ESPECIAL Emigrantes : A vida feliz de uma jovem emigrante na Dinamarca

O nosso jornal inicia hoje uma série de artigos, na primeira pessoa, com relatos de casos da nova vaga de emigração Portuguesa, resultado da profunda crise económica e social do início da década. Aqui deixamos o testemunho de Sara, que se aventurou pela Dinamarca, considerado o país mais feliz do mundo. E Sara está muito feliz na empresa TRENDHIM (www.trendhim.pt)

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Eu chamo-me Sara, tenho 20 anos e passaram 9 meses desde que decidi vir para a Dinamarca, que decidi partir numa nova aventura… deixei Portugal e decidi aventurar-me por terras dinamarquesas… a minha aventura começou no dia que entrei no avião com rumo à Dinamarca, com uma mala na mão e sem nada que me esperasse do outro lado.

Quando terminei o secundária e a única coisa que tinha clara era que queria estudar no estrangeiro.  Sempre fui apaixonada por inglês e viajar então sempre quis estudar no Reino Unido. Infelizmente, por motivos financeiros não consegui, não só pelas propinas mas também devido ao custo de vida. No entanto, não deixei que isto me impedisse de ir para o estrangeiro. Então fiz alguma pesquisa e descobri que é possivel estudar gratuitamente em alguns países da Europa. Decidi, então, que queria continuar os meus estudos num desses países. Depois de muita pesquisa, a escolha caiu sobre a Dinamarca, não só porque o ensino é gratuito, mas também porque é um dos países com melhor qualidade vida do mundo, se não o melhor.

Então assim foi, candidatei-me para algumas universidades na Dinamarca. E recebi uma oferta da Via University College para o curso que eu queria, Engenharia Informática. O que precisei para me candidatar foi apenas um exame de inglês, IELTS e o diploma que comprava que tenho o ensino secundário. Outra vantagem é não serem precisos exames nacionais. Este é um dos muitos cursos lecionados na Universidade de Århus, a cidade que escolhi para efetuar a minha formação universitária e onde acabei por ir viver. Århus é a segunda maior cidade da Dinamarca.

A minha Universidade é muito moderna e tem um nível de ensino muito bom, excelentes salas de aula, áreas de convívio, bibliotecas e dormitórios para estudantes. Tem a particularidade de os cursos serem em Inglês, pelo que há um ambiente muito multicultural. Para além disso, todos os dinamarqueses falam Inglês, pelo que a língua não é um problema, desde que se saiba falar Inglês. Mas como o governo oferece aulas grátis de Dinamarquês eu estou a aprender a língua pois também acho importante para poder comunicar ainda melhor neste país e intregar-me mais.

O melhor de tudo é que a universidade é completamente gratuita, desde livros todo o software necessário. No entanto, apesar de não ter estas despesas, há que ter em conta que tem que se pagar o alojamento e a alimentação. E o custo de vida é mais elevado do que em Portugal, e isso fez-me querer procurar trabalho.

Comecei por ser au pair, o que me permitiu ter alojamento e alimentação gratuitos quando cheguei à Dinamarca. A família para a qual estive a trabalhar deu-me imenso apoio nos meus primeiros tempos na Dinamarca, o que facilitou bastante a minha adaptação a esta nova realidade, costumes e cultura.

Depois desta experiência, tive outros trabalhos em armazéns, limpezas, restaurantes, babysitter e outros pois queria ter algum dinheiro extra. Todos eles, como part-time, já eram uma excelente forma de juntar o útil ao agradável, mas um dia a sorte bateu-me à porta. Isto aconteceu quando encontrei um anúncio na minha universidade que dizia: “Portuguese students required”. Isto, para mim, foi uma autêntica surpresa porque nunca pensei que pudesse fazer uso da minha língua materna para trabalhar na Dinamarca.

Agora eu trabalho como Country Marketing Manager, uma empresa que vende acessórios e jóias para homens. A Trendhim (www.trendhim.pté uma empresa, eu diria, típica dinamarquesa, completamente descontraída, temos bolo, cerveja, pinp-pong e até passadeiras e camas. Trabalhar numa empresa assim é optimo, no entanto tenho imensa responsabilidade a recair sobre mim, visto que sou responsável por todo o mercado português. Felizmente, os meus colegas e os meus chefes sempre foram muito prestáveis, atenciosos e compreensivos comigo Estão sempre dispostos a ajudar-me e a fazer de mim uma melhor profissional. Nesta empresa, vive-se um espírito de equipa e de entreajuda fantásticos, o que tem contribuido imenso para a minha adaptação e, no final de contas, para um bom desempenho profissional da minha parte. E fico muito agradecida pois já aprendi imenso e sei que esta experiência me vai ajudar no futuro. O ambiente na empresa é muito descontraído, todos são muito acessíveis, educados, bons colegas e não existe nenhum tipo de discriminação.

Na Dinamarca, isto não acontece só na minha empresa, acontece em todas as empresas. É assim a mentalidade e a forma dos dinamarqueses encararem o trabalho, os serviços e os negócios. Em full-time, eles trabalham uma média de 30 horas por semana, das 8 às 16, com um equilíbrio entre a vida e o trabalho. O trabalho fora dos horários estabelecidos não é considerado. E daí o termo hygge, o estilo de vidadinamarquês, e a uma das razões para serem o país mais feliz do mundo. Eu penso que o estilo de vida deles é completamente inspirador e mudou muito a minha perspectiva.

Como se isto não bastasse, o trabalho é muito flexível e tenho total liberdade na escolha das horas de trabalho desde que complete 46 horas por mês, o que não é quase nada. Os trabalhos aqui são muito bem remunerados, na ordem dos 16€ por hora. Para além do meu salário, recebo a bolsa do estado para estudantes trabalhadores, no valor de cerca de 740€. No entanto, apesar de os salários serem muito altos os juros também são dos mais altos do mundo, o que é aceitável visto termos todas estas condições e ainda acesso à saúde completamente grátis.

Estudar no estrangeiro não é nada fácil, principalmente quando temos que deixar tudo para trás. Mas por outro lado, foi uma decisão que, decididamente, provou ter sido uma excelente opção e sei que vou conseguir ter sucesso no futuro, quer no capítulo académico, como no profissional e, juntando a isto tudo, ser uma pessoa com mais maturidade e mais bem preparada para os desafios que o futuro nos obriga a enfrentar.

Em resumo, estou muito feliz por ter decidido estudar, viver e trabalhar na Dinamarca. Por fim, mas não menos importante, é fantástico eu poder afirmar que, com apenas 20 anos, sou completamente independente financeiramente falando, algo que seria praticamente impensável acontecer, caso eu tivesse ficado em Portugal.

Sara Nunes

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