Esquizofrenia: uma realidade dentro da realidade…

A esquizofrenia é uma doença que afeta, em Portugal, entre 60 mil a 100 mil indivíduos. Nos prognósticos mais graves existe uma maior prevalência do sexo masculino, enquanto, nos prognósticos mais ligeiros não é possível encontrar diferenças de género significativas.

No que diz respeito às causas da esquizofrenia sabe-se que a hereditariedade pode ter um papel importante: parentes de primeiro grau de um indivíduo com esquizofrenia têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Os fatores ambientais (ex: problemas na gravidez, infeções) que interfiram com o desenvolvimento do sistema nervoso durante a gestação, podem estar relacionados com esta doença. Alguns indivíduos com esquizofrenia podem ainda apresentar pequenas diminuições de algumas áreas cerebrais e alterações na dopamina.

A esquizofrenia tem como principais sintomas: delírios (ideias falsas, que o doente considera como verdades absolutas); alucinações (principalmente as auditivas – são percecões erróneas dos orgãos dos sentidos); alterações do pensamento (tornando o discurso do doente mais difícil de ser compreendido); alterações ao nível do afeto (o doente pode perder a capacidade de reagir emocionalmente às circunstancias, ficando indiferente e sem expressão afetiva, outras vezes pode apresentar reações afetivas incongruentes e inadequadas em relação ao contexto social em que se encontra); e diminuição da motivação (aqui o doente poderá perder toda a vontade de realizar as atividades do dia-a-dia, isolando-se e inibindo-se socialmente). Podem ainda surgir sintomas como as dificuldades de concentração, deterioração da motricidade, aumento da desconfiança e indiferença.

Assim, o tratamento tem como objetivo controlar os sintomas supracitados e promover a reintegração do indivíduo. Para além do tratamento farmacológico, nomeadamente através de antipsicóticos e neuroléticos (administrados nas fases mais agudas da doença para aliviar os sintomas e nos períodos entre as crises de modo a prevenir recaídas), é muito importante um tratamento psicológico que vise a reintegração do indivíduo na família e na sociedade, ajudando-o ainda a lidar com as dificuldades do dia-a-dia.

A respeito da família esta torna-se um aliado fundamental para o sucesso do tratamento (farmacológico e psicológico). Logo, a mesma deve ser orientada e esclarecida quanto à doença, de forma a conseguir compreender e lidar com os sintomas e atitudes do doente. Para concluir, lembre-se caro leitor(a), se tiver algum familiar ou amigo com esquizofrenia, não tenha atitudes hostis para com ele, não seja crítico nem o tente proteger em demasia, deve sim procurar tentar compreender e apoiar a pessoa de modo a que ele consiga ter uma vida independente e que aceite satisfatoriamente (na medida do possível) a sua doença.   

Dr. Marcelo Costa

marcelocosta10@live.com.pt

(Licenciado em Psicologia)

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