Lusovini entra no mercado Asiático e inaugura as novas instalações

A distribuidora sediada em Nelas, nas antigas instalações da Adega de Nelas (que adquiriu), inaugurou no passado fim de semana a nova Loja de Vinhos, agora com uma magnífica esplanada e restantes áreas funcionais.

Entretanto e em declarações à agência Lusa, o administrador executivo da Lusovini, com a área do Oriente, Pedro Dourado, explicou que a distribuidora vinha estudando o mercado asiático desde 2013 e que tinha projetado abrir este ano um escritório em Taiwan, por ser um polo central para operar em toda a Ásia, mas também porque tem “um mercado mais evoluído e em termos de restauração é muito mais fácil para a construção de marcas”.

“A certa altura, o nosso projeto acabou por levar uma reviravolta, devido à forte parceria que mantínhamos com a Adega Royale Limited, uma empresa chinesa sediada em Macau e que é nossa importadora e distribuidora para Macau e Hong Kong. Acabámos por reequacionar o projeto e, em vez de abrir uma base em Taiwan, instalámos o escritório de representações no edifício de Macau da Adega Royale”, informou.

Pedro Dourado destacou a extrema importância deste posto avançado, a partir do qual estão “a desbravar caminhos e a abrir parcerias com importadores e distribuidores locais em diversos países asiáticos”.

“Em termos de perspetivas, está a correr bem, porque estamos a ter a mesma atitude que outros países já tiveram no passado. Fala-se muito da implantação dos vinhos franceses, italianos e mesmo até espanhóis, mas nós portugueses esquecemos que esses países cresceram forte no mercado com presença”, sublinhou.

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No seu entender, não basta colocar as marcas no mercado, sendo “preciso trabalhar na ativação das próprias marcas”.

“Estamos empenhados num trabalho muito importante que é de construção de marcas, pois apesar da grande afinidade entre Portugal e Macau, há um grande desconhecimento. E a ten

dência é irem para os vinhos que têm mais força, ou de marketing ou em termos culturais, e que foram os primeiros a fazer a construção de marca no mercado, nomeadamente os vinhos chineses e a seguir os australianos, com muita força de marketing”, referiu.

A construção da marca é feita dando acompanhamento aos clientes, e passa, por exemplo, por dar formação a colaboradores dos restaurantes e de hotéis onde os vinhos nacionais chegam, de forma que saibam distinguir as regiões, denominações e multiplicidade de castas.

“Cada mercado é um mercado e acima de tudo o que nós fazemos é estudá-lo e adaptarmo-nos. Tendo em conta o ‘know-how’, quer do nosso presidente Casimiro Gomes, quer de outras pessoas que estão no projeto, acabámos por conseguir adaptarmo-nos à realidade deles”, sustentou.

As barreiras encontradas neste mercado “têm sido tremendas”, nomeadamente em termos culturais, mas Pedro Dourado defende que é preciso “entender e respeitar e não tentar mudar ninguém”.

“Além disso, temos também a barreira da linguagem. Muitas das marcas, que para nós são facilmente pronunciadas, para eles são um verdadeiro desafio. Por isso, por termos noção que a linguagem é fundamental, desenvolvemos a formação com um colaborador que já residia em Macau, ou seja, que em termos culturais já estava habituado à cultura asiática”, frisou.

De acordo com o ‘embaixador das marcas’ da Lusovini, todo o conhecimento deste colaborador tem, servido para “quebrar muito gelo que existe nas negociações”.

“Nota-se perfeitamente que, em alguns casos, basta chegar a um cliente e saber fazer um discurso em mandarim, para o cliente ganhar outra proximidade. O Oriente tem o maior mercado mundial e é extremamente importante continuar a colher frutos”, concluiu.

O grupo Lusovini produz e distribuiu quase 90 marcas de vinhos portugueses em todo o mundo.