Povo exige respeito na reunião da Câmara de Nelas

Não foi ainda nesta reunião que Contas e Subsídios às Associações foram aprovados. Nova reunião foi marcada para a próxima Segunda Feira

O povo que acompanha as reuniões de câmara pediu hoje respeito ao executivo municipal que marcou novo encontro, extraordináro, para segunda-feira, visando discutir as contas, os subsídios às associações e acompanhar o processo de construção de novas estações de tratamentos de águas residuais.

O período antes da ordem do dia já decorria há mais de uma hora quando uma senhora na assistência aponta para um dos vereadores e pergunta se “não pode estar calado”. Pouco depois um popular pedia “respeito” e exigia que se fechassem as portas.

No essencial da reunião o ataque demolidor do CDS ao presidente de câmara e o remoque ao PSD; a resposta duríssima de Borges da Silva e Rita Neves em defesa do vereador Adelino Amaral.

A abrir a reunião os 758 mil euros de disponibilidades financeiras do município e as criticas do CDS “à pouca vergonha da última reunião”. Manuel Marques perante os reparos de Borges da Silva, para “falar baixo” quis fechar as portas que logo depois foram abertas. Manuel Marques levantou ainda a questão da cedência das instalações da EDP ao Moto Clube de Nelas e criticou a inauguração do monumento aos combatentes.

O PSD, pela voz de Artur Ferreira, levantou a questão das obras da reabilitação urbana, a questão dos cemitérios, o acompanhamento das obras resultantes da compensação pela não construção da Barragem de Girabolhos e a forma discreta como decorreram as cerimónias do feriado municipal. Seria Adelino Amaral, do PS, a explicar a contenção com o momento de tragédia vivida nos fogos e a apresentar uma proposta de retirada de vários pontos da ordem de trabalhos, discutidos numa reunião cuja legalidade questionou, crítica em que foi acompanhado por Manuel Marques.

Na resposta o presidente da Câmara de Nelas marcou nova reunião para a próxima segunda-feira, para discutir os pontos pendentes: aprovação das contas de 2016, subsidíos às associações e acompanhamento do processo de construção de novas estações de tratamentos de águas residuais. Borges da Silva manteve o entendimento que após uma segunda convocatória e com 1/3 dos vereadores haveria condições para deliberar mas recusou “guerras juridicas porque o povo dispensa a discussão, quer é obras, subsidios, amianto fora das escolas e férias para as crianças”. Manuel Marques, concordando, insistiu no atropelo da lei e vincou novo pedido de demissão ao presidente a quem sugeriu que “pague às associações que tem cabimento orçamental”. Borges da Silva e Manuel Marques trocariam ainda acusações sobre a situação financeira da autarquia, em 2013 antes de o presidente acusar os vereadores de “irresponsabilidade politica” ao chumbarem a reabilitação urbana de Nelas. E garantiu, com base na competência legal e no financiamento comunitário, a execução das obras no que seria “um erro histórico se não avançasse porque não podia perder 1,5 M€ de fundos já aprovados”. Obras que serão feitas “por ajuste directo” e que incluem a recuperação do Largo das Quatro Esquinas, o Largo da Estação e a Avenida do Matias. Mas o presidente da Câmara garantiu ainda ter candidatado aos fundos comunitários, e obtido aprovação, para a regeneração da Praça do Municipio e Largo da Igreja, mas cujo processo só avançará em Outubro, já fora do período eleitoral porque “é preciso conhecer o projecto e discutir as opções”. Sobre a aplicação do dinheiro da paragem da Barragem de Girabolhos garantiu que em São João do Monte e Póvoa de Luzianes está a avançar a construção de taludes e que a Estrada das Caldas da Felgueira “também é uma realidade que será inaugurada em Agosto”. Outras obras que “irão iniciar em Julho” são a Rua do Barreiro, entre Vila Ruiva e São João do Monte; a Rua da Soma, em Moreira; a Variante de Nelas e a Rua do Castelão, na Lapa do Lobo. O presidente da Câmara mostrou ainda “total disponibilidade para prestar todo o apoio ao Moto Clube mas sem folclore eleitoral”.

Com sucessivas interrupções, protestos do muito público e largos “pedidos de desculpas em nome da Câmara”, por parte de Borges da Silva os ânimos viriam a exaltar-se com a intervenção do vereador Adelino Amaral que se mostrou disponivel para analisar as contas, mas fazendo de lembrar a questão dos subsidios “que estão orçamentados e têm cabimentação”. Borges da Silva lembrou que “existem 380 mil euros para os subsídios às associações mas 3 meses depois de aprovado o Orçamento os senhores votaram a atribuição de um subsídio de 250 mil euros a uma única associação”. Perante os pedidos para que o desmentissem nenhum dos vereadores corrigiu o presidente e seria Rita Neves a lembrar ao presidente da câmara a “importância daquele subsídio” com Manuel Marques a rematar que “é destinado à acção social que a Câmara não faz”.

Amadeu Araújo