O Rolar dos Tempos. Crónica de António Leal

O simples acto de respirar, encerra em si o conhecimento da vida. Enquanto exercermos essa função estamos vivos e caminhamos pelo tempo de uma forma inexorável. E se tudo o que realmente conta é o momento, somos pela força das circunstâncias do que enfrentamos ao longo do processo, uma construção das decisões que vamos tomando, mas enfrentarmos o presente afundados no passado é um erro que necessariamente nos criará dificuldades. Vejamos por exemplo o fenómeno maravilhoso das redes sociais. Comunicar sempre foi o desígnio do homem, fazê-lo à velocidade em que hoje acontece é algo absolutamente diferenciador de um tempo pós revolução informática. Ser um info-excluído pode muitas vezes ter a ver com a necessidade de não transparência a todos os níveis. Como se costuma dizer : quem não deve não teme.

A liberdade tem , na minha opinião, muito a ganhar com esta capacidade evolutiva de comunicação que os tempos de hoje nos proporcionam. E essa liberdade molda os meus actos para com o mundo e para com aqueles que comigo privam. É ela que me situa em relação ao acto da minha vida de encenador.

Vejamos: Encenar é (entre muitas outras coisas) liderar.Não apenas o acto de fazer com que os actores representem e os cantores cantem, mas sim criar condições neles próprios  para que sejam eles a querer fazê-lo. Conseguir exaltar a sua arte, elevá-los, activar a sua adrenalina, implorando, exigindo….por vezes furiosamente  – tal como disse Bernstein em relação à condução de orquestra- E no entanto é isso que eu faço porque acredito que ele adoram o que fazem tanto como eu.. Não é tanto uma questão de impor a vontade sobre eles como um ditador mas sim projectar os sentimentos para que se tornem por eles alcançáveis e tão importantes para eles como para mim e consequentemente para o publico. No fim o que conta é mesmo o Amor que colocamos em tudo o que fazemos. É isso que nos torna humanos e nos distancia da frieza dos tempos das relações virtuais. O balanço certo entre as realidades do presente, de peito aberto ao dialogo e à fraternidade entre os homens, seja qual for o  tipo de rede ou plataforma em que nos relacionemos.

António Leal