Taxas mínimas do IMI em Nelas

A Câmara de Nelas aprovou a baixa das taxas de IMI, cobrando o valor mínimo previsto por lei, de 03% para os prédios urbanos e de 0,8% para os rústicos. A decisão, que terá que ser validada pela Assembleia Municipal, saiu da reunião do executivo que decorreu nesta quarta-feira sobre o signo da mentira, acusa a oposição e,em tom de comício, censura o presidente da edilidade que apesar de ter perdido a maioria acabou por ver a oposição reconhecer o mérito da saída do aperto financeiro provocado pelo acesso ao Plano de Apoio à Economia Local.

A proposta do presidente da autarquia, “legalmente possível agora que saímos do Plano de Ajustamento Financeiro”, aponta para uma taxa de IMI de 0,3% nos prédios urbanos e 0,8% nos rústicos. “Em 2018 os munícipes ficam com 570 mil euros no bolso”, sustentou Borges da Silva. A proposta foi aprovada com o voto contra do vereador Alexandre Borges e as abstenções dos vereadores do PSD, que propõem no programa eleitoral o abaixamento dos valores. Artur Ferreira questiona “como se vão cumprir os investimentos do próximo ano, com menos 570 mil euros” e defende taxas “diferentes consoante as freguesias”, questionando ainda “como é que se chegou a este valor”, num procedimento que “deveria ser deixado para o novo executivo decidir”. Já Adelino Amaral e Manuel Marques, que votaram favoravelmente, criticaram o “eleitoralismo” da medida e lembram que se a autarquia saiu do ajustamento financeiro “tal deve-se à acção dos vereadores”. Alexandre Borges, que comunga das acusações de eleitoralismo, lembra que “esta aprovação que só terá efeitos a partir do próximo ano que é quando chega a primeira prestação do IMI. Não há urgência sobretudo quando vamos ter eleições em Outubro. Puro eleitoralismo”, acusou.
A decisão terá que ser rectificada em Assembleia Municipal e aponta para uma quebra de receita de 570 mil euros, que abatem aos 2,79 M€ de euros que a autarquia arrecada em impostos.
Antes o período de antes da ordem do dia ficou marcado por uma interrupção dos trabalhos e pela troca de acusações entre Borges da Silva e Manuel Marques.
O vereador do CDS, exibiu ainda fotografias que alegadamente retratam “os amigos do Presidente a quem a Câmara pagou mais de dois milhões de euros em avenças, questionou os termos do contrato de financiamento comunitário para a Zona Industrial 1”, preocupação partilhada com o vereador Adelino Amaral. Na resposta Borges da Silva vincou os quatro milhões de euros que “vão permitir ter novos lotes, esgotos tratados, arruamentos e rotundas sem esquecer, para uma Câmara que alguns dizem falida, um edifício de apoio”.

Incêndio de Vila Ruiva : Vereadores questionam se presidente da Câmara “tenciona pagar os prejuízos” dele decorrentes

Quente foi também a questão do incêndio em Vila Ruiva, que segundo a GNR e como o nosso Jornal noticiou terá sido ateado por uma máquina municipal quando fazia limpeza de matos, com o vereador Alexandre Borges a lembrar que “fazemos aqui propostas, mesmo quando temos conhecimento de causa, que são ignoradas e depois dá nisto”. Já Manuel Marques questionou o presidente do Município, que não respondeu a nenhum dos membros do executivo, se tencionava pagar os prejuízos do incêndio. Sem resposta ficou também o vereador do CDS quando afirmou que o presidente da Câmara “é arguido num processo que investiga a venda de um terreno em Carvalhal Redondo”.
Com trocas de acusações, de mentiras de um lado, comício eleitoral do outro, a reunião esteve suspensa durante alguns minutos depois de uma acesa troca de argumentos sobre a “penhora dos autocarros municipais que nunca existiu”, afirmou Marques com Borges a lembrar que “até máquinas estavam apreendidas por falta de matrícula”.

Amadeu Araújo