José Raposo protagonista de “Contracanto – Do outro lado do mar” : “O meu palco preferido é o teatro”

O Centro Cultural de Carregal do Sal vai receber mais um Musical apresentado pela Contracanto – Associação Cultural.

Com encenação de António Leal e texto de Sandra Viegas Leal, a partir da imortal obra poética de Zeca Afonso, “Contracanto – Do outro lado do mar” conta com um elenco de luxo – José Raposo, Sissi Martins, Ruben Madureira, Joana Leal, Carlos Martins e Os Contracantos.

“Contracanto – Do outro lado do mar” no Centro Cultural de Carregal do Sal, nos dias 22, 23, 29 e 30 de dezembro e 6, 7 e 8 de janeiro de 2017.

Sinopse

“Contracanto – Do Outro Lado do Mar” acompanha a juventude difícil e amargurada de Fernando (soldado na Guerra Colonial), Mário (jovem emigrado em França), Laura (mulher de Fernando) e Conceição (mulher de Mário), num tempo em que Portugal sufoca de tristeza entre o vazio deixado pelos homens enviados para a guerra e o vazio dos homens fugidos da ditadura de Salazar. A amargura faz-se de saudade, angústia, desespero e fome. A esperança chega com uma geração nova, conquistada em abril, e em quem se depositam as expectativas de um país inteiro. Portugal sorri enquanto dura a Utopia.Hoje, com os pés mais assentes na terra, Portugal já não rasga os mesmos sorrisos que abril conquistou, mas também já não mergulha na depressão sem rumo.Porque há uma luz, há um faroleiro que alumia os caminhos, que conta como foi, como não chegou a ser e como ainda pode ser.É o país despertado. Confrontado com os seus erros. Decidido a não os repetir. E são os novos Bravos Portugueses, decididos a reencontrar o orgulho de uma bandeira.

Na antevisão de mais um grande espetáculo no Centro Cultural de Carregal do Sal,fomos ao encontro do ator José Raposo.

Recuando no tempo, pode situar-nos o momento em que sentiu que as artes cénicas palpitavam no seu coração e na sua alma ?

Acho que desde sempre. Os artistas nascem com um dom…

Começou no teatro infantil tinha 18 anos, em 1981 com Francisco Nicholson. Conte-nos como foram os primeiros tempos e a relação com esse grande Mestre …

Efetivamente aos 18 anos fiiz uma audição no Teatro Ádòque e o Francisco Nicholson escolheu-me entre 50 pessoas! Foi um sonho, claro, e o Chico foi de facto o meu primeiro mestre e um grande amigo!

A sua carreira, já com 33 anos de trabalho, tem-se pautado por um grande ecletismo, quer em termos de género, quer em termos de “Palco” (Teatro ; Tv e Cinema). Conte-nos quais os momentos que mais prazer lhe deram e qual dos “palcos” é o seu preferido ?

Sinceramente gosto mais de teatro que de televisão, cinema, dobragens ou qualquer outro género!

Qual ou quais os segredos para se ser um bom ator ?

O segredo é nascer com talento, mais nada! Depois aperfeiçoar, estudando como é óbvio!

Ganhou o Globo de Ouro e o Prémio Nacional de Teatro Bernardo Santareno como melhor actor de teatro, pelo musical “Um Violino no Telhado”, no ano de 2009. Que importância atribui a este reconhecimento ?

A mesma que se atribui a qualquer prémio, pois é sempre um reconhecimento do nosso trabalho.

O que o levou a aceitar o convite para este espectáculo  e o que dele espera ?

Em primeiro lugar, o facto do convite ter sido feito pelo Tó Leal, amigo e companheiro das pautas desta vida há “long time ago”, que muito admiro! Depois, o facto de estarem ligados a este projecto dois grandes artistas que também muito admiro e de quem tenho a sorte de ser amigo: a Sissi e o Rúben! Depois ainda, a prazerosa descoberta da escrita da Sandra, cujo dom tem que ser dado a conhecer ao meio dramatúrgico! E por fim, claro que poder cantar poemas e canções do imenso Zeca Afonso é privilégio maior para qualquer artista!!! Portanto, claro que estou super ansioso por começar esta aventura mágica!!!!

Será este mais um exemplo de como é possível fazer chegar projetos artísticos de grande qualidade ao interior, com grande aceitação e adesão do público ? Subsiste no país um déficit de descentralização da cultura e artes ?

Claro que sim, a descentralização cultural é um problema que existe desde sempre neste país! Por isso é tão importante e louvável este projecto artístico e educacional que o Tó está a desenvolver na Lapa do Lobo.

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