Índio Rei é o vinho oficial do Museu Nacional Grão Vasco. Vinho e arte de mãos dadas

Em noite de reis magos o vinho e a arte subiram ao trono no Museu Nacional Grão Vasco. A boa nova chegou com a apresentação do Índio Rei Dão Tinto DOP 2014,um néctar dos deuses com a assinatura enológica de Carlos Silva. O Índio Rei já tinha cruzado o Oceano Atltântico, para se tornar o vinho oficial do Museu de Arte Indígena (MAI) de Curitiba, no estado do Paraná, que tem o maior acervo indígena da América Latina, depois do intensivo empreendimento de Susana Abreu, empreendedora da Amora Brava.

O diretor do Museu Nacional Grão Vasco, cujo vinho oficial é agora também o Índio Rei, abriu o evento de ontem com uma detalhada explicação da fonte inspiradora para este néctar – o magnífico retábulo com a Adoração dos Reis Magos, constituído por uma série de 14 painéis sobre a vida de Jesus Cristo, que outrora adornava a catedral, constituindo um dos mais emblemáticos exemplares do Renascentismo Português, que teve em Vasco Fernandes (o Grande Vasco), o seu expoente máximo. Numa das representações pictóricas, Grão Vasco, um “visionário”,segundo Agostinho Ribeiro, pintou um indígena, tendo esta sido “a primeira vez que apareceu em todo o ocidente um nativo da América do Sul”, referiu o diretor do Museu. Tal se deve à epopeia dos descobrimentos Portugueses, pois o quadro terá sido elaborado poucos anos depois do achamento do Brasil. “Vasco Fernandes ter-se-á inspirado na narrativa de Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, para representar de forma exímia as caraterísticas do indígena”.

Susana Abreu, mentora do projeto, explicou que quando surgiu a ideia, a partir do painel da “Adoração dos Reis Magos”, tentou fazer a ponte com o Brasil. “Descobri que o Museu de Arte Indígena era o veículo ideal. Contactei com a proprietária e diretora, Julianna Podolan Martins, e usando as tecnologias ao nosso dispor, conseguimos um resultado final que julgo ser magnífico, sem termos ido ao local”, explicou.

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O enólogo Carlos Silva, na apresentação do vinho, degustado com bolo rei de excecional confeção da Pastelaria Capuchinha, descreveu-o como “tendo um personalidade muito própria, expressando a sua natureza autóctone,com taninos firmes,corpo aveludado, com notas de cereja, cacau, madeira exótica,incenso e fumo ligeiro”, onde se inclui a “muitas vezes esquecida” casta Tinta Pinheira, em blend com Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, que lhe confere “um caráter distinto”. Na degustação os convidados foram ainda presenteados com uma surpresa, ao provarem cacau em estado puro. Alimento primitivo dos indígenas, harmonizou na perfeição com o Índio Rei.

José Luís Araújo, jornalista com ligações a Curitiba, deu uma preciosa ajuda neste projeto, tendo lido uma carta que os proprietários do MAI dirigiram a Susana Abreu e Carlos Silva, onde salientaram a noite magnífica de 16 novembro de 2016, na qual “lançamos, oficialmente, aquando da inauguração das nossas novas instalações,o incrível vinho Índio Rei. O MAI e seus amigos e convidados celebraram uma inédita união. Aliás, não poderia ser de modo diferente, vindo de pessoas tão especiais e sensíveis como a Susana e o Carlos”.

“Que o vinho, a arte e a cultura seja sempre um encontro de paz entre todos os povos”

“Todos os visitantes do MAI tiveram a oportunidade de saber como foi que o primeiro indígena brasileiro foi retratado na Europa. Todos passaram a conhecer um pouco da vida de Grão Vasco, de Viseu e da nossa história além-mar. Aliando a magia do conhecimento e da arte, foi degustado, como experiência final desse dia tão importante para o MAI, o nosso vinho oficial, o Índio Rei, naquele que foi um momento mais que perfeito”, enalteceram, sublinhando algumas curiosidades : “Há 516 anos atrás, Grão Vasco imaginou como seria o nosso indígena, retratando-o com muita fidedignidade, considerando toda a dificuldade que é imaginar o desconhecido. Em 2016, a história repete-se. O “mago dos vinhos” Carlos Silva, apropriou-se do desconhecido e criou o Índio Rei, um vinho com incenso e outras notas que remetem a essa riquíssima cultura que é a dos indígenas brasileiros”. “Que o vinho, a arte e a cultura seja sempre um encontro de paz entre todos os povos”, acrescentaram.

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