“Nas últimas eleições em Carregal do Sal e em Nelas, o PSD percebeu bem os sinais e está a preparar-se em função disso”

Pedro Alves, ex chefe de gabinete de Isaura Pedro na Câmara de Nelas, é atualmente deputado e vice-secretário da mesa no Parlamento e ainda membro efetivo da comissão de educação e presidente do grupo parlamentar de amizade Portugal – Guiné Equatorial. Recentemente eleito líder do PSD Viseu, acredita que o partido vai voltar a conquistar terreno no distrito nas autárquicas de 2017. Pedro Alves substitui Mota Faria, que passa a liderar a Mesa de Assembleia de Militantes, de onde sai Fernando Ruas e deu destaque a jovens autarcas do PSD que estão a cumprir o primeiro mandato e que se vão recandidatar. Artur Jorge, atual vereador na Câmara de Nelas, foi eleito vogal.

Depois do PS ter ganho poder no distrito, nas autárquicas de 2013, com mais duas câmaras ganhas, prevê inverter esta tendência em 2017?

A conjuntura política de 2013 foi excecional. Costumo dizer que estavam criadas as condições para uma “tempestade perfeita”. Mesmo assim, apesar das adversidades, continuamos a ser o maior partido do poder local no Distrito de Viseu e estou convicto que, em 2017, vamos reforçar a liderança.

Este será o primeiro grande desafio que terá pela frente (se tudo correr normalmente). Que estratégia tem delineada para consolidar o partido como maior força do Distrito?

O modo como o governo e os partidos da geringonça estão a governar, não indiciam nada de bom. Por isso, prevejo iremos preparar as eleições autárquicas como se houvesse legislativas.

Quanto à estratégia, não há segredos. Os bons resultados eleitorais são fruto do trabalho. Todas as estratégias de sucesso assentam no trabalho. Havendo disponibilidade e vontade para trabalhar é preciso fazê-lo com seriedade e autenticidade, sem nunca abdicar de princípios e de lutar por causas.

Este posicionamento requer, portanto, uma atitude afirmativa/positiva e firme no combate político, próximo das pessoas, sem cedência ao populismo e à demagogia. Com humildade, iremos ao encontro das pessoas para assumirmos quem somos, o que fazemos e o que queremos. Se todos conseguirmos trabalhar com estes pressupostos, facilmente atingiremos os objetivos que ambicionamos. As pessoas conhecem bem o PSD, basta analisar os resultados eleitorais das últimas eleições legislativas para perceber o quanto em nós confiam. Cabe-nos, agora, trabalhar mais ainda para continuar a merecer essa confiança.

Focando-nos nos casos de Nelas e Carregal do Sal, duas autarquias que perderam em 2013. Pondera coligações com o CDS?

As coligações só fazem sentido se for para ganhar. Nos processos autárquicos, cada caso é um caso. Há situações em que a soma das partes se traduz numa diminuição da representatividade. Por isso, estaremos sempre disponíveis para integrar, nas nossas listas, quem acrescente mais-valia técnica e política e aumente a representatividade eleitoral.

Temos a obrigação de interpretar a vontade e as expectativas das pessoas. Se o não fizermos, os maus resultados aparecem. Nas últimas eleições em Carregal do Sal e em Nelas, o PSD percebeu bem os sinais e está a preparar-se em função disso.

Como vê o cenário político nacional na atualidade? Conseguirá o Governo cumprir o desígnio de não aprofundar a austeridade?

Que eu saiba a austeridade não só não acabou, como aumentou. Ou será que o aumento da carga fiscal não é austeridade? A estratégia política do governo está a deixar o país numa situação muito preocupante. Todos estamos conscientes das fragilidades que temos e dos riscos a que estamos expostos, como pequeno país que somos. O que não se compreende é o modo como o Governo social-comunista continua alegremente a conduzir Portugal para o abismo. Governar não é fazer vacas voar!

Este Governo tem limitado a sua ação a gerir o dia-a-dia. Cada dia que passam em funções é uma conquista porque o único objetivo que os une é o poder e não o superior interesse de Portugal e dos portugueses.

Distorcem a realidade com a fabulação das boas contas públicas. Infelizmente, todos sabemos o que isso representou em 2011. Se nada se fizer para inverter o rumo, virão aí dias mais difíceis. Essa história do fim da austeridade não passa de uma ilusão de comunicação. Se é verdade que houve reposição, à pressa, de pensões elevadas e de salários da função pública acima dos 1500€, também é verdade que se aumentou a carga fiscal. Eu pergunto: este caminho é o mais justo e equitativo? Não! Os que menos podem, fazem um esforço maior do que aqueles que podem. Estas são as políticas de esquerda.

É urgente inverter este rumo. O Governo até pode andar a tentar encontrar desculpas para criar uma crise política, não pode é continuar a brincar com a vida dos Portugueses.

É preciso levar Portugal a sério!