“Cruzeiro Seixas: 16 Cadáveres Squisitos + 1” : grande evento de artes visuais e plásticas em Viseu

“Cruzeiro Seixas: 16 Cadáveres Squisitos + 1” é um evento organizado em parceria pela Escola Secundária Viriato e o Instituto Politécnico de Viseu. Na sua génese uma exposição de trabalhos plásticos de alunos da Viriato que evoluiu para uma iniciativa mais abrangente que inclui, para além da mostra referenciada, uma sessão com breves intervenções contextualizantes sobre Cruzeiro Seixas e o surrealismo português e a exibição do aclamado filme pela crítica “Cruzeiro Seixas – As cartas do rei Artur”, de Cláudia Rita Oliveira.

A iniciativa tem como público-alvo a comunidade no seu todo com interesse em acontecimentos desta natureza, com particular enfoque nos alunos e professores do ensino secundário e superior, das artes visuais e plásticas a todas as áreas em geral.

A participação no evento é gratuita e a organização emite certificado de presença.

O programa do evento consigna dois momentos temporais complementares. O primeiro, a exposição dos trabalhos, que estará patente ao público entre 5 de dezembro e 15 de janeiro, no Foyer da Aula Magna do IPV.

O outro momento alto da iniciativa ocorre no dia 14 de dezembro, também tendo a Aula Magna como palco. O programa começa com a visita à exposição, acompanhada e orientada pelos autores dos trabalhos; prosseguindo depois com a sessão “A Propósito de Cruzeiro Seixas”, com breves comunicações sobre o filme e o trabalho exposto, a importância da obra de Cruzeiro Seixas e do surrealismo nas artes visuais em Portugal e os concursos que a APECV promove anualmente, com assinatura de Cláudia Rita Oliveira (realizadora), Paula Rodrigues (docente e coordenadora do curso de Artes Plásticas e Multimédia da Escola Superior de Educação do IPV), Paula Soares (docente da Escola Secundária Viriato e coordenadora do projeto) e Teresa Eça (docente da Escola Secundária Alves Martins e presidente da APECV – Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual). O dia encerra com o aguardado visionamento do filme “Cruzeiro Seixas – As cartas do rei Artur”, de Cláudia Rita Oliveira, premiado recentemente no festival “Doclisboa” com o “Prémio do Público”. Oportunidade única para assistir ao filme em que “Cruzeiro Seixas habita num labirinto onde todos os caminhos o levam a Mário Cesariny, subjugado por esta obsessiva relação, Cruzeiro Seixas não viveu, mas deixou documentos desse não viver. 95 anos de pintura e poesia à espera de um reconhecimento maior ao lado de outros autores surrealistas”, conforme se pode ler na sua sinopse. A estreia absoluta teve lugar no teatro São Jorge, no dia 23 de outubro último, no âmbito do festival de Lisboa. Premiado pelo público e aclamado pela crítica, “Cruzeiro Seixas – As cartas do rei Artur” realizou a sua ante-estreia comercial no dia 3 de dezembro, data de nascimento do poeta e pintor português que este ano celebrou 96 anos. A estreia comercial está agendada para o dia 5 de janeiro, em Lisboa e no Porto.

A realizadora, Cláudia Rita Oliveira, é também responsável pela montagem de inúmeros filmes e documentários, entre os quais “José & Pilar” (com o qual recebeu uma nomeação para “Melhor Montagem” pela Academia de Cinema Brasileira). Em montagem trabalhou com nomes como Pedro Costa, Vera Mantero, Rosa Coutinho Cabral ou Miguel Mendes.

A exposição de trabalhos plásticos, intitulada “CRUZEIRO SEIXAS: 16 CADÁVERES SQUISITOS + 1”, é da autoria de alunos do curso de artes visuais da Escola Secundária Viriato. Esta mostra resulta de uma unidade de trabalho desenvolvida pela turma E, do 11.º ano, no ano letivo transato, na disciplina de Desenho-A, a propósito do XIV Concurso de Artes Visuais e Multimédia, promovido pela APECV (Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual), que propunha a exploração da obra de Cruzeiro Seixas. Com base na aproximação à mesma, no contexto de alguns aspetos biográficos e da importância do seu trabalho, procurou apelar-se à capacidade de análise e recriação, no desenvolvimento de portefólios que traduzissem o processo de apropriação feito por cada aluno. Daqui resultaram composições visuais que, numa linguagem com referência no surrealismo, fizeram aparecer ambientes e personagens que coabitam com outros em que a citação de Cruzeiro Seixas é mais evidente.

Na sequência deste trabalho individual, foi feita uma composição coletiva em que se integrou um elemento de cada uma das propostas finais anteriores, num registo de grandes dimensões, que viria a estar na origem do nome desta exposição. A execução decorreu durante os dois dias dos Encontros da Viriato, em março de 2016.

Para além dos objetivos académicos, a observação atenta de obras selecionadas por cada estudante e a interrogação sobre o imaginário tão rico e intrigante que elas revelam, permitiu um conhecimento privilegiado desse universo único de “um tipo que faz coisas”, tal como Cruzeiro Seixas prefere à palavra artista. Mostram-se, então, recriações da obra do autor que, ao interpretarem, confirmam a capacidade humana de superação do real, tal como anunciava a afirmação “o sonho acordado é das coisas mais bonitas que o homem tem”, citada de Cruzeiro Seixas e título do concurso da APECV.

* Artigo redigido ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Viseu, 5 de dezembro de 2016

Paula Soares

Professora de artes visuais da Escola Secundária Viriato

Joaquim Amaral

Comunicação e Relações Públicas Instituto Politécnico de Viseu

[email protected]