Desavinho e doenças fazem cair a produção da colheita 2016

As condições meteorológicas registadas na primeira metade do ano devem fazer baixar o volume produtivo para 5,6 milhões de hectolitros de vinho. Só o Algarve deverá escapar à quebra na próxima colheita. No Dão pelo menos 20% de quebra é o que se espera.

O Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) estima uma redução na produção de vinho que “poderá atingir valores na ordem dos 20%” em 2016, resultando assim num volume global de cerca de 5,6 milhões de hectolitros.

 As previsões do instituto público apontam para uma quebra de produção em quase todas as regiões do país. A única excepção deverá ser o Algarve, que deverá manter os valores da anterior colheita. Lisboa, Trás-os-Montes, Douro e Açores serão as mais afectadas, com uma redução superior a 25%.

Dão com redução na ordem dos 20%

Esta informação é ainda genérica, mas pelos contactos que temos feito com produtores da região, que serão objeto de reportagens alargadas na edição especial dedicada à 25ª Feira do Vinho do Dão, a queda na produção poderá rondar os 20%, afetando mais algumas castas do que outras. Isto mesmo confirmámos, nas próprias vinhas, com os produtores Carlos Lucas e José António Marques (Allgo-CM Wines).

O IVV refere que “a causa principal desta quebra de produção generalizada é atribuída às condições climáticas a que a cultura da vinha foi sujeita em particular no início do seu ciclo vegetativo”. Ainda assim, e porque a meteorologia está a favorecer a maturação das uvas, a entidade liderada por Frederico Falcão espera que “a qualidade dos vinhos resultantes da colheita de 2016 seja boa”.

A 14 de Julho, a Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID) já tinha antecipado, com base no metido de pólen, que as previsões apontam para uma produção entre as 192 mil e as 211 mil pipas de vinho no Douro. Comparando com a produção declarada no ano anterior (262 mil pipas de vinho), a directora-geral, Rosa Amador, calculou que este ano deve haver “uma quebra de 19% a 27%” nesta que é a mais antiga região demarcada do mundo.

Previsões mais pessimistas que a realidade

No ano passado, Portugal produziu mais de sete milhões de hectolitros de vinho, o que representou um aumento de 13% face à campanha anterior. Os dados oficiais apurados em Janeiro ultrapassaram as expectativas do próprio IVV, que em Agosto tinha previsto um aumento de cerca de 8%, para um volume total de 6,7 milhões de euros, na sequência da quebra registada no ano anterior.

 

Na verdade, foi o segundo ano consecutivo em que as previsões feitas antes da vindima pecaram por escassas. Já em 2014, a quebra na produção acabou por ser mais ligeira(-0.8%) justificada na altura com as baixas expectativas em Agosto e a chuva durante a época de colheita das uvas.

 

Portugal manteve em 2015 o estatuto de nono maior exportador de vinho a nível mundial, em valor – as empresas nacionais venderam para o exterior 738 milhões de euros –, mas arrisca cair este ano para a 10.ª posição devido à aproximação veloz e a colagem da Argentina. Já nas contas ao volume que ultrapassou as fronteiras do país produtor, Portugal mantém o nono posto mundial, segundo o relatório mais recente da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).

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