Ameaças físicas, queixas crime iminentes, e muitos munícipes na Reunião de Câmara

As reuniões de Câmara em Nelas continuam vibrantes. Espetáculo de circo, de comédia,de quase pugilato, como muitos dizem, é tudo menos um lugar de respeito e seriedade. A postura do presidente da Câmara Municipal é tudo menos de tentar consensualizar posições e dar esclarecimentos cabais aos Vereadores, preferindo optar pelo confronto político.Isolado (a sua Vice Presidente, Sofia Relvas, não profere qualquer palavra, nem sequer para defender a posição do Executivo,as propostas de Borges da Silva, ou simplesmente ser uma voz apaziguadora), vai tentando remar contra uma maré que lhe é (e referimo-nos estritamente às reuniões Camarárias), cada vez mais desfavorável.

Ontem, dia 29 de Março, eram dezenas os munícipes presentes na reunião, em defesa dos seus legítimos interesses, dado que a reunião, por ser a última do mês, teve o período destinado à intervenção do público. Desde os originais e mediáticos garrafões com água contaminada da Ribeira da Pantanha,a um residente em Carvalhas (Senhorim), a Arlindo Duarte (que trouxe a “legalmente duvidosa” transformação de terrenos públicos, destinados a zonas verdes, em parte de um loteamento, na Urgeiriça),ao munícipe Ramos, que ao longo dos últimos 10 anos reclama o cumprimento do protocolo celebrado com a autarquia para as infra estruturas de um loteamento na Raposeira (Canas de Senhorim), e a diversos cidadãos de Carvalhal Redondo, todos tentaram esclarecimentos do executivo para as suas situações, sem que praticamente nada lhe tivesse sido respondido pelo autarca de Nelas.

Rodrigo Ferraz foi outro dos protagonistas. O jovem Nelense, educadamente, expôs o seu problema, reivindicando o pagamento de horas extra, que lhe terá sido prometido quando trabalhou na autarquia,no Programa Ocupacional POC. Rodrigo Ferraz ainda questionou o executivo sobre o corte de água, o dia todo, ontem no concelho de Nelas, e onde se poderia dirigir para tomar banho. Sem qualquer resposta, numa das interrupções que o edil de Nelas fez na reunião, sempre para ir “à casa de banho”, o jovem dirigiu-se a Borges da Silva, ainda de forma calma e educada, mas, ao que apurámos, terá sido alegadamente insultado pelo presidente da Câmara, com palavras que nos dispensamos de aqui reproduzir. Nesse instante, e já visivelmente nervoso, Rodrigo Ferraz (e isto por nós visualizado), puxou com força o casaco de Borges da Silva, que saiu rapidamente para o corredor do edifício, voltando depois a entrar no Salão Nobre (que de nobre tem tido muito pouco).

Nelas presente na BTL no Stand de … Viseu

Entrando no período antes da ordem do dia, foram vários os assuntos trazidos pelos Vereadores. Artur Jorge Ferreira (PSD) e Alexandre Borges (PS), questionaram o edil de Nelas sobre a presença na BTL, Bolsa de Turismo de Lisboa (maior certame da área no país), do município de Nelas, mas sem stand próprio e integrado no stand de Viseu. Esta inusitada situação, que na opinião dos dois Vereadores, “menoriza” o concelho de Nelas, não mereceu qualquer esclarecimento de Borges da Silva.

Artur Jorge Ferreira estranha “tantas placas de obras, sem obras à vista”

O Vereador do PSD questionou o Executivo PS sobre as largas dezenas de placas de obras espalhadas pelo concelho, sem que “na maior parte” se vislumbrem “quaisquer intervenções, ou o que se pretende fazer”. Artur Jorge ainda recomendou que “se retirem as placas quando algumas obras já estão concluídas, pois acabam por atrapalhar os munícipes”.

Manuel Marques avisa : “Se o Sr. presidente continuar a não agendar os assuntos que lhes solicitamos, irei dar entrada no Ministério Público de queixa crime por abuso de poder e denegação de justiça”

O Vereador do CDS/PP foi mais uma vez contundente nas diversas intervenções que efetuou. Desde logo, deixou o seu veemente protesto, por Borges da Silva continuar a insistir em não agendar os assuntos que os Vereadores lhe vão solicitando. “Esta prática anti democrática, de abuso de poder, não fazendo cumprir o direito, tem que ser condenada e desde já lhe dou uma última oportunidade para agendar os assuntos que solicitei para esta reunião, na próxima reunião. Se não o fizer, entregarei queixa crime ao Ministério Público, por abuso de poder e denegação de justiça”, disse Manuel Marques, exibindo a queixa, que diz ter pronta. Ao nosso jornal, o Vereador centrista assegura ter o apoio total, nesta situação, dos Vereadores do PS, Adelino Amaral e Alexandre Borges. Sobre o assunto, Borges da Silva, remeteu-se, uma vez mais, ao silêncio.

Outro assunto que Marques solicitou esclarecimento foi o pedido da Patris Capital, para a Companhia das Águas Medicinais da Felgueira ser considerada de interesse municipal, até ao momento sem qualquer resposta. Por fim pediu, mais uma vez, o parecer técnico que sustentou o abate de uma árvore nas 4 Esquinas, em Nelas, que considerou “criminoso”.

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