Associação Ideias Solidárias lançou livro com histórias de violência doméstica

A associação Ideias Solidárias lançou, no passado dia 25 de novembro, um pequeno livro de histórias contra a violência.
A publicação resultou do projecto “(A)Corda”, um grupo de interajuda para vítimas de violência doméstica e de género desenvolvido por aquela associação entre Abril e Setembro deste ano, em Viseu. O grupo foi conduzido pelo psicólogo nelense, Marcelo Costa, e culminou agora com a partilha de algumas das histórias recolhidas, em jeito de exemplo para toda a comunidade.
Pequeno mas rico, o livro dá a conhecer a experiência da violência doméstica no feminino e no masculino, a experiência do assédio no local de trabalho, bem como recursos úteis para superar estas situações, quebrando relações abusivas.
Muitas destas relações vão perdurando no tempo, por vezes pela própria ineficiência dos serviços ou pela inexistência de assertividade na abordagem do problema por parte dos profissionais, também eles impregnados pelos seus estereótipos. No entanto, a mensagem que esta associação pretendeu transmitir foi, claramente, uma mensagem de esperança, pois sempre valerá a pena recorrer às respostas disponíveis na tentativa de melhorar a sua atual situação.
Os nomes dos intervenientes foram ficcionados, de modo a garantir o seu anonimato. Intencionalmente, à última mulher sobrevivente foi atribuído o nome Esperança: “Já vivi metade de um século rodeada de violência.Não me amargurei. Amo as pessoas, as flores, a terra e o que ela dá. Trago nos olhos o brilho do sol. (…)Eu tinha medo. Estava sempre sob ameaça. Sentia-me só, totalmente desprotegida, mesmo tendo muitos vizinhos.Ao longo da vida, nunca fui capaz de contar aos meus pais. O meu pai era alcoólico e a minha mãe também sofreu o que eu sofri. Eu sempre pensei que eles iam achar normal a minha situação e que nunca me diriam para mudar. Afinal, também eles viveram assim.Todos os meus vizinhos sabiam o que eu passava. As entidades públicas sabiam o que eu passava. Mas ele sempre foi prestável para os vizinhos e nós só tínhamos uma casa. Eu não tinha para onde ir… Dormia abraçada à minha filha, aterrorizada. Chegámos a fugir a pé, durante a noite, na esperança de que algo mudasse. Mas as ajudas eram poucas. A minha maior ajuda, a minha maior força, foi o amor pela minha filha. A vontade de a proteger e de pôr um fim àquela situação que tanto sofrimento lhe causava. (…)”.

Inverter a função da violência foi o objectivo deste projecto. A violência contada torna-se arma contra ela própria. “Histórias contra a violência”, exemplos de superação.

Mais informações disponíveis em: facebook.com/ass.ideias.solidarias