PS Nelas : Grupo de 44 militantes pediu a convocação de plenário

O Presidente da Comissão Política Concelhia, Adelino Amaral, não acedeu ao pedido até ao momento e António Borges lança-lhe duras críticas

É mais um processo que está a agitar a política local. Um conjunto de 44 militantes do PS Nelas, decidiu no passado dia 1 de Julho entregar ao Presidente da Comissão Política Concelhia, Adelino Amaral, um pedido de convocação do plenário de Militantes. O pedido foi entregue por António Borges, atual presidente da Assembleia Municipal e militante histórico do partido. Ouvido pelo nosso jornal, frisou que este número “é  bastante superior aos 10% que os estatutos prevêem, incluindo mais de 1/3 dos membros da Comissão Política”, quando questionado se o pedido respeitou as regras internas do partido, que também são claras, quanto aos prazos : “nos termos dos estatutos do PS deveria ter sido convocado o plenário nos cinco dias seguintes, a realizar-se no período de 30 dias”. Sobre a resposta que obteve, diz-nos que não foi aceite, até ao momento, com justificações “que são tudo menos justificações”. “Não está previsto nos estatutos que um pedido de convocação de plenário de militantes possa ser prejudicado por qualquer decisão do Presidente da Comissão Política”, explica. Instado a revelar quais os assuntos que desejam ver discutidos em plenário, elenca-os : “Análise da situação política local e nacional ; Preparação do processo autárquico e análise da gestão do Partido Socialista na Câmara Municipal de Nelas e Outros assuntos de interesse para o partido”, e com a possibilidade do secretariado “incluir outros”. António Borges é cáustico na avaliação que faz da postura de Adelino Amaral neste processo : “É lamentável que não queira ouvir o que têm a dizer os militantes, principalmente num momento em que as informações que chegam são absolutamente contraditórias consoante sejam veiculadas pela Comissão Política, pela Federação Distrital e pelo Secretariado Nacional. O Presidente da Comissão Política teima em não aceitar discutir qualquer solução que passe por reconhecer a recandidatura do atual Presidente da Câmara, nem que para isso tenha que ir contra todas as determinações do partido. Esta posição ficou claramente assumida numa reunião da comissão política, no dia 22 de abril, com a presença dos Deputados António Borges, Presidente da Federação Distrital, José Rui, coordenador autárquico da zona sul do distrito e Marisabel Moutela. Pela primeira vez estivemos em completo desacordo pois, enquanto eu defendia a recandidatura de Borges da Silva, tendo por base o trabalho autárquico desenvolvido, que considero excelente, pelo cumprimento integral dos compromissos com que se apresentou ao Partido Socialista e à população do Concelho na campanha eleitoral de 2013, o que o coloca na melhor posição para voltar a ganhar a Câmara para o PS, pela credibilidade que criou no eleitorado. Para minha surpresa, dos convidados e de alguns dos militantes presentes, a posição do Adelino Amaral era precisamente a oposta. Embora pudesse admitir um bom trabalho autárquico do Presidente da Câmara, tinha contra ele um rol de críticas e queixas, algumas até consideradas ofensas pessoais que o impediam de apoiar o Borges da Silva. O Presidente da Federação depois de ouvir as queixas informou que as instruções do partido iam no sentido da recandidatura dos atuais presidentes e que no caso de Nelas era mais que justificado pelo trabalho desenvolvido”. Sobre a conturbada relação entre Adelino Amaral e Borges da Silva, ainda adiantou que “relativamente às divergências pessoais, o Presidente da Federação disponibilizou-se para mediar uma reunião de trabalho entre os dois, com a presença de outros militantes se eles assim o entendessem. A esta proposta, Adelino Amaral foi irredutível afirmando, “se essa reunião é no pressuposto de o Borges da Silva ser o candidato, não estou disponível”.

“Adelino Amaral está a sobrepor as questões pessoais aos interesses do partido”

António Borges acusa ainda Amaral de “sobrepor as questões pessoais aos interesses do partido, o que é de todo lamentável”. “A partir daqui desenvolveram-se uma série de ações da Comissão Política, ou parte dela, que me escuso a tornar públicas, pois às vezes parece que somos um partido sem Estatutos e que cada um pode criar os seus, conforme os interesses do momento”, critica. “É necessário e urgente discutirmos os nossos problemas internos de forma frontal e aberta, como sempre fizemos. Foi esse o principal motivo que levou ao pedido do plenário, pois o partido começou a fechar-se na comissão política e agora apenas no secretariado, saiba-se lá porquê”, exorta, rematando :  “Adelino Amaral, que tanto lutou pelo PS, fundamentalmente quando ele ficou órfão com a derrota que sofremos em 2005, com esta obsessão anti Borges da Silva, mesmo depois da decisão nacional de apoio incondicional à recandidatura do atual Presidente da Câmara, não está a prestar um bom serviço ao Partido”.

Tentámos durante o dia de hoje contactar telefonicamente Adelino Amaral, sem sucesso. Foi também enviado e mail para comentar as acusações de que é alvo, até ao momento sem qualquer resposta.

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