SUNDOWNING: uma caraterística da Doença de Alzheimer

O leitor tem um familiar, um vizinho, ou um conhecido com Doença de Alzheimer? Em caso afirmativo, muito provavelmente já deverá ter dado conta que essa pessoa terá um comportamento mais agitado quando se aproxima o final do dia. A esse fenómeno dá-se o nome de Sundowning, ou seja, podemos em última instância afirmar que corresponde ao agudizar das manifestações da própria demência.

O indivíduo neste quadro torna-se mais confuso, inquieto e inseguro. Isto pode piorar quando existe alguma alteração na rotina do mesmo, tornando-se ainda mais inquieto e desorientado. As capacidades de atenção e concentração podem tornar-se ainda mais limitadas, simultaneamente com o aumento dos comportamentos impulsivos, o que poderá levar ao comprometimento da integridade física da pessoa afetada.

Apesar de não haver evidência científica no que diz respeito às causas do fenómeno de Sundowning, o mesmo parece ser resultado das consequentes alterações cerebrais do processo demencial. É ainda sabido que pessoas com doença de Alzheimer se cansam mais depressa e que estas se podem tornar mais inquietas e difíceis de controlar nestes momentos. O Sundowning pode estar também relacionado com a falta de estimulação sensorial ao anoitecer, uma vez que à noite existem menos pistas orientadoras no ambiente devido ao apagar das luzes e à falta de ruídos.

Com a progressão da demência, o indivíduo apresenta uma menor compreensão de tudo aquilo que acontece à sua volta, podendo tornar-se ainda mais inquieto numa tentativa de restaurar as sensações de familiaridade e de segurança, sendo por isso ouvidas frequentemente verbalizações do género: “quero ir para casa” / ”quero encontrar a minha mãe”. O indivíduo pode estar assim a procurar um lugar que lhe tenha sido familiar e lhe tenha fornecido proteção numa fase anterior da sua vida.

Por isso caro utente, o fenómeno do Sundowning, apesar de pouco divulgado é frequente em pessoas com Doença de Alzheimer. Uma boa compreensão por parte dos técnicos e da família, aliado à tentativa de tranquilização da pessoa afetada, poderá fornecer um contributo importantíssimo para o bem-estar de quem sofre desta patologia, assim como de todos os que com ela convivem.

Dr. Marcelo Costa marcelocosta10@live.com.pt (Licenciado em Psicologia)

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