Antibióticos  : Amigos/Inimigos

No passado dia 18 de Novembro, a Direcção Geral de Saúde (DGS) assinalou o Dia Europeu dos Antibióticos.

Este evento, integrado na semana mundial pelo uso correcto dos antibióticos, é uma iniciativa do European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), à qual Portugal aderiu. O Dia Europeu dos Antibióticos pretende sublinhar a importância de usar os antibióticos de forma responsável e pôr termo ao seu consumo desnecessário, isto é, perceber que a toma de um antibiótico exige a sua prescrição por um médico e que as instruções do médico sobre a forma adequada de o tomar devem ser escrupulosamente respeitadas.

Apesar de todas as campanhas existentes que alertam para o perigo do abuso do consumo de antibióticos e de o facto de estes terem de ser só utilizados pelo doente com prescrição médica, são ainda muitos os mitos que levam a que algumas pessoas se auto-mediquem.

Os dados mais recentes confirmam que, na União Europeia, o número de doentes infectados com bactérias resistentes aos antibióticos está a aumentar, sendo este facto uma importante ameaça para a saúde pública. Todos os anos morrem cerca de 25 mil pessoas na sequência de infecções, motivo que leva a Comissão Europeia a querer apostar no combate às resistências e no aumento do conhecimento sobre estes problemas.

Em Portugal temos elevados níveis de iliteracia em saúde e estudos recentes, demonstram que os portugueses continuam a ser, na Europa, dos que menos sabem sobre antibióticos e o seu uso correcto. O uso errado dos antibióticos instalou-se porque as pessoas, em gerações anteriores, viram os antibióticos quase como um milagre que começou a salvar vidas perante infecções antes incuráveis. Os números demonstram que muitos cidadãos ainda não estão devidamente sensibilizados para a necessidade de toma de antibióticos apenas e só quando devidamente prescritos pelo seu médico bem como a diferença entre gripe e constipação. A maioria dos portugueses ainda acredita que antibióticos devem ser usados em gripes e constipações.

Antibióticos são substâncias químicas, naturais ou sintéticas, que matam ou inibem a o crescimento das bactérias, ajudando a curar infecções em pessoas, sem ter efeitos tóxicos para o homem ou animal.

Os antibióticos são prescritos para o tratamento de doenças causadas por bactérias e não para as causadas por vírus. A gripe é causada por vírus e não por bactérias. Portanto, não devem ser tomados antibióticos em casos de gripe. O seu uso está indicado apenas em infecções diagnosticadas como bacterianas e seguindo rigorosamente as indicações da prescrição médica.

A resistência aos antibióticos ocorre quando estes perdem a capacidade de controlar o crescimento ou morte bacteriana, ou seja, é a forma que as bactérias encontram para neutralizar o efeito do antibiótico, continuando a multiplicar-se na presença de níveis terapêuticos desse antibiótico. O principal factor favorecedor da resistência aos antibióticos, e que se relaciona directamente com os nossos hábitos terapêuticos é a pressão de selecção exercida pelo uso intensivo, muitas vezes excessivo, da antibioterapia. Os antibióticos, por vezes, são vendidos sem prescrição médica e, frequentemente, os doentes tomam antibióticos desnecessariamente, nomeadamente para tratamento de doenças virais (gripe).

A situação é dramática não só porque os mecanismos de resistência são hereditários, isto é, uma bactéria transmite à sua descendência a resistência aos antibióticos mas, também, pode ainda transmiti-lo às bactérias circundantes que coabitam com a bactéria resistente. Além disso, como as bactérias resistentes podem ser transmitidas a outros indivíduos, quem nunca tomou antibiótico também poderá estar incluído. Assim, o uso de antibióticos e a resistência podem eventualmente afectar uma comunidade inteira. Como as bactérias resistentes podem ser transmitidas a outros indivíduos, quem nunca tomou antibiótico também poderá estar incluído. A utilização indevida de antibióticos favorece portanto a propagação de bactérias resistentes.

Actualmente foram já isoladas bactérias resistentes a todos os antibióticos disponíveis.

Para preservar a potencialidade dos antibióticos actualmente existentes, deve ser diminuída a sua utilização. Os médicos, farmacêuticos e a população em geral devem evitar a utilização intensiva e abusiva destes valiosos medicamentos. A prescrição, dosagem e duração de tratamento de antibiótico no homem são de particular importância, bem como o uso controlado de antibióticos em pecuária e na agricultura, para se evitar a eliminação das bactérias benéficas conjuntamente com a bactéria causadora da doença no homem.

Individualmente todos podemos contribuir para evitar a resistência aos antibióticos, adoptando medidas simples no nosso dia a dia: tomar antibióticos apenas quando é necessário, uma boa higiene, lavar as mãos com frequência utilizando água e sabão, cozinhar bem os alimentos e ter cuidados de higiene na sua confecção. As constipações e as gripes podem ser tratadas com medidas mais simples como repouso, reforço de vitamina C, ingestão de líquidos para evitar a desidratação e medicamentos para garganta irritada, rouquidão, tosse, nariz entupido mas que não se tratam de antibióticos e também estes devem ser aconselhados / prescritos pelo seu médico.

Se não se parar com o uso errado dos antibióticos, não serão só as infecções que não conseguiremos tratar. Há muitas situações, como nascimento de grandes prematuros e muitos tratamentos, como quimioterapia, imunoterapia, cirurgias complicadas, que só podemos fazer porque tratamos as frequentes e graves complicações infecciosas. Se deixarmos de conseguir tratá-las, será toda a medicina moderna que será posta em causa, com consequências gravíssimas para a sobrevida das pessoas. Trabalhos recentemente publicados prevêem que em 2050 ocorrerão cerca 390 mil mortes por ano na Europa, devidas às resistências aos antibióticos, se o agravamento das resistências não for controlado. Este número significa que morrerão mais pessoas por causa destas resistências do que devido, por exemplo, a neoplasias.

A equipa da Farmácia Faure está disponível para prestar toda a informação necessária a bem de uma óptima saúde pública. Ajude-nos a cuidar da sua saúde.

Helena Baptista Marques

(Directora Técnica)