Dão com grande representação na Essência do Vinho

Alves de Sousa Pessoal 2008 (vinho branco), Passagem Grande Reserva 2008 (vinho tinto) e Barbeito 30 anos Malvasia Vó Vera (vinho fortificado) foram os três grandes vencedores da edição deste ano do “Top 10 Vinhos Portugueses”, anunciado nesta noite de sexta-feira

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É sempre um dos momentos mais aguardados de cada edição da “Essência do Vinho”, no sumptuoso Palácio da Bolsa no Porto, e este ano não foi exceção. O anúncio do “Top 10 vinhos portugueses” aconteceu na passada sexta-feira num jantar realizado na Feitoria Inglesa, no Porto, e coroou dois vinhos originários do Douro, um branco e um tinto, no que pode ser considerado um triunfo em (quase) toda a linha.
Além dessa vitórias, o Douro foi ainda contemplado com um terceiro lugar nos tintos e um segundo na categoria de fortificados. Mas vamos ao vencedores. Produzido na Quinta das Bandeiras – uma propriedade de 100 hectares localizada próxima do Pocinho, em frente ao famoso Vale Meão -, o Passagem Grande Reserva 2009 mereceu a preferência do júri como melhor tinto do ano. Este néctar obteve na Wine Advocate de Robert Parker, notáveis 95 pontos.
Nas sucessivas avaliações que recebeu desde que foi lançado, os críticos colocaram em evidência “a frescura conferida pela hortelã, a fruta preta madura e as notas de especiarias”.
Mais quatro tintos ocupam o top 10 global: Menino António Alicante Bouschet 2014 (Herdade da Malhadinha Nova, regional alentejeano), Quinta da Touriga Chã 2014 (Jorge Rosas, Douro), Chryseya 2014 (Symington Family Estates, Douro) e Pedra Cancela Amplitude 2013 (Dão).
Nos brancos, o “perfil austero, de verniz, flores secas e especiarias” do Alves de Sousa Pessoal 2008 sobrepôs-se à concorrência, tendo o Quinta de Santiago Alvarinho Reserva 2015 (Nenúfar Real, vinhos verdes) sido aquele que mais se aproximou. O prémio surge, curiosamente, poucos anos depois de este conhecido clã familiar ter anunciado a intenção de centrar os esforços no vinho do Porto, recuperando uma antiga tradição.
Na terceira e última categoria, dos fortificados, três propostas, originárias de outras regiões demarcadas, ascenderam ao ambicionado “top 10”. A distinção maior, todavia, foi reservada a um lote especial da companhia madeirense Vinhos Barbeito, o afamado 30 anos Malvasia Vó Vera.
O vinho do Porto da Kopke, colheita de 1957 – caracterizado pelo “paladar doce, equilibrado e elegante”, devido “aos aromas resinosos bem integrados com notas de amêndoas, mel e laranja confitada” – ocupou a posição seguinte.
Único representante dos vinhos da península de Setúbal, o Bacalhôa Moscatel de Setúbal Superior 20 anos foi considerado o terceiro melhor vinho fortificado a concurso.


O Dão como berço da Touriga Nacional em prova comentada por Manuel MoreiraUm dos momentos altos deste grande evento vínico, realizado numa atmosfera com muito glamour, requinte e história, foi a prova comentada de vinhos do Dão, realizada na Sala do Tribunal, pelo escanção Manuel Moreira.

“O Dão é uma das regiões portuguesas mais abençoadas para a produção de grandes vinhos. É ainda terroir de excelência para que a mais reputada casta tinta nacional se expresse sem igual. Nesta prova, exemplares que comprovam o carácter floral, granítico, elegante, fresco e gastronómico da Touriga”, foi o mote para a apresentação dos seguintes Vinhos em prova: Villa Oliveira Touriga Nacional 2011, Palácio Anadia Reserva 2013, Titular Touriga Nacional 2013, Quinta da Ponte Pedrinha Touriga Nacional, Soito Reserva, São Matias Reserva, Quinta da Fata Touriga Nacional Talhão do Alto 2010, Casa Américo Touriga Nacional 2012, Madre de Água Touriga Nacional 2012, Munda Touriga Nacional 2011, Quinta do Cerrado Touriga Nacional 2013, Quinta dos Monteirinhos tinto 2011.

A vitória da antiguidade
Para Nuno Pires, diretor da “Essência do Vinho”, a principal tendência revelada nesta edição prendeu-se com a antiguidade dos vinhos, sobretudo nos verdes. Um sinal de que “os produtores estão a guardá-los mais tempo, o que faz com que ganhem complexidade”. “Mas, acima de tudo, quem ganha com a aposta são os consumidores, que têm acesso a vinhos melhores”, considera.
A qualidade “muito elevada” dos vinhos a concurso foi, segundo o responsável, alvo de fortes elogios por parte dos membros do júri, que convergiram “na tremenda evolução” que Portugal tem registado nesta área ao longo dos últimos anos.
A organização espera reforçar os 20 mil visitantes obtidos na edição transata. No entanto, Nuno Pires ressalva que a margem de crescimento popular no Palácio da Bolsa “é limitada, em nome do conforto que gostamos de associar a esta experiência”.

 

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