Gonzalo Bénard expõe na Fundação Lapa do Lobo. Inauguração de “Anamnesis” hoje pelas 21h30

A exposição que vai ser inaugurada hoje às 21h30 na FLL, é mais um marco na elevação dos patamares de qualidade dos artistas que a Fundação trás à Lapa do Lobo, com impacto em toda a região.

Trata-se de uma exposição de um fotógrafo e pintor com um curriculum internacional deveras interessante (apesar do nome, ele é português). “Este artista já expôs em galerias e museus em Barcelona, Los Angeles, Paris, Lisboa, entre outras cidades, tendo já realizado mais de 40 exposições em todo o mundo. É uma honra termos a oportunidade de exibir obras de Gonzalo Bénard na nossa região”, referiu ao nosso jornal Carlos Cunha Torres, presidente da FLL.

Sobre Gonzalo Bénard :

Entre o muito que sempre haverá a dizer sobre o que é a Arte, e entre o pouco que sobre esta definição possa ser objeto de consensos, sobressai a sua dimensão transformadora.

A Arte transforma. Transforma, em primeiro lugar, o real que lhe serve de inspiração. Transforma, seguramente, quem dela se apropria, no sentido de fruir, de admirar a obra criada. E transforma de modo ainda mais profundo o criador – que diante do objeto recém-nascido de si, não mais será o mesmo.

Na história de vida de Gonzalo Bénard, a arte tem sido caminho. Diagnosticado aos 13 anos com um quadro no espetro do autismo de alto rendimento, fez da expressão artística uma passagem, ampla e generosa, para o mundo dos outros. Em vez de se esconder – seria o caminho mais fácil – decidiu expor-se.

Desta sua condição, o artista diz ter aprendido a privilegiar uma exacerbada consciência dos sentidos: os cheiros, os gestos, os olhares são códigos que decifra sem esforço, e que tantas vezes lhe servem de inspiração para as peças que cria, na escultura, no desenho, na pintura, na fotografia e também na escrita.

Aos 44 anos, Gonzalo Bénard prepara-se para lançar um livro autobiográfico, no qual descreve as fraquezas e forças de todo um trajeto. Mais uma lança disparada na direção de uma das suas cruzadas: desmontar ideias feitas. Um rótulo não seca uma vida.
Precocemente exposto à arte e à simbologia – influência de um pai heraldista – Gonzalo Bénard teve uma educação conservadora num colégio católico em Lisboa, cidade onde nasceu. Aprendeu dos clássicos e cedo se interessou por temas históricos e filosóficos. Preparou-se para encetar uma carreira estável e foi contratado por uma instituição cultural de referência.

Corriam os anos 90 e parecia o início de um percurso tranquilo. Até ao dia em que olhou para dentro de si e compreendeu que precisava de iniciar uma longa viagem, e que essa viagem seria, literalmente, a sua vida. Nos Himalaias, viveu três anos entre monges e xamanes tibetanos, com os quais estudou pintura e filosofia. Foi uma experiência forte – um quase renascimento, nas suas palavras. Regressou ao Ocidente, primeiro Lisboa, depois Barcelona, mais tarde Paris – onde, até agora, permanece.

Foi durante a década vivida em Espanha (2002-2012) que redescobriu a sua primeira câmara, uma Asahi Pentax. A partir de então deixou-se levar pelos trilhos da fotografia artística, uma área que tem vindo a aprofundar e que lhe tem valido referências em publicações de prestígio, como a Eyemazing, Gestalten e Thames&Hudson.

Representado em coleções públicas e privadas, tanto em Portugal como no estrangeiro, tem cativado o interesse de celebridades, como o músico Sir Elton John e a atriz Sharon Stone – ambos já adquiriram obras suas.

No seu trabalho são frequentes os modelos humanos e o uso da sua própria imagem, transformada. Num certo sentido, Gonzalo Bénard é também um performer. O corpo é matéria-prima de eleição. Fotografa preferencialmente em formato digital, recorrendo por vezes a técnicas pouco convencionais: webcams e ligações de satélite.

Gonzalo Bénard assume-se como um criador completo. O seu perfil é o de um experimentalista, que se diverte ao arriscar (provocar) os mais improváveis cruzamentos: da literatura com as artes visuais, da fotografia com o desenho ou a pintura, uma componente cénica sempre muito presente. Mistura linguagens, técnicas e materiais. Rompe tabus. A sua arte é despudorada – para chegar ao essencial, é preciso enfrentar o nu e o cru.

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1 comentário a "Gonzalo Bénard expõe na Fundação Lapa do Lobo. Inauguração de “Anamnesis” hoje pelas 21h30"

  1. Obrigado! Gostei muito do artigo, de expor na Fundaçao Lapa do Lobo e da regiao que (nao conhecia) e me encantou.

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