ÁLCOOL: da experiência ao declínio

Estatísticas recentes mostram que o consumo de álcool em Portugal está a aumentar, em especial na população mais jovem, contudo a mesma tendência é também visível na população adulta (muito por culpa da crise económico-financeira que o país atravessa desde 2009). Segundo dados de 2014, Portugal é o 11º país do mundo com maior consumo de álcool por pessoa, o que perfaz em média que cada português consuma 13 litros de álcool por ano. Como podemos observar pelas estatísticas, este problema é bastante grave e urge a necessidade de explicar ao leitor as consequências físicas e psicológicas que o consumo de álcool pode originar.

O álcool surge na vida de uma pessoa geralmente na fase da adolescência, quando os jovens juntamente com os seus pares, numa tentativa de auto-afirmação e integração do grupo de pares, experimentam álcool. Depois começam a beber em festas e daí ao consumo regular vai um pequeno passo.

Antes de mais importa destacar que beber álcool esporadicamente não torna a pessoa alcoólica, este consumo só se passa a denominar alcoolismo quando: há crescente toma de doses de álcool para atingir os mesmos efeitos que anteriormente sentia com doses mais reduzidas; aumento de tempo dispendido nesta tarefa; a pessoa sente o chamado “síndrome de abstinência” – aquando da redução brusca do consumo ou término do mesmo, as pessoas “ressacam”, ou seja, sentem um enorme mal-estar quando estão sem consumir há algum tempo; há desejo em controlar ou diminuir o consumo de álcool, mas essas tentativas são falhadas; e continuar a consumir mesmo quando a pessoa já tem noção que está em risco de vida.

Como vimos anteriormente, o alcoolismo pode trazer consequências de ordem física e psicológica.

Quanto às consequências físicas podemos destacar principalmente as alterações do fígado (ex: cirrose hepática), do coração, do aparelho digestivo, bem como do sangue. Há ainda diminuição da reprodução de novas células.

No que se refere às consequências psicológicas essas são inúmeras. Passa principalmente por haver uma falência da atividade cerebral, o cérebro “encolhe”, uma vez que sempre que ingerimos álcool, os nossos neurónios vão morrendo, o que consequentemente leva a um aumento da probabilidade de doenças neuropsiquiatrias e cognitivas. De entre as principais doenças destacam-se as síndromes demenciais e a síndrome de Wernicke-Korsakoff (este traduz-se na falta de tiamina no corpo e pode originar delírios e alucinações).

Para além destas consequências, numa pessoa alcoólica encontram-se ainda prejuízos nas relações familiares e laborais, bem como alterações do foro emocional.

Neste sentido a ajuda psicológica, nomeadamente numa corrente cognitivo-comportamental (com orientações comportamentais muito diretas) poderá ajudar a pessoa que sofre deste problema a diminuir o impacto que todas as consequências supramencionadas trazem para a sua vida.

Caro leitor, não se esqueça, o álcool é, em última análise, como qualquer outra droga, como tal causa dependência e inúmeros constrangimentos na vida pessoal, social e laboral da pessoa.

Dr. Marcelo Costa

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(Licenciado em Psicologia)