MINA reuniu artistas e comunidade de ex mineiros numa “reflexão artística sobre uma história com mais de 100 anos”

O pretexto para fazer um espectáculo sobre esta temática, ‘As Minas de urânio da Urgeiriça’, não se prende apenas pela noção da importância histórica que esta temática tem na nossa terra, esta que habitamos, mas também pelo fascínio/mistério e paixão etnográfica que esta temática envolve. É uma temática à qual a Amarelo Silvestre está muito atenta desde 2009, quando se afirmou como Companhia profissional de teatro em Canas de Senhorim.

 

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Fomo-nos apercebendo que existem ainda muitas “feridas abertas” em muitas pessoas, a vários níveis, e a memória não está sanada, sarada, nem devidamente registada.

Existe um trabalho de contextualização, esclarecimento, enquadramento e registo de memórias por fazer de forma ainda possível (os protagonistas que o viveram, muitos/alguns, ainda estão vivos) e este espectáculo apenas veio enaltecer a sua urgência, através de uma reflexão/expressão artística.

‘Mina’ não é um trabalho etnográfico, é uma reflexão artística sobre uma história com mais 100 anos. Pelo carácter de livre interpretação, ‘Mina’ tem em consideração factos reais que absorve e devolve já filtrados com o olhar artístico das diferentes áreas envolvidas – dramaturgia, interpretação teatral e musical, encenação, luz, cenografia, figurinos – e de todo um conjunto de pessoas que, de forma tão generosa e apaixonada, durante quase trÊs meses abdicaram de ficar com os pés quentinhos em casa e saíram à rua com verdadeiras intempéries para se juntarem a um grupo de artistas que queria reflectir sobre a sua própria história.

Muito obrigada por contribuírem para esta celebração da vida, da nossa história, da nossa memória. Ficámos todos mais sábios e ricos.

Texto : Rafaela Santos

Fotos : José Frade