vindos ao nosso stand”, concluiu em jeito de convite.