Pedofilia : Definição, perfil do agressor e consequências na vítima

A pedofilia constitui-se como uma relação entre um agressor e uma vítima (criança). Ao contrário do que se pensa no senso comum, a pedofilia não se traduz necessariamente em abuso sexual (mas sim interesse sexual). Em última análise, caracterizar-se por uma intensa atracção de um indivíduo a uma criança. Contudo este interesse/atracção pode não vir a ser consumado.

Para uma melhor compreensão desta designação, o leitor deve entender a existência de dois tipos de pedófilos: pedófilo não criminoso e pedófilo criminoso.

O pedófilo não criminoso é aquele que apesar de manter interesse sexual na criança tem o discernimento e a autodeterminação de manter essas suas fantasias na sua mente, sem as por em prática. Por sua vez, o pedófilo criminoso (também denominado por abusador), apesar de lhe ser reconhecido discernimento e autodeterminação, deixa que as suas fantasias se tornem reais.

A pedofilia enquanto crime ocorre muito frequentemente em contexto familiar, sendo que na sua maioria o agressor é do sexo masculino.

Estes actos promovem grandes danos no desenvolvimento da criança. Neste sentido a prevenção deve ser iniciada o mais cedo possível: quando a criança começar a ter compreensão de sexualidade, começar a compreender seu corpo, os pais já devem orientá-la para que ela não permita que toquem no seu corpo sem a sua permissão, muito menos nas partes íntimas.

Algumas crianças quando abusadas sexualmente podem ter dificuldades para estabelecer relações harmoniosas com outras pessoas, podendo também se transformar em adultos que abusam de outras crianças ou que se iniciam na prostituição.

É muito frequente as crianças abusadas ficarem aterrorizadas, confusas e muito temerosas de contar sobre o incidente (sendo até inundadas por sentimentos de culpa), o que leva a que muito dos casos nunca venham a ser descobertos.

Neste sentido, é importante que os responsáveis pela criança estejam atentos aos sinais de abuso, pois sabe-se que uma criança é facilmente manipulada e que não tem condições de compreender e consentir uma relação sexual. Além dos danos causados pelo abuso em si, constatou-se que existem os possíveis danos secundários gerados pela revelação do abuso como a reação da família perante a descoberta do acto e a falta de preparação dos técnicos que atendem as vítimas. Assim, assume-se que é de suma importância, os profissionais que actuam nessa área estejam atentos a essas possíveis consequências, uma vez que ao ignorar tais aspectos pode desestruturar ainda mais a vítima.

Em última análise, a criança abusada precisa não só do restabelecimento da sua integridade física e psíquica, como também de proteção, assistência familiar e fundamentalmente ser afastada do agressor.

Dr. Marcelo Costa

marcelocosta10@live.com.pt

(Licenciado em Psicologia)

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